Angola: Entre Abismo e Esperança – Hans Erich Kruger

Há anos pretendi escrever um livro sobre Angola. Um livro que combinasse fatos históricos com as minhas experiências e recordações e também as de outras pessoas. Um dos desafios: o período de tempo entre 1960 e 2002 é um período extremamente longo para um romance contado na primeira pessoa. Inventei a figura “Danny”, um jornalista e cronologista que combina as minhas exigências.

Fonte: http://hanseport.blogspot.com

Hans Erich Kruger
Hans Erich Kruger

A ideia surgiu pela primeira vez durante uma caçada na região do Libolo, no Kuanza Sul, em 1972. O fazendeiro alemão Franz Bickmann observou que estava na hora de documentar o papel dos alemães espalhados pelo território angolano desde o fim da Primeira Guerra Mundial. As muitas histórias e contribuições para o desenvolvimento agrícola irão perder-se. Dito, mas não feito na época. Ninguém imaginava naquela altura as tragédias que o futuro nos reservava.

Com o passar do tempo, a pessoa ganha mais distância dos acontecimentos históricos, inclusive emocionalmente. O caso de Angola é diferente. Quando comecei a organizar as minhas fontes, interconectando os muitos relatos de portugueses civis, militares e sul-africanos, verifiquei que nada melhorou desde 2002. A população cresceu e bastante, a guerra civil acabou, mas o povo em geral? Em regiões do interior vive com menos liberdade individual do que no tempo colonial.

Se consegui reproduzir os anos de caos e sofrimento dos angolanos e também de outros grupos africanos como os do Biafra e do Congo, o leitor dirá.

 

Os nomes mencionados foram mantidos, alterados ou mesmo inventados, dependendo da existência atual de herdeiros em Angola que poderiam vir a sofrer represálias. Dos angolanos, alguns ainda hoje estão no poder. Infelizmente constato que pouco mudou. Mas, novamente, é a esperança que não quer morrer. Um novo presidente assumiu. E o futuro? Como fica?

SINOPSE LIVRO “ANGOLA”

O jornalista Danny visita Angola em 1960 para uma reportagem sobre a Palanca Preta Gigante. Logo, os primeiros sinais de vendavais políticos transbordam dos países vizinhos para o Norte de Angola, transformando o Danny num cronologista político-social que fielmente relata os distúrbios, fraquezas humanas e até traições principalmente na época 1974/1975, o vergonhoso tratamento da população nos momentos antecedendo a independência, as atividades dos principais movimentos de oposição contra o regime português. UPA, FNLA, MPLA, UNITA.

Houve tentativas de impedir a independência por tropas sul-africanas e a intervenção vitoriosa dos cubanos a partir de 1974. Em 1977, o golpe para derrubar Agostinho Neto por Nito Alves resultou numa orgia de sangue e muitos milhares de mortos enterrados em valas comuns. A longa luta da UNITA com o carismático líder Jonas Savimbi contra o governo do MPLA está sendo descrito com muitos detalhes.

O livro termina com a morte violenta de Jonas Savimbi em 2002.

Danny envolve-se em perigosas manobras dos serviços secretos e decide fugir.

Morador fictício na cidade de Luanda até 2002, descreve suas lutas de sobreviver com muitos detalhes verídicos. Paixões e amores florescem no meio do caos e um imbatível otimismo sempre o salva de cair em depressão.

Sobre o autor Hans Erich Kruger

Aventuras e críticas contadas de um alemão, apaixonado-confesso do Brasil, desde os anos 60, naturalizado há 30 anos, viajante internacional e agricultor, jornalista técnico ainda formado na Alemanha. Chegando, novamente, no Brasil em 1974, fugindo de Angola. Eis uma curta descrição de Hans Krüger, autor de três livros escritos em alemão, na sua língua original, e depois traduzidos para o português por ele mesmo.

São livros cheios de desesperos, sentindo impotência perante a realidade. As pessoas às vezes clamam por reações bem à margem da lei. A personalidade forte do autor não deixa dúvida que boa parte dos relatos tem origem na vida dele.

E Hans Krüger é um conservador até moderado, disposto a repensar as ideologias emperradas para o bem da nação brasileira. Diz preparado de ate abandonar suas posições, desde que o convençam do contrário com provas praticas, não com manifestos.

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