Angola

Reformista, reformador ou… reformado?

Tal como Folha 8 tem escrito (o que levou os cegos acólitos do Poder a catalogar-nos de marimbondos) o resultado das políticas de diversificação económica, supostamente sustentadas pela vai reformista do Presidente João Lourenço, mais não são do que um vasto caderno de boas intenções.

“Desde que João Lourenço assumiu a presidência, o Governo tem feito esforços significativos para reformar a economia”, escreveram muitos analistas após a leitura desse manancial de boas intenções. Agora, quando analisam o país real e os resultados, começam a falar de ilusão de óptica, de miragens, de muita parra e pouca uva.

Assim, continuamos todos (e agora o F8 já tem bastante companhia) à espera dos resultados dessas reformas e das anunciadas como grandiosas promessas de atacar a corrupção e melhorar a governação.

É verdade que p Governo fez um bom diagnóstico sobre a enfermidade do doente, faltando apenas saber (e já passou tempo mais do que suficiente) se a terapia algum dia terá resultados práticos. É claro que, como nos ensinou ao longo de 38 anos o anterior Presidente, José Eduardo dos Santos, há sempre a possibilidade de o doente não morrer da doença mas sim da cura. Sendo ainda certo que os governantes, seja qual for o resultado, nunca estarão… doentes.

Supostamente o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI), através do Programa de Financiamento Ampliado (PFA) seria bastante para dar espaço de manobra ao Governo e aumentar a credibilidade do país relativamente a outros credores internacionais, que deveriam oferecer termos mais favoráveis para novos financiamentos ou reestruturação dos actuais.

De facto, o FMI receitou antibióticos potentes e de largo espectro que, por isso, cobrirão a grande maioria das doenças. Só é pena que a maioria deles deva ser tomada após aquilo que a 20 milhões de angolanos não têm – refeições.

Assim sendo, as iniciativas que o Governo (muitas impostas pelo FMI) deveriam ajudar Angola a diversificar a sua economia para fugir à dependência do petróleo a médio prazo. Até agora continuamos a dizer… deveriam.

Ao que parece (veja-se o caso da anulação da compra de aviões para a TAAG) o FMI esqueceu-se de enviar as instruções de uso e manuseamento, o que levou os génios do MPLA a continuar a fazer o que têm feito ao longo dos últimos 43 anos: plantar as couves com a raiz para cima…

Em matéria de previsões, o Governo apontou para o preço do petróleo nos 68 dólares por barril e um crescimento do Produto Interno Bruto de 2,8%, que se segue a uma recessão que já vem de 2015, fazendo (supostamente) de 2019 o primeiro ano de crescimento positivo desde a queda dos preços do petróleo, no Verão de 2014.

A despesa total sobe 17% face ao ano passado e pela primeira vez (a confirmar-se no terreno) a despesa alocada à saúde e educação ultrapassa o valor destinado à defesa, segurança e policiamento, mas o serviço da dívida continua a ser o maior item de despesa, constituindo 48% do total, o que equivale a uma redução face ao peso de 52% do orçamento do ano passado.

Com um cenário em que as contas do Governo estão a sair furadas e continua a ser feita uma a navegação à vista, João Lourenço continua a apostar nas desculpas (muitas delas esfarrapadas) e no valioso contributo (que ele próprio inventou) dos tais marimbondos, traidores e “esvaziadores” de cofres.

Apesar de os anúncios de reformas serem positivos, tal com o (suposto) empenho em combater a corrupção, continua por se ver quão séria, verdadeira e sólida é a agenda de reformas. João Lourenço prometeu ser um corredor de fundo. Todos, ou quase, acreditaram. No entanto, até agora só se consegue ver que o Presidente está no fundo do corredor.

Por outras palavras a ementa do Governo tem produtos variados, pratos de alta qualidade, cozinheiros mundialmente afamados. No entanto, na cozinha só existe um prato para servir aos angolanos: peixe podre, fuba podre. Quem refilar… porrada neles.

As iniciativas vão provavelmente ajudar Angola a diversificar a sua economia, aumentando a produção interna, incluindo a manufactura e a agricultura, e reduzir a dependência do país das importações? Todos queremos acreditar que vão ajudar. Mas o que se está a verificar é que a comida só chega ao esfomeado quando a família deste celebra a missa de sétimo dia do falecimento.

Folha 8 com Lusa

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