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Dirigente do Banco Mundial constata projectos agrícolas

O vice-presidente do Banco Mundial para África, Hafez Ghanem, concluiu ontem uma visita de três dias a Angola. Foi a sua primeira visita ao país, onde procurou inteirar-se sobre o momento actual e constatar a evolução da implementação da carteira de projectos financiados pela instituição em Angola.

Hafez Ghanem(ao centro) ouve as explicações de Archer Mangueira, ministro das Finanças, durante a visita ao Huambo
Fotografia: Esfraim Nunda | Edições Novembro

“Saio de Angola com muito optimismo sobre o futuro do país. Senti muito comprometimento e vontade dos membros do Executivo, da sociedade civil e das comunidades visitadas em trabalharem para o alcance do desenvolvimento económico e erradicação da pobreza. O Banco Mundial sente-se orgulhoso por ser parceiro de Angola e reiteramos o nosso compromisso em apoiar o país por meio de projectos e programas de financiamento que reflictam as prioridades estratégicas do governo”, disse Hafez Ghanem em comunicado.

O Projecto de Desenvolvimento da Agricultura familiar e Comercialização (MOSAP II), com financiamento do Banco Mundial de 70 milhões de dólares, foi uma das iniciativas visitadas pelo dirigente do Banco Mundial.
O MOSAP II beneficiou, desde o início da implementação, em 2016, mais de nove mil camponeses (sendo 5272 mulheres) das províncias do Huambo, Bié e Malanje.
Os dados constam de um relatório elaborado pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) do Ministério da Agricultura, na qualidade de agência implementadora e foram apresentados, na última sexta-feira, ao vice-presidente do Banco Mundial para África, Hafez Ghanem, que se deslocou à província do Huambo.
Hafez Ghanem manifestou-se satisfeito com os resultados obtidos pelos camponeses nos sub-projectos de apoio ao investimento agrícola, assegurando estar convencido que “o dinheiro foi bem utilizado”, a avaliar pelas visitas em companhia da governadora do Huambo, Joana Lina, e dos ministros da Agricultura e Florestas, Marcos Nhunga e das Finanças, Archer Mangueira.
“Viemos para trabalhar com o governo do Huambo no sentido de discutir o estudo feito e recolher contribuições que vão ajudar a sua implementação, que visa o aumento da capacidade da produção familiar, transformação desta produção e a sua comercialização”, destacou.
O vice-presidente do Banco Mundial reconheceu que a implementação, até ao momento, do MOSAP?II permitiu que as famílias camponesas conseguissem elevar a produção. Na ocasião, Joana Lina reafirmou que esta acção pretende assegurar o desenvolvimento da agricultura sustentável das famílias camponesas.
O ministro das Finanças, Archer Mangueira, sublinhou que o MOSAP II proporcionou a criação de condições para os camponeses poderem fazer o trabalho com o devido rigor, com auxílio dos técnicos do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA).
O director geral do IDA, David Tunga, destacou a importância deste projecto, por ser uma estratégia e iniciativa que visa “permitir que os agricultores das áreas escolhidas melhorem a produtividade, competitividade e a participação na cadeia de valor de comercialização de produtos agrícolas”, apontou.
O projecto de agricultura familiar orientado para o mercado, está avaliado num total de 95 milhões de dólares. É financiado pelo Governo, com 20 milhões de dólares e Banco Mundial (70 milhões). Os beneficiários respondem por 5 milhões de dólares. O projecto visa o reforço da capacidade produtiva e o desenvolvimento institucional, apoio ao aumento da produção e comercialização, cobrindo 80 comunas de 25 municípios das províncias do Huambo, Bié e Malanje. Conta ainda, como parceiros, a FAO, Instituto de Investigação Agronómica (IIA) e Ministério de Comércio.

Mais água na comunidade

Mais de dezanove mil famílias do bairro de Camussamba, Benfica, Chivas, Cacilhas e outros nos arredores da cidade do Huambo passarão a consumir, brevemente, água potável.
Estão previstas mais de 33 mil ligações domiciliárias no âmbito do Plano de Desenvolvimento Institucional do Sector de Água (PDISA), cujo financiamento é do Banco Mundial.

Pobreza condiciona agricultores

A falta de condições financeiras tem prejudicado os agricultores familiares e condiciona a manutenção e a aquisição de material de trabalho para investir na actividade produtiva. Para reverter a situação, o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural compromete-se a investir em processos sustentáveis e de empoderamento da comunidade.

A implementação das caixas sociais comunitárias, que começam a funcionar no próximo ano, é uma das principais medidas anunciadas pelo ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Marcos Nhunga.
Através das caixas sociais comunitárias, explicou o ministro, pretende-se que a comunidade faça a própria gestão da sua actividade, garantindo um maior envolvimento e cooperação entre os camponeses. A aposta na auto-gestão comunitária, com apoio técnico e financeiro por parte das instituições públicas, privadas e multilaterais, faz parte das reformas em curso no país.
“Nos próximos tempos serão aprovadas novas estratégias para reestruturar as acções voltadas para o desenvolvimento das comunidades rurais, através da aposta na agricultura familiar, onde a população está muito empobrecida”. disse Marcos Nhunga.
Sobre o MOSAP II, em curso desde 2016, o ministro afirmou que está a ser bem executado, embora careça de melhorias quanto aos aspectos de gestão e assistência técnica para o melhor acompanhamento das próprias culturas e uma maior organização do sistema da comercialização dos produtos.

JA

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