Angola

Quando a chuva secou o gado morreu

Não chove há três anos. Na Ombala yo Mungu, município de Ombadja, a 100 quilómetros de Ondjiva, capital da província do Cunene, ainda não se morre à fome, mas daqui a seis meses, mais coisa, menos coisa, a realidade será mesmo dramática. João Lourenço visita amanhã a comuna. É inédito.

Quando a chuva secou o gado morreu
Quando a chuva secou o gado morreu

No terreno vai encontrar bois com a costeleta marcada em três linhas, sinal de pouco capim e quase nenhuma água, a serem desmanchados no chão. Há que aproveitar o que já não tem conserto para secar em tiras, ao sol, e depois alimentar famílias inteiras com um pacote de massa embalado em Luanda e comprado na cantina à beira da poeira.
Não há gente a morrer à fome, mas há pessoas que não sabem bem o que vão comer daqui a uma horita ou duas. Escolas também não há – já lá vamos – e hospitais muito menos. A solução pode estar à beira de uma caminhada de quatro horas a pé ou duas horas de motorizada. Até à Namíbia.
No curral da senhora Vitória Linusa, habitante da Ombala yo Mungu, morrem dois a três animais por dia. Ao lado e de outros homens e mulheres que falam em língua local – português não sabem e também ninguém lhes ensinou – está um boi desmanchado numa poça de sangue e fezes, facas espalhadas no chão, uma orelha para ali e uma bola de carne fresca pendurada no ramo da árvore.

Ja

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