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Restos mortais de Savimbi repousam em Lopitanga

O presidente da UNITA, Isaías Samakuva, considerou ontem, na aldeia da Lopitanga, no Andulo, que o fundador do partido, Jonas Malheiro Savimbi, “continua vivo porque morreu pela pátria”.

Restos mortais de Savimbi já se encontram depositados na sua terra natal
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

O líder do maior partido da oposição, que fazia o elogio fúnebre no acto de inumação dos restos mortais, disse que “Jonas Savimbi não está morto porque morrer pela pátria é viver para sempre”.
Samakuva afirmou que Jonas Savimbi foi um soldado e político que lutou pela justa causa do povo, pois derrubou o totalitarismo em Angola, o expansionismo russo-cubano no continente e abriu o país à democracia e ao multipartidarismo.
“Lutaste contra a cultura do medo e da insubordinação dos povos, contra o desprezo das línguas nacionais e a corrupção, nepotismo e impunidade”, disse o líder da UNITA, perante a urna contendo os restos mortais de Jonas Savimbi.
Perante centenas de pessoas que encheram o perímetro onde repousam os restos mortais de Savimbi, Isaías Samakuva reafirmou o compromisso da actual direcção de preservar os princípios que nortearam a fundação do partido.
“Dr. Savimbi, viemos aqui para te dizer que a tua e nossa UNITA continua de pé e firme. Hoje, e mais do que nunca, a UNITA é uma frente unida que luta pela pátria e pelo resgate de um novo contrato social”, referiu Samakuva, acrescentando que o seu partido é um património nacional, comprometido com a independência total, desenvolvimento e identidade de Angola.

Condecoração

Durante o acto fúnebre, o presidente da UNITA condecorou, a título póstumo, o fundador do partido, pela sua entrega à pátria.
A condecoração consistiu na entrega da Medalha de Ouro do Galo Negro, a mais alta distinção do partido. A medalha foi recebida pelo filho mais velho de Savimbi, Durão Cheya Sakaita Savimbi.
Na mensagem dos filhos, Durão Savimbi voltou a agradecer o Presidente da República pela “sensibilidade humana, espírito reconciliador e coragem política” que facilitaram a entrega dos restos mortais de Jonas Savimbi, que se encontravam depositados numa unidade militar do Andulo.
Os agradecimentos foram extensivos ao presidente da UNITA por tudo o que fez para que a inumação dos restos mortais de Jonas Savimbi fosse na Lopitanga, onde estão sepultados os seus ancestrais.
Acto contínuo, Durão e Helena Sakaita Savimbi, outra filha de Jonas Savimbi, realçaram as qualidades do fundador da UNITA enquanto pai e chefe de família.
“Eras um pai dedicado e rigoroso na transmissão de valores e carácter. As más notas davam lugar à chamada de atenção e as boas notas presentes encorajadores”, lembrou Durão Savimbi.
“Apesar das muitas ocupações, arranjavas sempre um tempo para a família e companheiros (…). Foste um pai amigo e colocavas sempre o homem no centro das tuas atenções”, recordou, por sua vez, Helena Sakaita Savimbi, num português com sotaque afrancesado. Nascido no Munhango, Bié, a 3 de Agosto de 1934, Jonas Malheiro Savimbi morreu em combate no dia 22 de Fevereiro de 2002, na localidade do Lucusse, província do Moxico. Deixa mulheres e 30 filhos.

Elogios de políticos

Os políticos presentes na cerimónia de inumação das ossadas de Jonas Savimbi reconheceram-no como “um herói e uma figura transversal” na história de Angola.
O vice-presidente da CASA-CE, Manuel Fernandes, afirmou que a figura do líder da UNITA é transversal para todos os estratos da sociedade.
O general na reserva Camalata Numa garantiu a continuidade dos desafios traçados pelo líder fundador da UNITA. Afirmou que “ninguém chegou a conhecer bem Jonas Savimbi”. “Nem nós, na UNITA, não fizemos, até aqui, grandes esforços para a sua exaltação”, disse.
O general na reserva considerou o líder fundador da UNITA um pan-africanista talhado para a construção do Estado pós-colonial. “Os Estados africanos que herdamos depois da Independência são Estados colonialistas”, disse.
Samuel Chiwale, veterano general e antigo companheiro de luta do líder fundador da UNITA, disse que Savimbi foi “um grande líder e um homem que lutou por Angola e pelos angolanos”. Chiwale realçou a homenagem que o povo angolano prestou ao antigo líder do partido do “Galo Negro”, considerando-a merecida. “Valeu a luta e, por causa da luta, Jonas Savimbi vai descansar eternamente em paz na terra que lhe viu crescer”, afirmou.
Daniel Rey, um veterano oficial do antigo exército sul-africano convidado para a cerimónia, afirmou que Jonas Savimbi foi um grande líder e uma grande figura de Angola.

Cobertura inédita

Vários órgãos de comunicação social nacionais e estrangeiros movimentaram a pacata localidade de Lopitanga para a cobertura das exéquias fúnebres do líder fundador da UNITA.
Nem o percurso de 32 quilómetros para chegar à zona rural da sede municipal do Andulo inibiu a presença de várias individualidades.
Na aldeia onde decorreu o funeral, foram montadas tendas para acomodar a imprensa. Os serviços de Internet foram assegurados por uma empresa contratada. Entre os órgãos de comunicação estavam rádios, jornais e agências noticiosas.

JA

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