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Angola

Bancos podem revitalizar a economia nas aldeias

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O projecto de requalificação e reforma das aldeias de Angola, à semelhança do que está a acontecer na Camela Amões, município do Bailundo, província do Huambo, deve ser mais bem explorado pelos bancos comerciais, disse o presidente do conselho de administração do grupo ASAS.

A iniciativa, disse António Segunda Amões, constitui num valioso segmento do mercado em que os bancos nacionais podem captar recursos financeiros em função das diversas infra-estruturas e serviços a serem geradas quando concluídas.
A convicção foi manifestada pelo empresário aos técnicos do banco Sol que se deslocaram à aldeia Camela Amões para se inteirarem das componentes  estruturais do projecto e avaliar as áreas de possível intervenção pelo banco.
“Há, com estes projectos, como podem ver aqui na Camela Amões, enorme margem para  os bancos nacionais captarem receitas consideráveis, com base nas respectivas carteiras de negócios, em torno dos serviços a serem gerados e a concessão de créditos às famílias que inseridas nas aldeias reformadas e requalificadas”, aclarou.
Os membros da delegação do banco Sol, chefiada por Mónica Aleixo, assessora do conselho de administração, receberam do empresário Segunda Amões e colaboradores directos informações acerca do projecto, que arrancou em 2015 e prevê a construção de duas mil casas sociais numa extensão de 40 mil hectares, até 2025, num investimento acima dos 400 milhões de dólares.
“É nosso propósito replicar, pelas mais de dez mil aldeias de Angola, este novo conceito de viver, trabalhar e produzir nas aldeias, com as mesmas condições que existem nos grandes centros urbanos, sem necessidade de emigrar. É, para além da componente social, um  negócio e dinheiro que não mais acaba”, disse o PCA do grupo ASAS.
O empresário garantiu que a réplica do modelo da aldeia Camela Amões pelo país depende de uma decisão do Executivo, na pessoa do Presidente da República eleito, João Lourenço, por se tratar de uma responsabilidade directa do poder político, em parceria com a classe empresarial nacional, na busca de melhores alternativas para a saída da crise e a melhoria das condições de vida nas comunidades.
“Já manifestámos, nos canais apropriados, a nossa completa disponibilidade para levarmos avante este novo paradigma de aldeias a todo o país. Mas, pela sua natureza política, social, económica e financeira, cabe ao Presidente da República eleito a decisão final sobre a implementação do projecto noutras regiões de Angola”, apontou.
Segunda Amões pediu aos membros da delegação do banco Sol que transmitissem ao conselho de administração a necessidade de este banco, e da banca em geral, olhar com mais acuidade e sentido visionário para as inúmeras vantagens económicas e financeiras que o projecto representa.
“Na prática, havendo anuência do Executivo, um projecto com esta dimensão tem de ter uma instituição financeira de suporte. Não para financiá-lo, mas como um banco operador, que esteja à altura das solicitações de transacções financeiras com a aquisição de meios no mercado local e internacional”, disse Segunda Amões, para acrescentar: “Vai haver depósitos provenientes de receitas das cooperativas agrícolas e pecuárias, outros serviços, como o ecoturismo, e dos habitantes da aldeia, num universo de mais de três mil pessoas.”

Um projecto de futuro

No final da visita de mais de cinco horas à aldeia Camela Amões, Mónica Aleixo reconheceu, depois do que constou e da explanação sobre a abrangência política, social e económica das reformas e da requalificação das aldeias, estar perante um projecto de futuro.
“A força de trabalho está no povo e no campo”, afirmou. “Com este tipo de projectos muita gente vai sair das cidades”, acrescentou. Para a bancária, “era bom que muita gente (empresários) fizesse isto”.
Fizeram parte da comitiva do banco Sol a aldeia Camela, na província do Huambo, Otaniel Epalanga, administrador da Imosol, Trindade Costa, subdirector de Património e Serviços, Alexandre Mandi, coordenador regional, e Abel Minhé, técnico de microcrédito da agência do Bailundo.

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Angola

Provas comprometem o réu Norberto Garcia

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Norberto Garcia, um dos réus angolanos no mediático caso da Mega Burla à Tailandesa, em que o Estado angolano seria burlado em 50 mil milhões de dólares, foi ontem confrontado, em tribunal, com dois documentos que o podem ter comprometido.

Ex-director da Unidade Técnica para o Investimento Privado
Fotografia: DR

No segundo e último dia da sua audição na 1ª Câmara Criminal do Tribunal Supremo, Sérgio Raimundo, advogado do réu José Arsénio Manuel, solicitou aos juízes que exibissem dois documentos em sua posse referentes ao acordo de intenção para as propostas de investimento privado dos supostos empresários tailandeses em Angola. Os referidos documentos têm datas e valores distintos, mas tratam da mesma matéria sobre o caso Burla à Tailandesa. O primeiro assinado entre as autoridades angolanas e os supostos empresários tailandeses foi celebrado a 1 de Dezembro de 2017 e estava contemplado um valor de 50 mil milhões de dólares. O segundo, datado de 30 de Dezembro de 2017, tinha o valor de 50,2 mil milhões.
Questionado sobre qual dos documentos era válido, Norberto Garcia, antigo director-geral da extinta Unidade Técnica para o Investimento Privado (UTIP), respondeu que era o datado de 1 de Dezembro de 2017. Afirmou que o segundo deve ter sido “um lapso”, devido à pressão e os constantes adiamentos que se verificaram para a assinatura dos referidos documentos.
“No momento em que se efectivaram os trabalhos com este grupo (de tailandeses), não só ocorreram vários adiamentos, como também foi um momento de excesso de trabalho, o que poderá ter permitido esta falha”, sustentou.
Ontem, o Tribunal concluiu a audição ao réu Norberto Garcia, acusado dos crimes de burla por defraudação de forma frustrada, associação criminosa, tráfico de influência e auxílio à imigração ilegal. O segundo e último dia do interrogatório a Norberto Garcia ficou marcado por intensos questionamentos dos juízes e advogados.
Em resposta às perguntas do seu advogado, Evaristo Maneco, Norberto Garcia confirmou que solicitou o serviço do Guiché Único da Empresa (GUE), para que, de forma excepcional, prestasse apoio ao grupo de supostos empresários tailandeses, no sentido de constituir uma sociedade comercial. Perante os juízes, o réu esclareceu também que não era a primeira vez que a UTIP fazia este tipo de pedido ao GUE.
Os juízes apresentaram a Norberto Garcia várias provas documentais, tendo o réu confirmado algumas e negado outras. Norberto Garcia disse que, para a admissão de investidores privados, primeiro eram aceites as ideias de possíveis investimentos, acompanhados dos estudos de viabilidade, e só depois se verificava a capacidade financeira do investidor.
Norberto Garcia disse que o tempo de admissão dos projectos dos presumíveis investidores era de 30 dias, em caso das condições estarem reunidas, e de 90 dias em casos em que os investidores não têm condições criadas.
Questionado pelo seu advogado se havia recebido uma mensagem da Unidade de Informação Financeira (UIF) a dar conta sobre a validade do investimento dos tailandeses, Norberto Garcia respondeu que estava triste com a contradição existente entre os dados do processo em posse dos juízes e os que estão com os advogados.
Os documentos em posse dos magistrados dizem que Norberto Garcia recebeu informação da UIF a alertar da falsidade do investimento tailandês. Norberto Garcia confirmou que tinha comunicação permanente com a UIF que lhe garantia que o processo de verificação ainda estava em curso e que ele aguardava apenas pela confirmação.

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