Angola

Ambiente desanuviado nos postos de abastecimento

O pior da crise de desabastecimento de combustíveis que desde sábado assolava o país parece ter passado, depois de, na quinta-feira, o ambiente nos postos de venda ter começado a desanuviar, com filas de automóveis mais curtas e menores ainda de consumidores sem veículo, constatou ontem o Jornal de Angola.

Ambiente desanuviado nos postos de abastecimento
Ambiente desanuviado nos postos de abastecimento

Consumidores, principalmente os especuladores, abandonam a corrida aos postos
Fotografia: Mota Ambrósio| Edições Novembro

A Sonangol, onde a substituição de Carlos Saturnino por Sebastião Gaspar Martins no cargo de presidente do Conselho de Administração ainda parece estar a ser “processada”, não comentou as indagações do Jornal de Angola quanto ao curso da operação para restabelecer a normalidade no fornecimento de combustíveis.
Uma ilustração do padrão das operações seguidas pela Sonangol Logística, encarregue da importação de derivados de petróleo, foi noticiada na terça-feira, quando navios atracados na Base dos Serviços Logísticos Integrados da Sonangol (Sonils) estavam a bombear para instalações de armazenamento e daí para os camiões cisterna que abastecem os pontos.
Informações naqueles dias obtidas na Base da Sonils indicavam que, só entre 00h00 e as 13h00 de terça-feira, 103 camiões cisterna foram abastecidos nas instalações, provendo combustíveis para o público, o que, prolongado, resultou na cobertura da procura.
Ontem, o Jornal de Angola obteve informações que confirmam a existência de provisões de gasolina e gasóleo suficientes para o abastecimento durante um mês, o que corresponde ao procedimento de importação da Sonangol, mas também do surgimento de um ambiente de “nervosismo” entre os transportadores.
Imensas filas de camiões cisterna preenchem a Base da Sonils devido às expectativas dos transportadores, alimentadas tanto pelo ambiente de escassez, quanto pela ânsia de obter ganhos num contexto de recuperação do mercado.
As fontes deste jornal disseram à nossa reportagem que os transportadores estão a fazer carregamentos “à toda a capacidade”, mas consideraram que isso não constitui ameaça de açambarcamento ou de uma nova escassez.
Outra informação digna de nota é que a Refinaria de Luanda, que produz 20 por cento do consumo nacional de combustíveis, não adaptou a produção por incapacidade para reagir, mantendo o fornecimento de um tanque de gasolina e outro de gasóleo por semana.
A chegada contínua de combustível aos postos e o abastecimento mais desafogado fizeram desaparecer os grupos de especuladores que se juntaram à procura, gerando ambientes de certa forma desprovidos de ordem, reduzindo a aparente tensão nos locais de venda.

Normalidade no Namibe

O abastecimento de combustível na província do Namibe estava, até ontem, a ser realizado de forma regular, sem longas filas de automóveis nos postos de abastecimento, ao contrário do que se verificou em várias províncias do país, ao longo desta semana.
O supervisor da Sonangol Logística na Região Sul, Cristo Inácio, garantiu ao Jornal de Angola que as reservas de 28 mil metros cúbicos na central térmica de Moçâmedes têm capacidade para fornecer a cidade durante dois meses sem interrupção, além de que, amanhã, atraca no Porto Comercial do Namibe o navio Avenca, com um volume de gasolina e gasóleo suficientes para abastecer as províncias do Sul.
Cristo Inácio tranquilizou os automobilistas e todos os clientes da Sonangol, já que existe gasolina e gasóleo suficientes para atender a procura. “Temos recebido vários automobilistas oriundos das províncias da Huíla e Cunene para abastecer os seus veículos. Fazemos apenas o que nos compete, que é a recepção e distribuição do combustível para essas duas províncias”, disse. A nível dos municípios, o responsável informou que o abastecimento é feito de forma regular, através de camiões cisterna.
Joaquim Miapia, supervisor do posto de abastecimento denominado “Espinha”, disse que o abastecimento de combustível é feito de forma regular e que não há escassez de combustível. “Estamos a receber muitos clientes das províncias da Huíla e Cunene que, por escassez, estão a vir para o Namibe abastecer. Mesmo assim não temos transtornos no atendimento”, explicou.

JA

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