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Executivo pretende reduzir consumo do tabaco para 30 por cento até 2025

 

O Executivo pretende reduzir o consumo do tabaco no país para 30 por cento até 2025, mas, para tal, será necessário o reforço de programa que aborda questões sobre as consequências na saúde provocadas pelo produto, disse ontem, em Luanda, o secretário de Estado para a Área Hospitalar.

Executivo pretende reduzir consumo do tabaco para 30 por cento até 2025
Executivo pretende reduzir consumo do tabaco para 30 por cento até 2025

O fumo do tabaco em Angola é proibido em 100 metros de distância dos lugares públicos
Fotografia: DR

Leonardo Inocêncio, que falava durante uma mesa redonda sobre o Dia Mundial Sem Tabaco, assinalado ontem, sob o lema “O Tabaco e a Saúde Pulmonar”, considerou fundamental que se promova a legislação e que se desincentive a comercialização.
Defendeu que é necessário que haja maior rigor com a tributação, proibição do cultivo destas substâncias, produção de publicidade, promoção e patrocínios.
O secretário de Estado disse que há o compromisso institucional e vontade política do Executivo alinhar-se na estratégia global para acelerar o controlo do tabaco, de modo a atingir a meta que se pretende. Para isso, Leonardo Inocêncio anunciou que o Executivo está a envidar esforços para que a lei 43/09 seja mais divulgada, sendo que a norma proibe fumar em espaços ao ar livre a 100 metros de lugares públicos e privados, especialmente em locais de prestação de serviços a menores.
O governante salientou que o impacto negativo do uso do tabaco e da exposição ao fumo, na saúde e bem-estar das pessoas, evidencia o surgimento de uma série de doenças em que as crónicas pulmonares, como o enfisema e o cancro do pulmão, são as mais recorrentes.
O tabagismo, acrescentou, também agrava a asma e predispõe a doenças infecciosas, como pneumonia e tuberculose, comprometendo, assim, os mecanismos naturais de defesa do pulmão contra os agentes infecciosos.
“O fumo do tabaco em lugares fechados constitui uma forma perigosa de poluição do ar, afectando os fumantes e os que ao fumo estão sujeitos, fundamentalmente as crianças. Das 7.000 substâncias tóxicas, 69 são cancerígenas”, declarou.
Informou que o Executivo está preocupado com o número, cada vez mais elevado, de crianças e jovens consumidores de tabaco, álcool e outras substâncias psicoactivas, que caem no vício de forma inconsciente.

Tabaco mata sete milhões de pessoas

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que todos os anos morrem cerca de sete milhões de pessoas por doenças relacionadas com o consumo do tabaco, dos quais 890 mil não são fumadores, mas estiveram em contacto com o fumo.
A informação foi revelada pela representante da OMS em Angola, Fernanda Alves, que falava no encontro sobre o Dia Mundial Sem Tabaco.
A OMS refere que cerca de 80 por cento das mortes associadas ao consumo de tabaco ou exposição ao fumo poderiam ser evitadas com a eliminação do consumo.
A organização alerta que os fumadores são 22 vezes mais propensos a desenvolver cancro do pulmão, comparativamente aos não fumadores. Só depois de dez anos sem fumar é que o risco de contrair a doença pode ser reduzido.
Fernanda Alves reconhece que a OMS em Angola tem vindo a alcançar resultados significativos na implementação da Convenção Quadro. A responsável felicitou o Executivo pela distinção da directora do Instituto Nacional de Luta Contra as Drogas (INALUD), Ana Graça, pelos esforços desenvolvidos na luta contra a eliminação do tabaco.
Esta importante distinção global da OMS, segundo a responsável, vai contribuir para galvanizar a todas, no sentido de trabalhar para garantir a criação de espaços livres de tabaco em locais públicos, o agravamento das taxas de tabaco, afixação de avisos de saúde nos maços de cigarro e a proibição de toda e qualquer forma de publicidade do tabaco.

70 por cento de doentes no Hospital Sanatório

Mais de 70 por cento dos doentes que dão entrada no Hospital Sanatório de Luanda com problemas respiratórios, sobretudo relacionados com a tuberculose, faziam uso de cigarros, revelou ao Jornal de Angola o médico especialista em medicina interna e chefe de serviço da unidade hospitalar, Afonso Wete. O também docente universitário disse que o cigarro pode causar até 50 doenças diferentes, principalmente aquelas ligadas ao coração e à circulação sanguínea, além de provocar vários tipos de cancro.
“Em cada tragada que se dá ao cigarro, a pessoa inala 4.700 substâncias tóxicas, com destaque para a nicotina, monóxido de carbono e o alcatrão, bastante agressivas”, frisou. O médico, que falava no âmbito do Dia Mundial Sem Tabaco, que hoje se assinala, disse que a nicotina provoca, entre outros males, dependência ao cigarro e chega mais rapidamente ao cérebro, se comparada com a cocaína, o que dá lugar a ataques cardíacos e vasculares.
O monóxido de carbono, prosseguiu, é comparável à sujeira preta produzida pelo escape do carro. Afonso Wete asseverou que esta substância reduz a oxigenação sanguínea no corpo.
O médico deu a conhecer que é por causa da acção do monóxido de carbono que alguns fumadores ficam com dores de cabeça após passarem várias horas sem fumar.
“Nesse período de abstinência, o nível de oxigénio que circula pelo corpo volta ao normal e, com isso, o organismo da pessoa, que não está mais acostumado a isso, reclama por meio das dores de cabeça”, realçou.
Afonso Wete sublinhou que o alcatrão é o grande vilão, tendo em conta os vários produtos cancerígenos que transporta, como o polónio, chumbo e o arsénio.
O médico afirmou que todo o cancro relacionado com o fumo, como os que aparecem na boca, laringe ou estômago, tem alguma ligação com o alcatrão.
O especialista em medicina interna acrescentou que a união das três substâncias, nomeadamente a nicotina, monóxido de carbono e o alcatrão, funcionam como uma composição do cigarro altamente nociva à saúde.
De modo a mostrar, na prática, as consequências resultantes do consumo de cigarros, o médico salientou que o utilizador regular de cigarros pode apanhar cancro em qualquer parte do corpo, com maior possibilidade nos pulmões, 25 ou 30 anos depois, desde a data em que começou a fumar.
“O cigarro tem uma relação muito forte com as doenças pulmonares. Pesquisas mostram que este é o órgão mais afectado pelo cigarro”, aclarou. Sobre o número de pessoas que chegam a morrer no país por causa do cigarro, o médico disse ser difícil determinar, pois o que mata, na verdade, não é o tabaco, mas as doenças relacionadas com o tabaco . “O cigarro, por si só, não mata”, acentuou. O consumo de cigarros, de acordo ainda com o especialista, afecta gravemente o desempenho sexual, quer do homem como da mulher.
Afonso Wete avançou que a nicotina, uma das substâncias encontradas no cigarro, ocupa o espaço onde fica o oxigénio e, com isso, a pessoa fica impossibilitada de permanecer por muito tempo num acto sexual, porque não dispõe da quantidade necessária de oxigénio para suportar o acto. “Se dependesse dos médicos, ninguém fumaria”, concluiu.

JA

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Ernesto

Escritor e Editor de Noticias no site Angola Nossa.

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