Angola

Energia atómica pode ajudar a solucionar seca na região sul

O problema da seca que assola, especialmente, a região do Cunene pode ser ultrapassado com a melhoria genética de plantas, com uso de energia atómica, admitiu o director do Centro Nacional de Investigação Científica.

Energia atómica pode ajudar a solucionar seca na região sul
Energia atómica pode ajudar a solucionar seca na região sul

Região sul de Angola está a enfrentar uma seca severa
Fotografia: DR

Ao intervir, quinta-feira, na palestra sobre as “Potencialidades da energia atómica para o melhoramento genético de plantas de interesse económico”, o académico Adérito Cunha disse que está em curso um projecto designado “Obtenção de plantas resistentes à seca”, aos solos da província do Cunene, que será implementado através da indução de mutação por radiação gama.
Explicou que o método por raios gama é amplamente utilizado em diversos países com elevada eficácia para a obtenção de novas variedades de espécies de plantas de interesse estratégico para a agricultura, como no caso da citricultura.
Segundo o docente, o projecto consiste em obter culturas ambientalmente sustentáveis, com raízes mais tolerantes, capazes de extrair, com eficiência, a água do solo.Tendo em conta os impactos negativos da estiagem prolongada na região sul de Angola, Adérito Pais Cunha considera ser um projecto estratégico, gizado em parceria com a Agência Internacional de Energia Atómica, para mitigar a seca e diversificar as fontes de nutrientes, tal como a segurança alimentar daquela região do país e em outras.
O projecto, que é coordenado pelo Instituto de Recursos Hídricos do Ministério da Energia e Águas e pelo Centro Nacional de Investigação Científica, conta com o apoio das instituições ligadas à agronomia e agricultura, com vista à melhoria genética, de modo a que o país tenha sempre plantas e sementes.
Cabe ao Centro Nacional de Investigação Científica a gestão da parte científica ligada à selecção das variedades de plantas e a respectiva multiplicação, sendo o feijão macunde, ervilha, massambala, massango e mandioca as espécies escolhidas de acordo com o território.
Para Adérito Cunha, a técnica carece de procedimentos específicos de elevada perícia e de normas de segurança.
O director-geral do Instituto Nacional de Recursos Híbridos, Manuel Quintino, disse que, para um melhor enquadramento, está prevista uma acção de formação para técnicos no estrangeiro, com vista a obterem conhecimentos sobre a melhoria genética de plantas, especificamente do raio gama.
Também serão construídos laboratórios e aquisição de equipamentos.
O especialista em melhoria genética do Instituto Agronómico de Campinas,no Brasil, Rodrigo Latado, convidado pela Agência Internacional de Energia Atómica, para acompanhar o projecto, considerou fundamental a troca de experiências científicas entre os países na expectativa de obter-se maior interacção.
Rodrigo Latado reconheceu que o uso de energia atómica, em fins pacíficos, pode garantir a segurança alimentar dos países, argumentando que a melhoria das plantas permite maior produção agrícola, alimentos com maior qualidade, maior resistência a pragas, a doenças e ao “stress” abiótico ambiental, no caso à seca, que mais assola algumas zonas de Angola.
Para o especialista, trata-se de um processo bastante complexo, que faz recurso a radiadores e a produtos tóxicos e por isso deve-se ter o cuidado para se evitar a contaminação.

JA

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Ernesto

Escritor e Editor de Noticias no site Angola Nossa.

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