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Autoridades tradicionais querem mais autonomia para resolver problemas nas aldeias

As autoridades tradicionais na Huíla manifestaram hoje, quinta-feira, no Lubango a sua preocupação em terem maior autonomia na mediação e resolução dos problemas na comunidade, desde casos passionais ao roubo de gado.

Autoridades tradicionais querem mais autonomia para resolver problemas nas aldeias
Autoridades tradicionais querem mais autonomia para resolver problemas nas aldeias

A inquietação foi lançada a margem do II encontro Provincial das Autoridades Tradicionais, a luz da terceira reunião nacional a decorrer ainda este mês em Luanda, que vai abordar sobre a recolha de contribuições para o Pacote legislativo das autoridades tradicionais.

Em declarações à Angop, o soba do Lubango, Daniel de Sousa admitiu que o direito costumeiro é diferente do convencional, mas querem junto do Estado encontrar soluções para adaptá-las, apoiando-se uma na outra, como o caso de feitiçaria e o roubo de gado, pois as pessoas reclamam que os casos vão aos órgãos de justiça, mas os “culpados” nunca são punidos e os lesados não vêem ressarcidos os danos.

Já o “soba grande” do município da Jamba, Pedro Domingos, disse que muitos estão a desvalorizar o poder tradicional, uma vez que os sobas devem resolver as situações de adultério, acusações de feitiçaria e roubo de gado, autoridade esvaziada pela justiça convencional.

“O gatuno é apanhado e metido no jango, perguntamos o que roubou, deve pagar e por fim entregar bebida para saciar a sede dos que estão sentados e o dono recebe o que lhe pertence. Hoje o soba não pode julgar o gatuno e quando chega às autoridades policiais, o soba é encaminhado para a cadeia e o roubo continua”, detalhou.

O “soba grande” dos Gambos, Gabriel Hontyimina sublinhou que não têm autonomia de resolver problemas de roubo, o que de alguma forma compromete a sua actuação na comunidade, pois estão limitados a resolver os problemas de feitiçaria, mas o seu trabalho é tido com respeito na localidade.

Por sua vez o soba do município da Humpata, Alberto Macova, referiu que as mulheres são incitadas a fazer o adultério, o chamado “coi”, que antigamente pagava-se por um boi e um cabrito, número que triplicou e é acompanhado por valores monetários, tornando do factor um negócio para muitas pessoas na comunidade.

O II encontro Provincial das Autoridades Tradicionais abordou igualmente sobre o papel da autoridade tradicional na implementação das Autarquias Locais em 2020.

Do encontro participaram a direcção e membros do gabinete provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos na Huíla e autoridades tradicionais dos 14 municípios da província.

Associação Angolana das Autoridades Tradicionais (ASSAT), na Huíla conta com mil e 552 membros.

Angop
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