Angola

Exames de ADN do corpo de Savimbi comprovam autenticidade

Os exames de DNA feitos aos restos mortais do fundador da UNITA revelaram ser o corpo de Jonas Savimbi, pelo que será entregue oficialmente à família no dia 28, anunciou ontem, em Luanda, o ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, Pedro Sebastião.

Exames de ADN do corpo de Savimbi comprovam autenticidade
Exames de ADN do corpo de Savimbi comprovam autenticidade

Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República orientou conferência de imprensa
Fotografia: Alberto Pedro |Edições Novembro

Inicialmente, os exames foram feitos no Laboratório da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, posteriormente foi feito o segundo exame de contra-prova no laboratório forense da Faculdade de Medicina da Argentina, seguidamente em Portugal e por último no laboratório da Faculdade de Medicina da África do Sul.
Todos os resultados dos exames entregues ontem à Comissão Multissectorial para exumação, transladação e inumação dos restos mortais de Jonas Savimbi, criada pelo Presidente da República, revelaram pertencer ao corpo de Jonas Savimbi, disse Pedro Sebastião, em conferência de imprensa.
O ministro de Estado esclareceu que os exames foram realizados a pedido da família de Jonas Savimbi, que preferiu, para além dos resultados produzidos pela Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, so-correr-se também de outras instituições.
O Presidente João Lourenço atendeu ao pedido, tendo de imediato ordenado a criação da comissão multissectorial para a exumação, transladação e inumação dos restos mortais de Jonas Savimbi, que acompanhou todo o processo.
A família indicou um outro laboratório, na África do Sul, para outros exames, tendo este país recorrido à Argentina.
Com vista a uma maior transparência, o Governo indicou também um laboratório de Portugal. Depois de todo o tempo de análises, terminou ontem o processo com a entrega dos resultados dos exames. “Todos os laboratórios intervenientes coincidem de que os restos mortais são efectivamente de Jonas Malheiro Savimbi”, disse o ministro de Estado.
Na realização dos exames, por diversos laboratórios intervenientes no processo, participaram o médico legis-ta angolano da Direcção de Medicina Legal do Serviço de Investigação Criminal, Mateus Costa, a coordenadora do Laboratório de Genética da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, Maria Madalena Chimbolo, Cláudia Helena, do Laboratório da Argentina, e Novichandra Layca, do Laboratório da África do Sul.
A acompanhar o processo esteve também o professor universitário e presidente do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses de Portugal, Francisco Manuel de Andrade, e a directora do Serviço de Genética e Ciência Forense de Portugal, Cristina Longo Sampaio.
Pedro Sebastião garantiu que o Estado vai dar apoio lo-gístico a todo o processo.
Presente no acto de entrega dos resultados de DNA, Rafael Savimbi, filho de Jonas Savimbi, manifestou-se satisfeito. “Penso que este processo valeu à pena, porque assegura, reconforta a família, tranquiliza os militantes e povo em geral no sentido de se dar os passos a seguir”, concluiu.

Enterro a 1 de Junho

A UNITA anunciou ontem o enterro do líder fundador, Jonas Savimbi, morto em combate no dia 22 de Fevereiro de 2002, na localidade de Lu-cusse, província do Moxico, a 1 de Junho, na aldeia de Lopitanga, Andulo (Bié).
No dia 28 de Maio, o Governo fará a entrega formal dos restos mortais de Jonas Savimbi à família e à UNITA. No mesmo dia, chegam à cidade do Cuito, com uma paragem na sede do partido. No dia 29, vão à sua residência no Huambo. No dia 30, os restos mortais chegam à sede do município do Andulo. Na localidade Lopitanga, onde vai decorrer o velório principal, está previsto o corpo chegar no dia 31.
De acordo com o presidente da UNITA, Isaías Samakuva, que falava em conferência de imprensa, a família de Savimbi e o partido reconhecem que os restos mortais exumados no cemitério municipal do Luena no dia 31 de Janeiro são do fundador do partido do Galo Negro.
“O seu corpo foi sepultado no cemitério do Luena durante um funeral que suscitou várias especulações ao longo do tempo. Várias histórias foram concebidas, fabricadas, contadas e feitas circular”, disse o presidente da UNITA, apontando que haviam informações de que o caixão não continha nada, o corpo tinha sido vandalizado e que depois de embalsamado estava numa morgue de Luanda.
Para a realização das exéquias, o líder da UNITA afirmou que o partido arrecadou de contribuições de pessoas singulares e colectivas um montante de 80 milhões de kwanzas, longe dos 500 milhões necessários.
A UNITA anunciou a observância, a partir de hoje, de um período de luto de 30 dias.

JA

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