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A crueldade do general Zé Maria e João Maria de Sousa que nos levou a prisão – Osvaldo Caholo

Hoje, 20 de Junho do ano corrente , assinala-se mais um(1) ano desde que os jovens foram presos na livraria Kiazele. Um processo que ficou conhecido como os 15 + 2.

A crueldade do general Zé Maria e João Maria de Sousa que nos levou a prisão - Osvaldo Caholo
A crueldade do general Zé Maria e João Maria de Sousa que nos levou a prisão – Osvaldo Caholo

Estávamos no dia 19 de Junho do longínquo ano de 2015, tocava-me mais um serviço de guarda e guarnição na Unidade. Como sempre, disposto ao cumprimento de um dever, cheguei ao quartel e fui para a formatura. Minutos depois recebi a guarda e começou o trabalho. Estava focado nas minhas actividades e tudo corria na maior normalidade. Passamos a noite sem sobressaltos e chegamos ao dia 20 prontos para o devido descanso. Ficamos por baixo da árvore, aguardando a formatura para efectuar-se a rendição, o pessoal começava a chegar para a formatura. O Capitão Santana tinha o cabelo fora dos limites estabelecidos para um tropa, precisava baixar. Então prontifiquei-me a cortar o cabelo do homem, antecedido do Major Pena que havia solicitado um dia antes. Cortei o cabelo do Major e de seguida estava a cortar o Cabelo do Capitão quando este informou-me que viu uma dispensa passada em meu nome para a participação nos jogos militares na modalidade de basquetebol. Prontos, pensei comigo mesmo, boa oportunidade para descansar e manter a forma atlética, solucionar algumas questões acadêmicas. Fiquei entusiasmado com a informação, procurava o homem do Pessoal e Quadros(Recursos Humanos).

Realizou-se a formatura e fomos rendidos, troquei-me e fui a busca da dispensa. Para o meu espanto a mesma já tinha chegado faz tempo. Para mim era normal, uma vez que quando tratava-se da minha pessoa a primeira intenção sempre foi dificultar a coisa. Mas, mesmo assim houve vários rodeios para a devida entrega. Naquele preciso momento ligou-me o homem da selecção de basquetebol do Comitê Desportivo Militar da Força Aérea a perguntar o que se passava para que não estivesse presente nos treinos, visto que a dispensa já estava na Unidade faz tempo. Falou-me que estava a informar sobre uma possível desobediência a ordem do Comandante da Força Aérea. ” Então recebes a convocatória, resultado de um despacho do Comandante da FAN para as vossas Unidades dispensar-vos para representar o Ramo nos jogos militares e ficas em casa? Isto é desobediência, vamos fazer um processo” disse o responsável da modalidade do Basquetebol, por acaso muito meu amigo. Era frequente dizer para ” tu pensas que es craque e que tudo deve girar ao teu pé, dessa vez vamos jogar com os que treinam ” . Mas, naquele dia parecia muito sério, aquelas palavras dele ao telefone estavam muito rígidas, era pela primeira vez que falava em processo e que entraria no gabinete para a elaboração. Deu para ver que desta vez estava por detrás algo muito bem fiscalizado, estava a ser pressionado também.

Ouvi atentamente o que dizia, de seguida deu-me espaço para falar e apresentei-lhe as minhas razões que não tinha conhecimento da dispensa e que acabava de tomar conhecimento da mesma momentos antes de acusar a recepção da sua ligação. Falou em falta de seriedade dos responsáveis da Direcção da minha Unidade e pediu-me que aguardasse um pouco, iria efectuar uma ligação para a sua Excelência Comandante do Ramo a ver esta situação. De seguida ligou de volta a pedir que fosse ao treino ali nos multiusos na avenida 21 de Janeiro, mas que depois a preparação seguia no CODEM(CAMPO DO PRIMEIRO D’AGOSTO).

De imediato o Comandante Alves Neto Brito, de feliz memória, chamou-me e pediu que fosse pegar a dispensa e rumar ao Comitê Desportivo. Falou-me que já tinha tomado contacto com a mesma faz tempo, colocou o tc-Tomei conhecimento e enviou ao Chefe do Estado Maior da Unidade, Coronel Paxi. O referido Coronel era o nosso carrasco. Um homem invejoso, ganancioso, de mal feitio, cuja única missão era dificultar ao máximo, dizia nas costas do Comandante que ele não manda… , colocava determinada coisa na cabeça do Comandante que não era verdade, com intuito de infernizar a vida das tropas… . Até quem estivesse a estudar sentia-se mal, quantas vezes veio e disse-me tu não és o único inteligente aqui , eu também estudo… .

Continuando, fui para lá pegar a dispensa e segui em direcção ao local onde estava marcado o treino e fiquei lá observando os jogadores e treinadores traçando as estratégias de jogo, eu estava impossibilitado de treinar por falta de sapatilhas, aliás recebi a informação muito tarde e estava a sair do quartel-acaba de dormir nos mosquitos. O treino terminou e rumei para casa. O descanso era necessário, visto que tinha treinos intensivos e individuais no dia seguinte as 08 horas, uma vez que os jogos já estavam a porta e demorei a juntar-me ao pessoal.

A tardinha tomei conta da prisão dos Companheiros na livraria Kiazele…

To be continued.

No próximo texto vou desenvolver os planos do General Zé Maria que culminou com a minha detenção, a tentativa de assassinato no final da Centralidade do Sequele…, nesta altura João Lourenço era Ministro da Defesa.

Fonte: Club-k.net

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