Por que o Facebook e outros gigantes escolhem o Canadá para testar suas novidades

Com população diversificada – tanto em etnia como em extratos sociais – e bem conectada nas redes, país é visto como ‘reflexo do mundo’ e lugar ideal para testar inovações e buscar novas ideias.

Por que o Facebook e outros gigantes escolhem o Canadá para testar suas novidades
Por que o Facebook e outros gigantes escolhem o Canadá para testar suas novidades
Getty Images
A rede social Instagram revelou estar testando uma mudança importante: o número de curtidas que fotos e vídeos ganham no aplicativo será escondido e poderá ser visto apenas por quem tiver postado as imagens.

Essa mudança no aplicativo, que pertence ao Facebook, está sendo testada no Canadá.

O Facebook disse que quer fazer com que as pessoas prestem mais atenção ao conteúdo do que à popularidade de uma imagem no Instagram.

Os canadenses, segundo a rede social, são conhecidos por serem bastante ligados em tecnologia e redes sociais. Há mais de 24 milhões de pessoas usando mensalmente algum app que pertence ao Facebook no país.

Não é a primeira vez que o Facebook faz um teste de aplicativo no Canadá. No ano passado, o país foi escolhido – ao lado de Colômbia e Tailândia – para um acesso antecipado ao aplicativo de paquera do Facebook, o Facebook Dating. E em 2017, o Facebook também escolheu o Canadá para, em primeira mão, lançar iniciativas dando mais transparência ao seu uso de publicidade.

Mas a gigante da mídia social não é a única empresa que tem usado o Canadá como um lugar para colocar à prova novos produtos antes de investir em mercados mais amplos.

Canadá é um dos países favoritos do Facebook para testar novidades créditos: Cortesia/Facebook

“Os dados que você consegue lá são confiáveis e se comparam a outros mercados grandes, como os EUA, Reino Unido, Dinamarca e por aí vai. E o país também tem um tamanho bom”, disse, ainda em 2013, um executivo da indústria de games.

Robert Levy, presidente do BrandSpark, empresa de pesquisa de mercado com sede em Toronto, afirma que lançar inovações e tecnologias em desenvolvimento fazem parte da “força vital das marcas”. Segundo Levy, é isso também que “os consumidores esperam em um mercado hipercompetitivo”.

E, segundo ele, o Canadá é “um ambiente de marketing muito, muito sofisticado” e representa uma “maneira compacta de obter muito retorno para testes”.

Mas por que o Canadá funciona como um lugar ideal para testes?

‘Tem a ver com diversidade’

“No Canadá, temos uma população muito diversa, que fala mais de 200 línguas pelo país”, explica Danny Heuman, analista chefe de um escritório da Environics Analytics, de pesquisa de mercado.

Não é apenas o fato de receber alto número de imigrantes – o Canadá tem a maior proporção de pessoas nascidas no exterior que qualquer uma das sete maiores economias do mundo –, mas também o de ter pessoas em todo o espectro de renda e em regiões urbanas e suburbanas que o fazem ser um lugar ideal para testar novos produtos.

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Além do gosto por novidades tecnológicas, o Canadá é visto por empresas como um país dono de uma grande variedade de segmentos de consumidores e de nichos diversos com os quais se pode aprender e experimentar
 créditos: PA

Juntos, os canadenses compõem uma grande variedade de segmentos de consumidores e nichos com os quais se pode experimentar e aprender.

Michael Moskowitz, presidente da Panasonic no Canadá, tem sido um dos grande entusiastas do país como lugar ideal para empresas globais testarem novos produtos ou aprimorar já existentes.

Mas, segundo Moskowitz, nem todas as empresas compreenderam o potencial do Canadá, porque o país ainda é visto por muitos como um mercado secundário que tem apenas um décimo da população do vizinho EUA.

É justamente por ser um mercado menor, diz o executivo da Panasonic, que há quem veja o país como uma plataforma de testes para novas tecnologias ou ideias “com risco relativamente baixo”. Se bem-sucedidas, podem ser lançadas nos EUA e em outros países, diz Moskowitz.

“Canadenses são muito empreendedores e ágeis”, avalia.

Para o executivo da Panasonic, a população diversificada está entre as “razões de destaque” que fazem do Canadá um laboratório útil.

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O chefe da Panasonic no Canadá defende o país como o lugar perfeito para se testar novidades e aprimorar produtos já existentes créditos: Reuters

Muitos canadenses moram a uma distância de até 160 km com a fronteira dos EUA, uma proximidade que faz com que haja uma sobreposição cultural e social com o país vizinho.

Danny Heuman, especialista em pesquisa de mercado, diz que canadenses compartilham de gostos semelhantes com os americanos quando se trata de mídia, cultura pop e alimentos. E são tão conectados quanto à população dos EUA, desfrutando de uma estrutura tecnológica similar e com a maioria dos residentes sendo donos de um smartphone.

“Então, quando a gente fala em tecnologia como o Instagram, somos muito parecidos em termos de comportamento (com os EUA)”, diz.

A Panasonic tem testado eletrodomésticos em Toronto, uma das maiores cidades da América do Norte e onde muitos habitantes moram em apartamentos ou condomínios, semelhante ao que acontece em outras grandes cidades do Canadá e dos EUA.

“Considerando nossa proximidade e semelhanças com os Estados Unidos, o Canadá se torna um ponto de partida natural para as organizações que buscam penetrar no mercado norte-americano”, diz Moskowitz.

O Canadá também é útil para marcas globais que buscam pesquisa de mercado para novas ideias, porque o país também reflete o comportamento de consumidores da Europa e de outros lugares.

“Eu vejo o Canadá sendo um reflexo maior do mundo”, avalia Heuman.

Para ele, o país se parece com os EUA, mas também com Austrália, Reino Unido, um pouco com Alemanha e ainda um pouco com Suécia e Noruega.

Diversidade geográfica

Várias empresas globais possuem unidades avançadas em grandes cidades canadenses como Toronto, Montreal e Vancouver.

Essas cidades e seus arredores, destaca Heuman, são valiosas para empresas que procuram lugares para conduzir pesquisas relacionadas a estilo de vida e deslocamento da casa para o trabalho, porque as pessoas vivem em condições parecidas com as de grandes cidades americanas como Los Angeles e Atlanta.

Mas o Canadá também tem um vasto território rural e diversidade geográfica.

Michael Moskowitz conta que existem inúmeros centros de testes para indústrias de diferentes áreas como a automotiva e a aeroespacial, onde produtos inovadores podem ser colocados à prova em condições climáticas extremas.

Empresas como Toyota, Hyundai e GM testaram veículos no Canadá, e em países como Suécia, Rússia, China e partes dos EUA.

Thompson, no Estado de Manitoba, 800 km ao norte de Winnipeg, é a base de um centro construído em parceria entre a Rolls-Royce e a Pratt & Whitney para testes no gelo de programas de certificação de motores aeroespaciais.

Yellowknife, que fica no noroeste canadense, também tenta se promover junto a empresas aeroespaciais globais como local de testes em climas típicos da Região Ártica.

A Panasonic também aproveitou as condições climáticas extremas no Canadá para, em parceria com comunidades indígenas e um centro de pesquisa, executar um bem sucedido projeto-piloto que testou painéis refrigerados a vácuo como isolamento residencial.

Os painéis, que podem ajudar a reduzir custos de energia, agora são usados para isolar residências em climas extremamente frios.

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