Cultura

Antigos companheiros relembram Chico Montenegro

Luanda - Antigos companheiros no agrupamento Jovens do Prenda lamentaram, neste domingo, em Luanda, a morte de Chico Montenegro, ocorrido na manhã de sábado, no Hospital Militar, em Luanda, vítima de doença.

Em declarações à imprensa à margem da edição do mês de Outubro do programa Muzongué da Tradição, o músico Dom Caetano, companheiro nos Jovens do Prenda, manifestou à sua consternação pela morte do artista.

Pupilo de Chico Montenegro no princípio da sua carreira nos Jovens do Prenda, considerou que a cultura nacional fica enfraquecida com está perda, tendo em conta o papel e o peso que tinha no panorama da música popular angolana.

Para Augusto Chacaya, o desaparecimento físico de Chico Montenegro representa um duro golpe na história do agrupamento, visto que era o último membro fundador vivo.

Adiantou que à sua morte entristece  todos quantos conviveram com Chico Montenegro.

Augusto Chacaya afirmou que as obras de Chico Montenegro serão sempre relembradas, manifestando, igualmente, a predisposição de continuar o trabalho nos Jovens do Prenda.

“É uma morte prematura para nós, mas estamos aqui para enaltecer tudo o que ele fez na música angolana e os ensinamentos dele nunca serão esquecidos”, acrescentou.

Referiu que o seu legado permitira que se possa fazer, a breve trecho, uma brochura sobre está figura emblemática da música angolana para que o seu legado seja transmitido as gerações vindouras.

Por sua vez Bessa Teixeira considerou-o como um ícone da música popular angolana e da África Austral.

O compositor, percussionista e intérprete, que padecia de câncer, havia sido submetido, nos últimos dias, a uma intervenção cirúrgica, mas não resistiu.

Chico Montenegro, uma das vozes mais representativas do “bolero angolano”, foi um  dos fundadores dos Jovens do Prenda, em que se destacaram também José Keno, Verry Inácio, Sansão, José Gama, Tony do Fumo, Kangongo e Didy da Mãe Preta.

Com a marca dos seus célebres “boleros”, distinguiu-se como cantor, compositor e percussionista de mérito reconhecido.

As canções de Chico Montenegro marcaram a história do conjunto Jovens do Prenda e o passado da música popular angolana, sobretudo nas décadas de 70 e 80.

Os temas, muitas vezes trágicos das suas canções, e o seu estilo em compasso lento e arrastado, fizeram do artista um verdadeiro ícone daquela agremiação musical, que sobrevive, há mais de meio século, cantando semba, merengue e bolero.

Filho de Miguel António e de Maria Lourenço Madeira, Francisco Miguel António, Chico Montenegro nasceu em Luanda, bairro Prenda, no dia 2 de Outubro de 1952.

Fez parte, além dos Jovens do Prenda, do conjunto FAPLA-Povo, em Janeiro de 1976, formação militar da Direcção Política Nacional das FAPLA, do Ministério da Defesa.

O agrupamento agregou instrumentistas de vários grupos musicais, como Hildebrando Cunha, do África Ritmos, Babulo, do “Luanda ritmos”, Dulce Trindade, Nandinho “Nanutu”, Mateus Gaspar, Habana Maior, Massy, Correia, Mauro do Nascimento e0 Zeca Pilhas Secas.

Repertório

O seu reportório é constituído por temas como “Lamento de um filho”, “Teté”, “Jiendaya Luanda”, “Longa Marcha”, “Monami”, “Bolero Jovem”, “Isabel” e “Ngolo, banza”.

Em 2008, colocou no mercado o disco “Memórias”, da colecção “Poeira no Quintal”, da Rádio Nacional de Angola, que reúne parte substancial da sua obra musical.

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Bernardo Seculo

Escritor e Editor de Noticias no site Angola Nossa.

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