Angola

José Eduardo dos Santos: o pai da nação angolana – João Hungulo

De todos os heróis e heroínas que colocaram as suas mãos para a grandeza deste País, no plano da construção de uma Angola livre e desenvolvida, não há algum que tenha feito mais que José Eduardo dos Santos ao longo da história. Oriunda da prole do lendário Ngola Kiluanje, a Rainha Njinga Mbandi deu, nos séculos XVI-XVII, um exemplo de tenacidade na defesa do seu povo. Ekuikui I, Ekuikui II, Katiavala, Numa, Mutuyakevela, Ndunduma, Muashiava, e tantos outros deram importantes contributos na defesa de seus reinos e sobados, porém, esse vulto heróico não elevou – se sobre os feitos de José Eduardo dos Santos, em virtude dessa era, os réis não terem defendido Angola, porque na época, nenhuma nação se terá erguido desde os solos do passado, senão mesmo variados reinos que mais tarde unificados fizeram a província do ultramar – Angola, cuja bravura dos jagas antropófagos e outros combatentes da história soube mantê – los na defesa contra a invasão colonial portuguesa.

Fonte: Club-k.net

José Eduardo dos Santos defendeu uma nação inteira de Cabinda ao Cunene e do mar ao leste, defendeu a sua soberania, defendeu a sua integridade territorial, trouxe a paz efectiva, e, consagrou uma República democrática e de Direito, há sobras de provas que o atribuem de ser o angolano que mais realizou para a pátria – amada – Angola. Por força de três maiores movimentos históricos e nacionalistas (MPLA, UNITA e FNLA) Angola chegou à independência, assim, Neto, Holden e Savimbi desfilaram o palco da história como os “Pais do Nacionalismo angolano”, por serem eles que teriam defendido o País até à esfera da independência nacional em 1975. Pela ironia do destino, esse feito, não se resume em apenas uma única pessoa, se resume em três pessoas que conjugaram os seus esforços para que tal natureza fosse superar os obstáculos encontrados ao longo da caminhada, deixado o País independente, o saldo do desespero expresso pela guerra tomou conta do destino da Pátria, precisou um Messias para mantê – la livre dos festins comemorados pelas vozes das armas. Embora, a independência seja um bem tão precioso, nenhuma dessas três figuras nacionalistas deu mais pela nação angolana que José Eduardo dos Santos, a Guerra Portuguesa durou cerca de 14 anos (1961 – 1975), ao passo que para o alcance da paz efectiva foram necessários 27 anos de Guerra Civil (1975 – 2002). Para a Guerra anti – colonial mereceu o esforço de três movimentos históricos e a Revolução dos Cravos em Portugal, porém, para a luta contra o apartheid apenas um movimento o fez (MPLA). Três indivíduos dividiram o bolo da independência em seus pratos, ao passo que no caso da luta contra a Guerra Fria um indivíduo o fez só, à favor da liberdade de África Austral, evitando que o regime racista do aparteid mantivesse o seu controlo sobre África Austral. De realçar que os feitos de José Eduardo dos Santos transcenderam a história e as fronteiras da nação, cursaram com o fim do regime do apartheid desde a Namíbia à África do Sul, e a libertação de Nelson Mandela, deste último seguiu para Zimbábue a sua liberdade plena. José Eduardo dos Santos é o Pai da paz regional em África Austral, o Pai da Nação Angolana, o Pai da Reconciliação Nacional, o Pioneiro da Reconstrução Nacional.

A pergunta de Sêneca demonstra ser retórica. Em seguida, ele utiliza a ilustração de uma relação familiar entre pai e filho no qual os bons pais ao corrigirem seus filhos em suas faltas não lhes infligem antecipadamente suplícios e muito menos os deserdam imediatamente. Pelo contrário, eles tentam por todos os meios possíveis tentar restaurar os seus filhos reconduzindo-os a uma postura que esteja dentro do que se espera. Os suplícios e deserdar seriam, então, os últimos recursos já que todas as tentativas possíveis já foram esgotadas. Por isso que Sêneca faz uma sequência de como bons pais agem em relação aos seus filhos faltosos e prossegue:

O que deve ser feito pelo pai, deve também sê-lo feito pelo príncipe, a quem demos o nome de “Pai da Pátria”, sem termos sido levados de vã adulação. Pois em muitas outras denominações honoríficas foram-lhe conferidas. Nós o proclamamos Grande, Feliz, Augusto e o cumulamos com tudo o que pudemos atribuir em matéria de títulos a uma ambiciosa majestade. Mas, na verdade, denominamos – lo “Pai da Pátria” para que soubesse que lhe foi conferido o pátrio poder graças a seu grande comedimento em consultar os filhos e colocar seus próprios interesses depois dos deles. Por meio desta analogia, Sêneca atribui o papel do imperador em seu governo sobre o Estado ao de um pai na criação de seus filhos. O mais interessante que o autor se justifica deixando claro que esse título (Pater Patrie – Pai da Pátria) não é um título que visa uma postura de bajulação e sim de deixar clara a resposta da pergunta retórica feita anteriormente.

Pai da Nação, nem sempre é quem a funda, porém, quem dá mais pela Pátria, quem une a Pátria, se a Pátria for fundada de maneira fragmentada e separada, desde logo, quem a fundar não será o Pai da Pátria, o exemplo de Pai da Pátria está nas ciências, como o Pai da Anatomia por exemplo, não foi Acméon o Primeiro anatomista do mundo, que no século V a.C já fazia dissecações em animais, para perceber a constituição estrutural do corpo humano, não foi também Erasistrato e Herófilo que no século II a.C passaram a ser mencionados como os primeiros anatomistas do mundo, por não se saber dos trabalhos de Acméon da Itália, nem mesmo Galeno, que quase tinha fundado uma nova anatomia e no século II se tornara o expoente máximo da anatomia no mundo todo. Todos esses, iniciaram com a anatomia, mas não se fizeram em Pais da anatomia, descobriram a anatomia, mas não se fizeram em Pais da anatomia, Andreas Vesalius, dois milénios depois da descoberta da anatomia, apareceu e tornou – se autor de duas obras de anatomia, nomeadamente a Tabulae Sex, e a De Humani Corporis Fabrica Libri Septem, tornando – se em “Pai da Anatomia” por denunciar os erros que os criadores da anatomia cometeram, o mesmo se passa em Angola “Agostinho Neto” não é o “Pai da Nação” porque a Nação foi fundada sob golpe dos Acordos de Alvor, quem de facto, fundou uma nação sem golpe e com consentimento das partes foi “José Eduardo dos Santos” em 1992, neste contexto, “Agostinho Neto” é apenas o “Fundador da Nação angolana”, e “José Eduardo dos Santos é o “Pai da Nação angolana”.

Como o bom pai, líder e o primeiro em seu lar tem o dever de conduzir os seus filhos, assim Nero como o imperador e primeiro da nação, tem o dever semelhante de cuidar e conduzir o seu povo. Ehrhart afirma: Sendo considerado como “Pai da pátria”, o primeiro dos cidadãos, o príncipe deve olhar e zelar por todos os homens. Em diversos momentos de suas reflexões. Sêneca compara a figura do bom soberano à figura do bom pai na medida em que ambos devem pensar primeiro no interesse de seu semelhante e de seus próximos. Coelho e Pereira também contribuem com esta observação importante:

As acções paternas tipificavam um modelo para a conduta de Nero. Mesmo tendo autoridade de vida e de morte sobre seus súbditos, o príncipe deveria agir com o mesmo discernimento dos bons pais no acto de julgar. A titulação de Pater Patrie (Pai da Pátria) conferida a Nero, em 55, forneceu a legitimidade dessa analogia. Afinal, o “Pai da Pátria”, a exemplo dos demais pais romanos, deveria revestir-se daquela austeridade, própria da paternidade, desvinculada de qualquer sentimento que não fosse convergente com a aplicação de uma pena com intenção educativa.

“Pai da Pátria” é um título simbólico, cuja origem do mesmo está no vocábulo pater patrie da Antiga Roma, cujo nome está vinculado no simbolismo de individualidades determinantes na formação da Unidade Nacional de um País, na Reconciliação Nacional de um País e na Independência Nacional de um País. Assume assim papel de modelo de heroísmo, sendo digno de respeito e veneração dos pósteros. A função paterna, independente de tempo e lugar, nunca deixou de existir. Implicando dizer que o Pai não é o primeiro que aparece na nação, mas é o que vem para dar sentido à nação através de seus actos, aquele que luta para manter livre a pátria e independente, aquele que luta para manter a pátria unida e reconciliada, ou então, por fim, aquele que funda a Pátria. Todavia, o “Pai da Pátria”, não é sempre o primeiro da pátria, como se sabe precisar na pessoa de Nelson Mandela, que depois de ganhar a liberdade, lembrou que o seu objectivo então era libertar tanto os negros oprimidos, quanto os brancos opressores. Um caminho longo e cheio de obstáculos. Apesar da suspensão do estado de emergência e da luta armada, as negociações entre as duas partes para uma constituição provisória e a data das eleições se arrastaram. Mandela tinha pela frente o desafio de convencer os militantes do CNA a não adoptar represálias. E de dobrar a resistência de parte da minoria branca, África do Sul já havia sido fundada, mas uma fundação separatista que mantinha o País em revelia, como o fizeram em Angola, em que os Acordos de Alvor minaram o clima de Unidade Nacional, tendo – se fundado uma Pátria desunida entre balas e canhões, então, o Pai será aquele que vem para mantê – la unida, luta contra todas as forças de separatismo que se movem sobre o corpo da nação angolana, não por ser o Primeiro, porque este o foi o “Poeta maior” Dr.º Agostinho Neto, mas por mantê – la unida, e realizar uma Pátria Democrática e livre da guerra, por fazer face à todas as formas de divisão da Pátria.

Ao dissociar a função paterna da figura do pai biológico e apontar como função paterna aquela que possibilita o encontro com a alterabilidade, alguém através do qual um acto social se efectua ou aquela que introduz o infans na cultura e o configura simbolicamente, fala-se de uma mudança da circulação pulsional; ou seja, muda-se a verticalidade do movimento e pontua a horizontalidade. As narrações conceituais de Pai vão desde a Grécia à Mesopotâmia, desta última à África, daqui vão ao ocidente. Porém, as narrações de Pai no que tange o aspecto bíblico é diversificado, tal quanto o apóstolo Paulo, e, em variados lugares da bíblia está plasmado o aspecto paterno. Para Paulo e em outros lugares no Cristianismo primitivo a menção do Pai não é apenas uma declaração dogmática de fé. É uma declaração de adoração suprema. É reservada principalmente para bênção, louvor e oração. O sonoro “Pai do nosso Senhor Jesus Cristo”, que corresponde melhor à proclamação de Paulo, é também uma oração. Mas qual é o conteúdo dessa ligação de divindade com o conceito de pai?

Quando trazemos uma revisão científica sobre o termo “Pai da Pátria”, queremos dimensionar a pessoa do ex – Presidente José Eduardo dos Santos à esfera de um Pai, porém, para que se possa perceber esse fenómeno há que relevar alguns conceitos em torno do nome Pai. O pai compreende um ente humano que tem a faculdade de gerar filhos, ou seja pai é aquele que gera filhos, fruto de uma relação com a sua parceira, ou seja, é o biológico que torna – se determinante. Porém, pode – se observar através de variadas culturas e populações, que sustentar a paternidade, a partir do aspecto biológico, é algo para além do insustentável. Ou seja o conceito de pai assume uma dimensão social e não apenas biológica.

Malinowski, ao falar dos Trobriandes, no que se refere à concepção, afirma que o verdadeiro pai da criança era o tio materno. Ernest Jones, psicanalista, e o antropólogo G. Roheim, tanto os Trobriandeses quanto as tribos australianas afirmam “[…] que estas encontram uma forma brilhante de bloquear o Édipo e transferir para o tio materno os sentimentos naturalmente ambivalentes dos filhos para com os pais e vice-versa”. Entre os Gurmantchês (Alto Volta – África) a relação pai-filho é marcada pela frieza; a educação da criança compete ao tio paterno e a este é endereçada toda a afeição. Já entre os Txicaos, Mato Grosso, o sémen paterno constitui o único componente do embrião. Entendem eles que, para preservar a criança, são necessárias várias cópulas durante a gravidez; assim, o pai-genitor e co-genitores contribuem para que não falte esperma. A mãe nada mais é do que um continente para a criança. Já entre os Mojaves, pai é aquele quem mais contribui com o esperma. Neste sentido, se há dúvida em definir quem é o pai, o faz-se pelo maior tempo que o homem coabitou com a mulher nos primeiros meses de gravidez. Assim, o verdadeiro pai para os Monjaves (África) não é o que tem fecundado a mulher, mas “[…] aquele com quem é socialmente reconhecido por todos, é aquele com quem efectivamente seu filho se parece, seu pai nutriz (in utero)”. Os Samos, do Alto Volta – África –, entendem que a concepção é proveniente da “água do sexo da mãe” (isto é, um coágulo de sangue que irá formar o corpo, esqueleto e órgãos da criança) e a ”água do sexo do homem” (esperma que se transforma em sangue dentro da mulher e forma o sangue da criança). Essa teoria dual fala de uma divisão entre dois sexos não de forma equitativa. É o pai quem vai perceber que houve a fecundação e é ele quem vai sentir a fadiga masculina da concepção, acompanhada de sonolência, dores nos joelhos e cotovelos. Trata-se de um verdadeiro resguardo, aliás, muito precoce. Nota-se uma aspiração muito forte da semente do masculino. Na América do Sul, entre os índios Tupis, embora sejam as mulheres que levam no ventre as crianças e dão à luz, são os homens que têm um papel importante; são eles que estão submetidos aos tabus alimentares e outros comportamentos bem rígidos. Entende-se entre os Tupis que o esperma do pai é que alimenta a criança durante a gravidez.

Thonson realizou um estudo em 1936, onde terá elucidado uma distinção entre paternidade biológica e paternidade social, o autor terá exclamado o seguinte:

[…] há uma distinção entre paternidade biológica e paternidade social, bem como a existência de uma série de vocábulos para nomear diversos papéis e diferentes paternidades: entre os pais sociais fazem notoriamente uma distinção entre irmãos do pai biológico, com uma subdistinção entre os irmãos mais jovens e os irmãos mais velhos, que são os pais no sentido de classificação do termo […].

Quando nos referimos que José Eduardo dos Santos é o “Pai da Pátria”, estamos à aludir um sentido social, um sentido formal do País, uma vez que José Eduardo dos Santos foi quem fundou a República Democrática de maneira formal, ainda assim, foi quem uniu o País com o seu papel de reconciliador. Se para Thonson “pai” é considerado aquele que alimenta seus filhos, José Eduardo dos Santos alimentou a nação com a paz, com a democracia, tendo – a libertada de todas as formas de catástrofes à espreita. Andou com a nação nos momentos mais cruciais e obscuros da história, é fundamental que seja ele o “Pai da Pátria Democrática Angolana” como se pode observar entre os gregos, o pai aparece como provedor e cuidador. Dada a condição patriarcal da organização social, o pai é investido de um poder pessoal, a exemplo de Zeus, com poder de punição.

Mas o assunto de “Pai da Pátria” de José Eduardo dos Santos não se remete à um Pai biológico da nação, nem à um deus da nação, se remete à um ser humano que fundou a segunda República num acto formal, embora Dr.º Agostinho Neto já havia fundado a República popular de Angola, esta permaneceu imatura atacada por guerras de imensidão altíssima à luz de um acto de violação dos Acordos de Alvor, que merecia que Jonas Savimbi proclamava também a sua, como o deixou fazer Holden Roberto. Outubro de 1974 produziu uma situação confusa em torno do processo de descolonização do País. Surgiam manobras golpistas de brancos que contavam com apoio de vários países ocidentais aliados de Portugal, e mais intensamente da Rodésia, e África do Sul, à par de tentativas separatistas de Cabinda. Ao contrário da UNITA que terá ajudado aos portugueses, a 14 de Julho de 1974, na região do rio Lungé – Bungo, o MPLA e a FNLA só aceitariam fazê – lo depois da publicação da Lei n.º 7/74. Não obstante o efémero acordo do Quénia, os três movimentos partiram para Portugal para formalizar um acordo para a independência e transferência do poder à Angola. Nesta perspectiva, entre 10 e 15 de Janeiro de 1975, encontravam – se no Hotel da Penina, na célebre cimeira de Alvor. Foi abordado todos os trâmites do acordo que poderia restaurar uma Angola independente, cujo período iria de Janeiro à Novembro, ao longo de tal período, a governação seria exercida por representantes do MPLA, da UNITA, FNLA e do Governo Português. Seja como for, a verdade é que aqueles acordos foram uma farsa, nem mesmo os EUA, a URSS, o Governo Português acreditavam em tais acordos, todos estavam ansiosos em matá – lo ainda no período de gravidez, antes mesmo do parto ter ocorrido.

Todavia, mesmo que a suspensão dos acordos de Alvor que fora realizada mais tarde, não trouxe nenhuma reconciliação no que faziam mansão à data de independência Nacional em Angola, que era abordada entre os maiores actores da história da independência nacional em Angola [Neto, Savimbi e Holden Roberto], Portugal, usou aquela data para fundamentar a data da retirada de suas tropas de Angola. Todavia, o desentendimento pelos maiores actores da história da independência nacional [Neto, Savimbi e Holden] caiu – lhes no corpo com a força de um morro que é derrubado por chuvas caudalosas, não se reconheceram,os três movimentos [MPLA, UNITA e FNLA] lançaram – se ao desentendimento, dissociou – se os acordos de Alvor plasmados numa transição pacífica entre os três responsáveis pela independência nacional de Angola [MPLA, UNITA e FNLA], nisto resultou um descalabro nacional, o Governo de Transição, dissolveu – se, embora, na realidade estava longe de existir, dado pelo abandono dos ministros da UNITA e da FNLA, ficavam na renitência os ministros indicados pelo regime português e pelo MPLA. Portugal apalpava no escuro, e à lume de palha, uma ampla negociação diplomática com as nações da Europa do leste, países africanos, Europa Ocidental, Brasil e Austrália, para se colocar em prática as medidas adoptadas pelas Nações Unidas e pela OUA.

Para além dos prolongados períodos de guerra, outras particularidades marcam a história política de Angola. Sua luta pela independência contou com a participação de vários movimentos de libertação, que lutavam contras as tropas portuguesas, mas também entre eles. Os de maior longevidade, recrutamento e capacidade de combate foram o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

A corrida pelo poder ansiava os movimentos nacionalistas completamente militarizados, cuja propaganda era odiosa, plasmada no poder e mais nada, de tanto egoísmo, deixaram – se levar nas lutas das armas, transformando Angola num barril de pólvora prestes à explodir, na verdade, não houve fundação de nenhuma República formal, era a lei do mais forte que poderia impor e mandar os mais fracos, a guerra tornou – se numa dialéctica de então. De tanto egoísmo, os irmãos tornaram – se inimigos certos. Egoísmo, à luz de bons dicionários, compreende o amor excessivo ao bem próprio, sem consideração aos interesses alheios. Exclusividade que faz o indivíduo voltar para dentro de si, num egocentrismo sem medida. Orgulho e presunção. Algumas espécies do género animal são egoístas por instinto. O homem, no entanto, é egoísta por presunção e patologia interior. Doença instalada nas entranhas da faculdade da alma humana. Esses três movimentos, após o 25 de Abril de 1974, negociam o cessar-fogo com os militares portugueses e a formação de um governo de transição que dura pouco tempo. No correr do primeiro semestre de 1975, o conflito armado envolvendo as três principais forças políticas angolanas toma a capital, Luanda. A data da independência, 11 de Novembro de 1975, agendada anteriormente, é respeitada pelos militares portugueses, que oficialmente transferem a soberania do território ao povo do novo país. Angola, como país livre e independente, nasce em guerra, fundou – se assim uma República num solo desentendido entre as partes envolvidas, onde tal acto, era evidenciado numa conjuntura unilateral. Assim, se de um lado se proclamava uma República Popular em Luanda, no Huambo, um desfile militar acontecia como gesto de significar uma independência colonial para uma escravidão das armas, no Soyo, o gesto separatista não ficou sentado, foram evidenciadas naturezas diversas de comemorações, neste barulho violento de quem é mais forte, fez – se fundada uma República. É assim que atribuímos a República oficial aquela que veio depois da primeira, sem violações, nem desentendimentos de acordos, como é a que aconteceu em 1992 com José Eduardo dos Santos no comando da letra.

Já o papel de José Eduardo dos Santos na “Fundação de uma República Democrática” foi formal, na vontade universal dos actores da história, não forçou essa fundação, fez – la como dever de causa, na vontade dos interesses nacionais legítimos, de uma República cuja natureza não violava nenhum acordo de ambas as partes, numa época em que se criou o GURN, e ambas as partes envolvidas no conflito, testemunharam a “Fundação da Nova República” que seria a primeira República Democrática, que unia todos os angolanos, de Cabinda ao Cunene e do mar ao Leste, com todo os partidos: MPLA, UNITA e FNLA, etc, etc. etc… era uma República reconciliada, unida, de todos, não egoísta, nem separatista, ao passo que a primeira foi forjada à luz de um desentendimento fugaz, que não dava mérito à um “Pai da Nação” em virtude deste acto merecer a participação dos três actores da história [Neto, Savimbi e Holden], então se não operou uma fundação com os três actores da história, não se pode reservar esse papel de “Pai da Nação” à ninguém neste cenário, se fosse, seriam os três a fazê – lo, como não aconteceu, esse fenómeno está longe de ser considerado formal, o que terá acontecido é um egoísmo dos três movimentos, que bateram – se na vontade ansiosa do poder, e a República ficara órfã de pai. Logo, José Eduardo dos Santos é o verdadeiro “Pai da Pátria Angolana”, não apenas por vergar o seu sacrifício sobre a “Fundação da República Democrática”, porém, por ser ele um elemento vital para a subsistência da República unida ao longo da história.

A história dá conta da existência de individualidades com tal papel de “Pai da Pátria” desde a Roma antiga, cujo título [Pater Patriae] era outorgado pelo senado romano, e o primeiro que o recebeu foi o orador Marco Túlio Cícero. Em Hobbes, o conceito vergou o seu sentido epistemológico, passando à designar a figura do Rei que está inerente a qualidade de “Pai da pátria: “[…] pois o Rei, que é o “Pai da Pátria”, conta-vos de suas necessidades. Não: é a pátria mesma (Patria ipsa) que vos fala por meio dele.” Esta visão filosófica pode ser interpretada como sendo o rei — pai da pátria, sua voz reflecte a da própria nação, como o que lhe une, lhe alimenta, está com ela nos momentos mais sombrios da história, o que não a abandona, sempre está ao seu lado, sejam quais forem as circunstâncias impostas na pátria. Em Portugal, a figura de D. Afonso Henriques assume o papel de formador inicial da nação lusitana, sendo portanto chamado de “Fundador de Portugal”. No Brasil, José Bonifácio ainda em vida assistiu se consolidarem epítetos como Pai da Pátria (junto ao Imperador D. Pedro I ou Patriarca da Independência, como numa carta que lhe fora dirigida pelo General Labatut, em 1822. Pai da Nação é o título oficial dado a “Mahatma Gandhi”, na Índia e a Sun Yat Sem em Taiwan. Na África do Sul é Nelson Mandela o “Pai da Pátria”. Em Cuba o papel de “Pai da Pátria” cai em Carlos Manuel de Céspedes. Nos Estados Unidos é George Washington, em Peru, a denominação “Padres de la patria” faz referência aos primeiros congressistas da República, além do General San Martin. Em Angola a função de “Pai da Pátria Democrática”, cai em José Eduardo dos Santos, em virtude da independência merecer o esforço de três personalidades como Dr.º Agostinho Neto, Jonas Savimbi e Holden Roberto, porém, a primeira República veio com o golpe bárbaro das armas, sem uma declaração formal da República, em virtude dos Acordos de Alvores terem sido penalizados, logo, uma República formal foi a que José Eduardo dos Santos fundou em 1992 à quando dos Acordos de Bicesse, além, de ter fundado a República Democrática José Eduardo dos Santos uniu a Nação angolana, desenvolveu um vasto programa de “Reconciliação Nacional”, ergueu uma Nova Angola com o projecto “Vamos fazer de Angola um canteiro de obras”, dando luz à um vasto programa de “Reconstrução Nacional”, na “Nova Angola” José Eduardo dos Santos é o verdadeiro “Pai da Nação”, que começou com uma Angola democrática, unida e reconciliada de todas as formas de divisão regional, étnica, racial e tribal.

Sêneca utiliza a ilustração de uma relação familiar – pai e filhos – para esclarecer a relação entre o príncipe e o seu povo, entre o soberano e o Estado que se encontra sob sua autoridade. Séneca inicia:

Logo, qual é seu dever? O mesmo dos bons pais, que costumam censurar os filhos algumas vezes carinhosamente, outras vezes com ameaças e, e às vezes, chegam até a admoesta-los a chicotadas. Acaso algum pai, são de espírito, deserda o filho à primeira ofensa? A não ser que grandes e repetidos erros esgotem sua paciência: a não ser que aquilo que teme seja maior do que o que condena, não chega a pegar da pena para escrever a sentença irrevogável. Tenta, antes, muitos outros recursos pelos quais possa reconduzir uma índole indecisa e já inclinada pela pior postura. No mesmo momento em que se perdem as esperanças, experimentam-se os últimos recursos. Ninguém chega a infligir suplícios, a não ser que tenha esgotado todos os expedientes.

Muito se terão perguntado porque José Eduardo é o Pai da Pátria e não Dr. Neto? A verdade é a conformidade entre o intelecto e a realidade, como já abordamos à priori, o “Pai da Pátria” ou “Pai da Nação” nem sempre é quem a funda, porém, quem mais faz por ela, quem une a pátria, quem deixa para esta feitos de dimensão global que beneficiem a Pátria. Ora, vejamos, o Dr.º fundou uma “Nação” completamente desunida, a independência de Angola foi realizada de maneira agressiva, com os três movimentos exaltados na tentativa de dividirem o País em três partes, será pois parafraseando Dr Neto que damos contas deste clima contraditório que ditou o passado de Angola “[…] para chegarmos à uma independência, dentro do esquema de Alvor, […] no entanto, os últimos acontecimentos em Luanda, no norte, no nordeste, e no sul, tornam – nos cada vez mais apreensivos, estamos apreensivos porque… a FNLA, com o seu desejo de tomar o poder pela força, já ocupou uma parte do território de Angola… os detritos do Zaire e do Uíge estão hoje, sob o controlo exclusivo da FNLA, visto que nem as forças portuguesas, nem a UNITA, nem o MPLA, têm qualquer influência visível sobre aquela área, foi pretensão também da FNLA tomar Luanda à força, o que foi impedido pela acção popular, pela acção dos habitantes de Luanda, do povo […]”.
A ser verdade, enquanto proclamava a independência as meia noite de 11 de Novembro de 1975, Jonas Savimbia também na fazia marcha militar em gesto de proclamação da independência no Huambo, no Soyo, Holden Roberto não terá poupado esforços, proclamou a sua independência unilateral, a “Pátria” ficara dividida entre três movimentos nacionalistas, não houve ninguém que se terá consagrado “Pai da Pátria” até que se moveram em gesto de contradição plasmada na música entoada pela pólvora, enterraram – se os sonhos de um País em paz e unificado. Depois de muitos anos de guerra, José Eduardo dos Santos manteve o País unido, trouxe um projecto de reconciliação nacional, a pergunta quem é o pai de facto da “Pátria Angolana”? tem uma resposta clara, aquele que manteve a “Pátria unida”, livre e democrática. No decurso da guerra, houve tentativas da divisão do “País” entre a UNITA e o MPLA, porém, a luta de José Eduardo dos Santos como líder supremo do MPLA, foi a de manter o País unido, da luta contra o tribalismo, o regionalismo, o racismo, o separatismo, a divisão regional e tribal, a segregação social, desde logo, José Eduardo dos Santos, é o Pai de facto da Nação Angolana. A pergunta porque não fo fundador como Pai? Já esclarecemos de antemão de que fundar uma Nação, não significa ser Pai desta, se funda – se uma nação dividida, não se pode ser Pai desta nação, a nação não se define na repartição do seu território, onde o Estado – Nação passa a ser a capital, porém, na integridade territorial, como disse Marcos, o apóstolo de Jesus Cristo “Se um reino estiver dividido contra si mesmo, não poderá subsistir”. Na era em que o Dr.º Neto fundou a nação, a Nação estava dividida, não era una, expressava a grandeza étnica como alma da Pátria, não a grandeza da angolanidade, José Eduardo dos Santos elevou a grandeza da angolanidade e sepultou os princípios tribais ou étnicos de que muitos defendia a origem da nação, uma nação separada por segregação étnica, degrada – se, não pode haver Pai edificado num clima separatista ao nível da Nação, a nação é una, indivisível, inseparável, íntegra, e foi neste clima que José Eduardo dos Santos terá erguido a nação em 1992.

Há exemplos de variadas nações de que os seus Pais não foram os seus fundadores, União Sul – Africana criada a 31 de maio de 1910 no território da actual África do Sul, com o estatuto de Domínio do Império Britânico, na sequência da derrota das repúblicas boers pelos britânicos, em 5 de Outubro de 1960, na sequência da crítica internacional ao apartheid, os sul-africanos brancos votaram num referendo a separação completa da África do Sul com a coroa britânica e com a Commonwealth, 31 de maio de 1961, foi declarada a República da África do Sul e constituída a Nação Sul – africana. Pela ironia do destino, essa República era separada, desde logo, a verdadeira Nação unificada surge com Nelson Mandela, após 27 anos na prisão e apenas cinco no poder, passando a ser denominado de “Pai da Nação Democrática.” Nelson Mandela, não é o “Pai da Nação” sul-africana por ter fundado a Nação, porque esta foi fundada em 1961, em 1994 Nelson Mandela era lhe dado o título de Pai da Nação sul – africana, não por ele ter a fundada, porém, pelos seus esforços em prol da unidade do País, da implementação da democracia na África do Sul e pelo fim do regime racista da África do Sul, sendo o Primeiro Presidente à ser eleito democraticamente, passou desde logo ao título de “Pai da Nação”. O mesmo acontece ao Presidente José Eduardo dos Santos, esse título não suscita em virtude de ter fundado a nação porque esta foi fundada em 1975, porém, numa esfera de divisão entre os três movimentos nacionalistas, o conceito da nação nesta esfera ficou degradado, pois diz Ernest Gellner, o nacionalismo é, essencialmente, um princípio político que defende que a unidade nacional e a unidade política devem corresponder uma à outra, entendendo ser uma teoria da legitimidade política que exige que as fronteiras étnicas não atravessem as fronteiras políticas e que as fronteiras étnicas dentro de um mesmo Estado não separem os detentores do poder do resto da população, logo, uma República que se proclama em divisão, não foi consumada, a República não se compadece em divisão, a real República foi a que proclamou – se em 1992 com a implementação dos Acordos de Bicesse, uma República Unida, anti – étnica, anti – tribal, anti – regional, uma República para todos os angolanos, foi a que José Eduardo dos Santos fundou.

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