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Candonga de terrenos no Pólo Industrial de Viana

Há muito dinheiro a circular nos bolsos dos individualidades que dirigem o Pólo Industrial de Viana. Existem histórias interessantes que vamos nos próximos dias denunciar sem apelo nem agravo. Vejamos a seguir o que por ali se passa.

Candonga de terrenos no Pólo Industrial de Viana
Candonga de terrenos no Pólo Industrial de Viana

Depois do anúncio publicado há umas semanas atrás no Jornal de Angola, pela actual gestão do Pólo Industrial de Viana, liderada pelo jovem PCA, Hélder Luís, já não restam dúvidas aos superficiários, da expropriação forçada dos espaços que foram legalmente cedidos por contrato pelo Instituto de Desenvolvimento Industrial de Angola, IDIA, há uns anos atrás.

Utilizando métodos pouco recomendáveis para um gestor público, o pupilo da ministra Bernarda Martins atropela as regras da boa educação e civismo, ao lidar com os superficiários nacionais que convoca nas páginas do Jornal de Angola, antes de proceder à retirada compulsiva dos terrenos.

Chamado a liderar de forma célere o processo de desalojamento forçado das parcelas de terreno, o actual gestor e jurista Hélder Luís, não olha a meios para afastar coercivamente e sem discussão prévia todos os empresários nacionais, que não conseguiram cumprir os processos de liquidação das parcelas de terreno.

Na sua livre e grosseira maneira de agir, o novo gestor faz lembrar os caciques de triste memória colonial, vulgo ximbas, que com o bastão da repressão, excluíam os autóctenes das suas próprias terras, a favor dos colonos que chegavam a Angola por força de uma directiva do regime, que estimulava a ocupação das mesmas, em nome de um pretenso desenvolvimento agro-industrial, visando desencorajar e contrariar a acção independentista e guerrilheira dos nacionalistas angolanos.

As acções e atitudes de Hélder Luís, fazem lembrar este triste período de caciquismo que Angola viveu no período colonial. Colocado recentemente pela titular da pasta da Indústria, através de um dúbio processo de recrutamento, em comissão de serviço, o actual gestor foi nomeado para liderar o plano rápido e cirúrgico de expropriação dos espaços cedidos aos promotores nacionais, que não conseguiram obter financiamento nos programas de iniciativa governamental, como o Angola Investe e outros, totalmente absorvidos pelos ministros e demais figuras do poder político.

O referido gestor na sua dinâmica de expropriação atropela a lei, adoptando critérios ríspidos de diálogo e ameaças. Com um simples comunicado convoca os visados, através de anúncio no Jornal de Angola, dá-lhes um prazo de 15 dias, impossíveis de cumprir na actual conjuntura e esgotado o prazo, acciona a acção de despejo e quebra-se automaticamente a hipótese de diálogo com o lesado. Não quer saber se os promotores têm ou não processos em espera de financiamento na banca.

As suas equipas técnicas são mobilizadas para procederem de imediato à ocupação coerciva do espaço e quebra-se a hipótese de diálogo com a direcção do PIV. Hélder Luís não foi educado para gerir a coisa pública, com regras de ética e transparência.

O seu gabinete composto por uma equipa de administradores recusa-se sistematicamente a dialogar com quem quer que seja. O seu estilo grosseiro e gongórico levou a que fosse escolhido, por um amigo, que, curiosamente, é familiar de alguém importante no Ministério.

Foi lá colocado, para exibir os seus dotes de pequenino grande homem, com musculatura igual à sua rispidez, instalando um clima de choques com os funcionários não alinhados com o seu estilo primário, folclórico e gongórico de actuação.

Aos adversários e amigos adverte que desempenha o cargo por pouco tempo. Está assim revelada a natureza de um cidadão que se vale das alianças sinistras com a direcção do Ministério da Indústria, para cumprir uma missão, que está provado se caracteriza por um oportunismo e abuso de poder com fins corruptos.

Torna-se pois necessária uma rápida intervenção das autoridades policiais para desmantelar a rede de malfeitores, que actua a coberto da lei, para adquirir vantagens materiais, num negócio que tem mão gigante de outros operadores de nível. Basta dizer que boa parte dos superficiários que por ali abundam são ministros e outros fulanos de tais, que não cumpriram cabalmente com as obrigações contratuais, mas estão protegidos pela lei da solidariedade institucional, que entre nós é ponto de honra. Muitos deles não cumpriram com as imposições financeiras do PIV, dada a diversidade dos seus negócios noutros ramos. E nada acontece.

O resto poderá o leitor analisar como andam os cargos neste país, à mercê dos negócios apadrinhados com a conivência e sombra de um certo poder maléfico e oportunismos não declarados das elites governamentais.

É assim no Ministério da Indústria. Sempre foi assim sobretudo no caso da política de redimensionamento empresarial, que permitiu que os nossos distintos ministros e companhia transformassem em propriedade pessoal, as antigas fábricas do tempo colonial, praticamente em grandes armazéns de retém afiançados pela digníssima banca comercial nacional, que cauciona a importação de produtos manufacturados de qualidade duvidosa que circulam pela mão dos nossos zungueiros pelas ruas da capital.

Cabe ao Executivo tomar as medidas que se impõem para acabar de vez com os cambalachos a céu aberto que levam o Pólo Industrial de Viana a tornar-se na maior lixeira industrial do continente, onde as fábricas rejeitadas nos países ocidentais assentam arraiais, agredindo o ambiente e poluindo o rio Cuanza com os dejectos pela calada da noite, que contaminam grosseiramente as águas do maior rio de Angola e explorando grosseiramente a mão de obra nacional, crianças e adolescentes à mistura, provenientes da Matala, que são aquarteladas em contentores e alimentadas com um subsídio diário de 100 kwanzas, acabando muitas delas por morrer e enviadas à socapa na morgue do Maria Pia, à espera que os familiares reclamem os corpos.

Triste a sina a de um povo que um dia viveu os horrores da noite colonial e se libertou do jugo para abraçar a justa causa da independência, que muitos em nome da lei estão agora a defraudar. Somos livres e orgulhosos da nossa independência.

Queremos é justiça contra os crimes como os que gozam da cobertura de uma lei condenável a todos os títulos. A luta continua, pois a vitória é o único caminho que nos liberta dos suplícios da corrupção que grassa em larga escala no nosso rico e belo país.

Que a Justiça exerça o seu papel corrector dos males que nos afectam, investigando a fundo, a acção cambalacheira que se desenvolve no PIV, com a conivência dos titulares de cargos ministeriais metidos em grandes pactos de negócios paralelos, que prejudicam em grande medida o interesse nacional, no que diz respeito à promoção das pequenas e médias empresas, duramente penalizadas pelos esquemas montados no sentido de as prejudicar a inviabilizar o seu papel como agentes económicos de grande utilidade em qualquer modelo económico.

Em Angola sucede que apenas as grandes tituladas pelos grandes senhores do poder absorvem tudo o que é iniciativa que envolva meios financeiros de impacto social. A questão dos pólos industriais é um desses tristes exemplos, onde infelizmente foram canalizadas verbas para infraestruturas, que têm apenas um dia de apresentação mas um valor zero de conclusão. Veja-se no PIV o caso das infraestruturas básicas, onde foram canalizados milhões de dólares e não existem resultados positivos.

Que o IGAE ponha o pé nestas estruturas, onde a corrupção se instalou e prejudica grandemente os interesses do Estado. Há muito dinheiro a circular nos bolsos dos corruptos que dirigem o Pólo Industrial de Viana. Existem histórias interessantes que vamos nos próximos dias denunciar sem apelo nem agravo.

*Sílvio da Conceição
Fonte: Club-k.net

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