Angola

E então o Pai Natal JLo?

E então o Pai Natal JLo?
E então o Pai Natal JLo?

No dia 12 de Fevereiro de 2018, os deputados da UNITA defenderam que as autoridades do país “devem ter cultura de planificar as necessidades reais” e “não depender de pressões sociais ou de orientações do Presidente da República”. Como? Não é crime acreditar no Pai Natal. Também não vem mal ao mundo quando os deputados resolvem mascarar o Galo Negro com um traje de pintainho acabado de nascer…

O posicionamento, correcto mas idílico, foi expresso pela deputada Amélia Judith Ernesto, no final da visita que uma delegação parlamentar da UNITA efectuou à sede do gabinete provincial de Educação de Luanda, quando questionada sobre o anúncio da contratação de novos professores.

“Porque se houver uma outra pressão num determinado sector, o Presidente vem novamente a público, porque orientou isso, o país não pode continuar a andar com base na pressão, porque se houver aí uma pressão de médicos ou engenheiros, o Presidente vem a público e autoriza”, disse a deputada. Melhor fora que estivesse calada ou, no mínimo, evitasse dar mais trunfos ao MPLA.

Seja como for, adiantou, a “iniciativa do Presidente da República, João Lourenço, sobre a contratação de novos professores deve ser seguida com acções concretas de execução e planificadas as reais necessidades do país”. Como se não bastassem as habituais verdades de La Palice que caracterizam os governos do MPLA (sejam os liderados por Eduardo dos Santos ou este comandado por João Lourenço), veio a deputada da UNITA descobrir a roda e dizer-nos que as pessoas antes de morrer estavam… vivas.

A chefe da delegação parlamentar da UNITA, que falava à imprensa no final da visita, manifestou-se também preocupada com as “enormes dificuldades” por que passa o sector da educação no país e, em particular, em Luanda.

“Há, por exemplo, a questão do rácio alunos/salas de aula, sabem que Angola do ponto de vista educativo está na reforma e essa reforma deve estar incluída numa componente de forma completa”, referiu.

Vejamos, novamente, a declaração de deputada: “… Angola do ponto de vista educativo está na reforma e essa reforma deve estar incluída numa componente de forma completa”. O que é que isto quer dizer? Nada. Aliás, Amélia Judith Ernesto certamente reconhece que queria dizer algo mais perceptível, mais entendível. Ou será que teimará, como outros dos seus colegas, a dizer: sim, não, talvez, pelo contrário, não obstante todavia…?

Segundo ainda Amélia Judith Ernesto, a reforma educativa em Angola “está a percorrer de forma insuficiente, como é o caso do excessivo número de alunos na sala de aula”, referindo-se ao rácio aluno/professor, o que afirma contradizer a reforma curricular. É mesmo brilhante a forma como a deputada se expressa. É como ler, à noite, um jornal sem letras à luz de um candeeiro apagado…

Folha 8 com Lusa

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