Angola

Combustível em Luanda: Especulação sobre os preços e perdas para transportadores

Combustível em Luanda: Especulação sobre os preços e perdas para transportadores
Combustível em Luanda: Especulação sobre os preços e perdas para transportadores

Victorino Joaquim

Numa das principais consequências da penúria de combustíveis em Luanda, o mercado informal entrou numa espiral especulativa, elevando o preço do litro da gasolina para 500 kwanzas (mais três vezes que o preço oficial), com o bidão de 20 litros a ascender para entre cinco e oito mil kwanzas, contra os 3 200 kwanzas legalmente estabelecidos, apurou o Jornal de Angola.
Na prática desta acção operam jovens que, ao longo do dia, preenchem os postos de abastecimento com vários bidões para atestar e revender. Alguns automobilistas e motociclistas aflitos com a situação não hesitam em optar por esta via para darem continuidade aos seus percursos.
Se para alguns, esta prática serviu de solução, para outros a sorte é madrasta, como é o caso de uma jovem que, confiando nos revendedores ocasionais, decidiu pagar antecipadamente pelo combustível que depois de muito tempo de espera não chegou, como também não voltou a ver dinheiro.
A par desta situação, os mais oportunistas optaram também pelo aluguer de bidões, para os automobilistas, uma forma de obter o recipiente e livrar-se da situação. Pelo de 20 litros, os interessados podem chegar a pagar entre 200 e 500 kwanzas.
No posto de abastecimento do Largo da Independência, junto à escola Nzinga Mbande, vivia-se ontem um ambiente infernal: todos queriam obter combustível a qualquer custo, num ambiente de “salve-se quem puder”.
De forma a distribuir o combustível para a maior parte, a gerência da bomba ordenou apenas o abastecimento de um bidão por consumidor, para além do depósito caso estivesse num veículo. Mas a confusão não parou.
De um lado, a enorme fila de carros começava quase em frente ao Instituto Médio Economia de Luanda (IMEL) e seguia em direcção às maquinas de enchimento, já no interior do posto. Do outro, a longa fila de bidões e motos, todos aguardando pelo sua vez para encher antes do combustível terminar, do que há uma elevada probalidade de acontecer enquanto se espera na fila.
Enquanto alguns automobilistas aguardavam pela sua vez nos seus carros, esperando a lenta fila movimentar-se, outros mais ansiosos e impacientes abandonavam os carros e as motos, misturam-se com os donos de bidões, formando um aglomerado de gente bem junto às máquinas. Aí, todos de pé, pressionavam para que o atendimento fosse mais célere e encher os recipientes, tanto carros quanto bidões. Apesar da presença da Polícia Nacional, a situação tornava-se cada vez mais insuportável, o que seria muito pior se aqueles três agentes não impusessem a ordem.
Entre os automobilistas na fila, encontra-se Maria Teresa, militar das FAA que, com as filhas na viatura, saiu às 10h00 para abastecer, vindo a fazê-lo apenas às 17h00. Na mesma fila está o jovem José Kissanga, residente no bairro Golfe 2, que começou a procura por combustível às 7h00 da manhã, passou por várias bombas ao arredor do seu bairro, tendo conseguido abastecer no posto do Largo de Independência quase às 16h00. A procura levou-o a faltar ao serviço.
Mais ao fim da fila, três Toyotas Hiace estão perfilados à espera de atestarem os depósitos. Entre eles, um dos motoristas reclama da situação, uma vez que já passava das 15h00 e apenas tinha sete mil kwanzas como dinheiro para entregar ao patrão, quando o valor total do dia ronda os 12 ou 15 mil kwanzas.
Enquanto os taxistas procuravam abastecer as viaturas, nas paragens, a fila de passageiros aumentavam com os trabalhadores que terminavam o turnos e os que entravam em renda.
As longas filas nas bombas de combustíveis criavam dificuldade de circulação, principalmente em ruas estreitas, com apenas duas faixas, como era o caso da Avenida Hoji-ya-Henda. O cenário foi o mesmo em quase toda cidade de Luanda.
Nas agencias de viagens, a falta de combustível também criou calvários. Numa do bairro São Paulo, a falta de combustível resultou em que, dos seis autocarros que deveriam partir domingo em viagem, apenas três cumpriram com algum atraso nos trajectos entre Luanda e as cidades do Lubango, Benguela e Malanje.
Os atrasos causaram às empresas prejuízos financeiros por se calcular, diz o funcionário Santos Pedro, acrescentado que os passageiros ficaram aborrecidos, com alguns a acabarem por desistir.

JA

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