Cultura

Autor de “Morena de Angola” ganha o maior prémio literário da lusofonia

O músico e escritor Francisco Buarque de Hollanda é o vencedor da edição deste ano do prémio literário mais importante do universo da língua portuguesa. Contudo, “não foi o músico” que foi premiado, foi “o homem da literatura”, segundo as palavras de Manuel Frias, que presidiu à reunião do júri que esta terça-feira decidiu galardoar Chico Buarque com o Prémio Camões.

Autor de "Morena de Angola" ganha o maior prémio literário da lusofonia
Autor de “Morena de Angola” ganha o maior prémio literário da lusofonia

Chico Buarque tem já uma longa história como romancista e dramaturgo. Foi já, inclusive, distinguido mais do que uma vez com o prémio Jabuti, o mais importante prémio literário no Brasil. E em 2017, venceu em França o prémio Roger Caillois pelo conjunto da obra literária.

Escreveu o primeiro conto aos 18 anos, que o pai, o historiador e jornalista Sérgio Buarque de Hollanda, enviou ao editor literário da Folha de S. Paulo. Estreou-se como romancista com “Estorvo”, publicado em 1991. Seguiram-se “Benjamim”, “Budapeste”, “Leite Derramado” e “O Irmão Alemão”, o mais recente, publicado em 2014.

Também no teatro a obra de Chico Buarque tem relevância: “Roda Viva”, de 1967, foi a primeira peça, a que se seguiu, em 1973, “Calabar – O Elogio da Traição”. Ambas as peças foram proibidas pela censura, acabando por transformar-se em símbolos de resistência à ditadura militar brasileira.

Chico Buarque distingue-se, igualmente, fora dos palcos. Alinhado politicamente à esquerda, combateu, com canções que ficaram para a história, a ditadura militar brasileira (1964-1985), nunca escondeu a sua afinidade com o Partido dos Trabalhadores (PT) e o seu apoio a Lula da Silva, e, mais recentemente, tem sido um dos mais incisivos críticos de Jair Bolsonaro, que venceu as eleições no Brasil em Outubro de 2018.

O músico e escritor foi escolhido pelos jurados Clara Rowland e Manuel Frias Martins, indicados pelo Ministério português da Cultura, pelos brasileiros Antonio Cícero Correia Lima e António Carlos Hohlfeldt, pela professora angolana Ana Paula Tavares e pelo professor moçambicano Nataniel Ngomane.

O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa foi instituído por Portugal e pelo Brasil em 1988, com o objectivo de distinguir um autor “cuja obra contribua para a projecção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum”.

Foi atribuído pela primeira vez, em 1989, ao escritor Miguel Torga. Em 2018 o prémio distinguiu o escritor cabo-verdiano Germano Almeida, autor de “A ilha fantástica”, “Os dois irmãos” e “O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo”, entre outras obras.

Fonte:NJ/EG

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