Angola

Cidade do Soyo privada do abastecimento de água

Habitantes da cidade do Soyo, na província do Zaire, estão privados do abastecimento de água potável desde o passado dia 29, devido à greve decretada pelos trabalhadores da empresa privada Consmavu-Lda, gestora da Estação de Tratamento de Água (ETA) do município.

Cidade do Soyo privada do abastecimento de água
Cidade do Soyo privada do abastecimento de água

Trabalhadores da Consmavu-Lda decidiram interromper o fornecimento de água potável
Fotografia: Adolfo Dumbo | Edições Novembro | Soyo

Os grevistas reclamam o pagamento de dez meses de salários em atraso, por parte da empresa Consmavu-Lda, na qualidade de gestora contratada pelo Governo Provincial do sistema de captação, tratamento e abastecimento de água aos habitantes do Soyo.
Os trabalhadores haviam apresentado, no passado dia 12, um caderno reivindicativo à Administração Municipal, no qual solicitavam “a intervenção das autoridades competentes para a solução”, até dia 28 de Abril, do problema salarial.
Consumado o prazo estipulado no caderno reivindicativo, os trabalhadores da Consmavu-Lda decidiram paralisar o fornecimento de água potável à cidade do Soyo, até lhes serem pagos os dez meses de salários em atraso.
O porta-voz dos trabalhadores, Roberto Madalena Alberto, disse ao Jornal de Angola que o colectivo de funcionários, decidiu paralisar os trabalhos, não exige aumento salarial, mas apenas o pagamento dos dez meses em atraso. “Nós só estamos a reclamar os dez meses de salários em atraso, imaginem se tivéssemos que reclamar um aumento salarial, o que não é o caso!… Apenas, queremos que nos sejam pagos os ordenados em atraso, por isso estamos abertos ao diálogo”, sublinhou Roberto Madalena Alberto.
O porta-voz dos trabalhadores da Consmavu-Lda, no Soyo avançou que, segundo a informação que obtiveram do empregador, o Governo Provincial do Zaire não lhes paga há vários meses, facto que impossibilita a empresa de honrar os compromissos assumidos com os trabalhadores.
“O problema salarial já se arrasta há vários anos. Segundo o nosso empregador, o Governo do Zaire não está a pagar os contratos, situação que levou a empresa a não ter capacidade de continuar a garantir os salários. Já em Maio de 2017 tínhamos paralisado os trabalhos e o ex-governador, Joanes André, prometeu que poderia resolver a situação dos atrasados, só que, infelizmente, não resolveu”, explicou Roberto Alberto.
A falta de salários, segundo contou, agudizou a situação social das famílias e muitos trabalhadores são obrigados a assistir, impotentes, à expulsão dos seus filhos das escolas, por incumprimento no pagamento das propinas.
O responsável da empresa Consmavu-Lda, Manuel Ganga, reconhece ter salários por pagar aos funcionários, “mas não se trata de dez meses. Alguns trabalhadores têm por receber quatro e outros cinco meses.”
De acordo com o empresário, a sua empresa não pode continuar a endividar-se para garantir os salários dos funcionários, sem que o governo garanta o cumprimento dos contratos, sob pena de vir a ter problemas com os credores.
“O governo só pagou três meses, daí a dificuldade em pagar salários aos trabalhadores. Nós, enquanto empresa, vínhamos assumindo os salários, através de empréstimos, mas como não há garantias até ao momento por parte das autoridades não temos como continuar a assegurar os ordenados dos trabalhadores da ETA no Soyo. Estamos a aguardar. Tão logo o Governo do Zaire pague, nós vamos cumprir com o nosso papel, enquanto empregador”, frisou.
De salientar que, até ao momento, as autoridades do município ainda não se pronunciaram, estando os habitantes a enfrentar sérios problemas para encontrar água para o consumo.

JA

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