Angola

Padre Jacinto Wacussanga apresenta proposta ao PR sobre seca no sul de Angola

Por ocasião da visita do Presidente da República às duas das províncias mais afectadas pela estiagem e fome, e pressionado pelos amigos, teria muitas reflexões, mas resumo o seguinte:

Fonte: Club-k.net

Padre Jacinto Wacussanga apresenta proposta ao PR sobre seca no sul de Angola
Padre Jacinto Wacussanga apresenta proposta ao PR sobre seca no sul de Angola

1. Foi bom finalmente o PR ter tomado a decisão de por os pés no terreno. A maior parte das informações que as autoridades locais enviam para os superiores hierárquicos é enviesada e cheia de contradições e muitas vezes censurada.

2. Como disse ontem o Sérgio Calundungo na curta entrevista à TV Zimbro, deve haver definição de prioridades, desde medidas a curto prazo, às de médio e longo prazo;

3. A prioridade número um por mim, seria da parte do PR e do Conselho de Ministros a aprovação de uma Cesta Básica Alimentar, que incluí a provisão da água potável;

4. A seguir a médio e longo prazos seriam as obras de aprovisionamento de água para incentivar a agricultura familiar para atacar a fome;

5. Uma tarefa não menos urgente é a de redimensionar a grande mancha pastoril. Houve uma significativa invasão da parte de fazendeiros dentro das zonas dos pastores. Nesse momento em que milhares de cabeças de gado se dirigem para as áreas de transumância, se não se redimensionar o espaço pastoril, tal será fonte de grandes conflitos.

6.;Da parte da sociedade civil, um plano de advocacia urge para que a a alimentação em Angola seja encarada realmente como direito humano. A nossa Constituição é inócua e tem de ser conformada aos pactos internacionais, sobretudo ao Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais e a outras ferramentas subsequentes. É preciso evitar o Carnaval dos que querem doar alimentos sob focagem de câmeras e luzes da ribalta, fazendo imagem sobre as desgraças da maioria mas sem resolveram o problema;

7. É necessário que a sociedade civil faça fiscalização rigorosa dos grandes projectos, pois do que sabemos, onde há muito dinheiro e sem acompanhamento, há grandes riscos de desvios;

8. Na definição de prioridades, tenha-se o máximo de atenção no envolvimento das pessoas e seus saberes. Temos um grande”cemitério” de iniciativas do topo feitas só para agradar os chefes e que fracassaram. E não nos esqueçamos que uma das marcas do poder central é a arrogância e sobranceria;

9. Finalmente, não poderá haver soluções sólidas a longo prazo sem o Poder Local, ou seja, o Autárquico;
Vamos discutir caros amigos e compatriotas!

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