Angola

Camiões-cisterna de água atenuam impacto da seca

O Executivo vai construir, em breve, 11 sistemas de água na localidade do Curoca, comuna do Tômbwa (Namibe), para minimizar a prolongada estiagem que afecta há quase 8 anos mais de 3 mil famílias, anunciou ontem o administrador comunal, Alexandre Nhuca.

Camiões-cisterna de água atenuam impacto da seca
Camiões-cisterna de água atenuam impacto da seca

Combate à estiagem prolongada reforçada com novos meios concedidos pelo Executivo
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

À imprensa depois da visita que o Presidente da República efectuou à comuna do Curoca, o administrador anunciou que, além da construção dos 11 sistemas de água no quadro das acções de emergência, a administração comunal deve recuperar mais três sistemas de água.
Sem entrar em detalhes, o responsável disse que os sistemas devem abranger também a localidade do Iona. Para tal, estão já disponíveis 200 milhões de kwanzas e a mobilização das empresas para o concurso público está feita, para que imediatamente seja minimizado o impacto da seca.
“Este é um programa de emergência e a qualquer momento as empresas que passarem pelo concurso podem aparecer para iniciar com as obras”, referiu, acrescentando que esta é uma solução provisória enquanto a definitiva ainda não surgiu.
Para Alexandre Nhuca, uma solução definitiva para o combate à seca no Curoca e Virei passa pelo aproveitamento do potencial do rio Cunene, que dista a 200 quilómetros da localidade.
O administrador sublinhou que uma solução desta envergadura seria definitiva, porém muito cara. “A administração entende que este problema pode ser resolvido de forma definitiva, aproveitando o rio Cunene. O município do Tômbwa é o único da província que tem um rio permanente, que é o rio Cunene. Mas deste rio nada aproveitamos, infelizmente. É o momento de começarmos a pensar muito seriamente em encontrarmos uma solução definitiva a partir deste rio”, disse Alexandre Nhuca, acrescentando que técnicos dizem que é possível transferir água do rio Cunene para o rio Curoca ou utilizando o rio como fonte para a produção de pasto na região.
Quanto ao gado morto, o responsável disse não ter dados senão os que apontam para a morte de apenas quatro cabeças de gado, podendo ser mais, pois trata-se de uma população que pratica inevitavelmente a transumância. “Há muito gado do Tômbwa que está na Bibala à procura de pasto”, indicou.

Garantias do Presidente

Numa visita a um dos locais afectados pela seca, a comuna do Curoca, município do Tômbwa, o Presidente da República, João Lourenço, garantiu, enquanto Titular do Poder Executivo, que vai envidar esforços para que sejam encontradas soluções imediatas para a situação que afecta as mais de 3 mil famílias que vivem na localidade.
Acompanhado da primeira-dama da República, Ana Dias Lourenço, e de alguns ministros, o Presidente da República caminhou pela comuna e recebeu explicações do administrador Alexandre Nhuca, bem defronte do “Lago Seco do Carvalhão”, o único espaço com alguma vegetação.
“Acreditamos em resultados positivos dessa visita. Recebemos algumas garantias de apoio e orientação de como trabalhar naquilo que ao nosso nível podemos fazer”, disse o administrador municipal do Tômbwa. O Presidente da República deslocou-se ao Curoca para avaliar o impacto da seca prolongada que afecta a localidade.

Problema da seca

O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, que acompanhou o Presidente da República na deslocação ao Namibe, disse ser importante resolver o problema da seca por afectar, em grande medida, não só a população sem acesso a quantidades necessárias, como ser um problema para o gado que precisa de locais para beber. O ministro indicou que Namibe tem projectos de investimento no sector das Águas já realizados, com realce para a Estação de Tratamento de Água (ETA) e a de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), além de recentemente terem sido postos em funcionamento os novos sistemas no Camucuio e na Bibala.
“O grande problema é o Virei, que tem um projecto que precisa de ser retomado”, sublinhou João Baptista Borges, que reconheceu alguns problemas no fornecimento de energia eléctrica no Namibe e Huíla, cuja solução passa pela construção da linha de alta tensão proveniente de Laúca e que passa pelo Huambo.
O ministro afirmou que estão a ser discutidos as formas de financiamento com o Banco Mundial e deixou claro que se trata de um projecto prioritário.

Um oásis verde sem água

Se antes a população conseguia sobreviver com longos períodos sem chuva por causa da Lagoa do Carvalhão, hoje a sorte mudou por completo. A lagoa do Carvalhão, que assegurava alguma sobrevivência à população, evaporou-se, secou e deu lugar a um “pequeno oásis verde sem água no meio de extensa areia fina”. O Carvalhão era tudo o que tinham as famílias pastoris e camponesas.
“É o Carvalhão que sempre fez com que houvesse vida aqui, na localidade. Há oito anos que a lagoa está sem água mesmo depois do desassoreamento que foi feito pelo qual se esperou que tivesse água do rio Curoca, mas não aconteceu”, contou Alexandre Nhuca, reconhecendo o sofrimento da população local.

N’gola Kimbanda evolui para hospital regional

N’gola Kimbanda, visitado ontem pelo Presidente da República, pode tornar-se num hospital regional e escola a curto prazo, anunciou o director da Saúde do Namibe, Franco Mufinda, ao Jornal de Angola.
Para ser regional, o hospital terá de atingir algumas metas, entre as quais a componente financeira, que permitirá a expansão de serviços de especialidade e outros, uma situação que está em estudo.

A unidade hospitalar pode tornar-se num hospital-escola, já em breve. A visita do Presidente João Lourenço marcou a abertura dos serviços do hospital aos pacientes. Depois de efectuar uma visita de quase hora e meia em todos os serviços e salas do hospital, o Presidente abriu as portas à população, que ao longo da visita iam dando entrada para internamento. O hospital N’gola Kimbanda vai desafogar o hospital de Sacomar, que acudiu a demanda ao longo destes dez anos.

A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, disse que o que se pretende é cumprir com as metas traçadas pelo Executivo que visam melhorar o sistema de saúde e cumprir as metas da Organização Mundial da Saúde que preconiza saúde universal para toda a gente, em todo lugar e a toda a hora. “Temos uma unidade hospitalar moderna e com vários serviços especiais. Temos blocos operatórios modernos”, sublinhou a ministra.

Emprego para jovens

A satisfação de alguns dos muitos namibenses pela reabertura do Hospital Provincial N’gola Kimbanda está também no facto de terem conseguido o primeiro emprego naquela imponente unidade sanitária.
É o caso da jovem Silísia Pedro, 28 anos, que lidera a equipa da lavandaria hospitalar. Ela conta que ficou a saber que haviam vagas na referida área através de uma amiga, e não hesitou em concorrer uma vez que estava no desemprego.

JA

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