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Cidadãos recusam aderir à aquisição de moradias

Mais de 700 casas construídas no âmbito do programa de fomento habitacional, destinadas a jovens e funcionários públicos, em sete dos dez municípios da província do Cuanza-Norte, na sua maioria concluídas em 2014, estão desabitadas por falta de pessoas interessadas a comprá-las.

Cidadãos recusam aderir à aquisição de moradias cuanza sul
Cidadãos recusam aderir à aquisição de moradias

A maior parte das casas foram concluídas em 2014 em sete dos dez municípios da província
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro

As casas, construídas no âmbito do projecto dos 200 fogos habitacionais, com o propósito de mitigar a carência habitacional no seio da população, encontram-se na sua maioria em zonas sem acesso a energia eléctrica e água potável, a par da falta de esquadras policiais, escolas e postos de saúde.
De acordo com o director do Gabinete Provincial das Obras Públicas, Dongala Mpindi, a região conta com 714 casas do tipo T-3, das quais 205 inacabadas, das 2.000 previstas para os dez municípios da província do Cuanza-Norte.
Lucala e Golungo Alto são as municipalidades onde cerca de 70 por cento das residências já possuem arrendatários, que pagam 11.750 kwanzas por mês.
Em Samba Caju, Ambaca e Quiculungo os imóveis estão abandonados e rodeados de capim, desde 2014, facilitando a vandalização e roubo de alguns meios, como tomadas, louça sanitária, portas e janelas, além do surgimento de fissuras.
Em Quiculungo, por exemplo, o Jornal de Angola apurou que a população recusa-se a aderir ao processo de compra das casas, alegando falta de empreendimentos sociais, como escolas, posto de saúde, água, luz, bem como a distância de cinco quilómetros que separa a localidade da sede municipal, agravada pela falta de transportes públicos.
As mesmas dificuldades registam-se na maior parte dos projectos, com excepção do Golungo Alto, onde já está acautelado o consumo de energia e água potável. Os moradores do Lucala contam apenas com o fornecimento de energia. O director do Gabinete de Estudos, Planificação e Estatística do Governo Provincial, Edinildo Teixeira, revelou que a nível da região foram apenas cabimentadas verbas para a construção da primeira fase dos 200 fogos, que contempla 100 casas, no valor de 400 milhões de kwanzas, por cada município.
Edinildo Teixeira disse que em algumas municipalidades já foram pagos os valores globais da empreitada, enquanto em outras foram liquidados apenas 50 por cento dos orçamentos combinados, razão pela qual há algumas casas inacabadas.
A ministra do Ordenamento do Território e Habitação, Ana Paula de Carvalho, durante a recente visita de trabalho ao Cuanza-Norte, orientou o Governo Provincial a responsabilizar os empreiteiros incumpridores, visando a conclusão das casas já pagas pelo Estado.
De acordo com a responsável, as administrações municipais devem encontrar soluções urgentes para a venda das casas.
O governador provincial do Cuanza-Norte, Adriano Mendes de Carvalho, considera inconcebível o abandono das casas construídas no âmbito dos 200 fogos habitacionais, pelo facto de existirem a nível da circunscrição necessidades gritantes.

JA

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