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Gilberto considerado um dos melhores estrangeiros no Egipto

Quem chega ao Cairo e diz que é de Angola, ouve a palavra mágica: Guilberto. É mesmo assim. O talentoso futebolista projectado pelo Petro de Luanda, amadurecido nas selecções de Sub-17 e Sub-20, sob a batuta de Oliveira Gonçalves, é uma marca entre os adeptos do futebol, na capital egípcia.

Gilberto considerado um dos melhores estrangeiros no Egipto
Gilberto considerado um dos melhores estrangeiros no Egipto

Antigo esquerdinho é considerado um dos melhores estrangeiros pela liga do Egipto
Fotografia: Edições Novembro

Considerado um dos melhores estrangeiros que passou pela Liga da terra dos faraós, Felisberto Amaral, Gilberto na intimidade da bola, é um autêntico embaixador angolano para os seguidores do Al Ahly, colosso africano, e até de clubes adversários, como Ismailia e Zamalek.

À chegada ao palco da 32ª edição da Taça de África das Nações (CAN), aberta sexta-feira, jornalistas angolanos de vários órgãos foram confrontados com a popularidade do antigo futebolista, cuja carreira terminou ao serviço do Benfica de Luanda, depois de um susto que comoveu o país. A estrela de Gilberto cintila no Egipto, ao ponto de servir de referência identitária de Angola.
A viagem ao passado glorioso, do agora dirigente desportivo do FC Bravos do Maquis, começa no momento de passar a fronteira, logo após o desembarque. O funcionário dos serviços de migração confere o passaporte, confirma o visto e, ao devolver o documento de viagem, para mandar seguir, exclama, num inglês com sinais marcantes da língua árabe: Angola, Guilberto!
Fica assim confirmado que o “Fera”, conforme era tratado pelos colegas nos Palancas Negras, é um embaixador feito no futebol. A chegada ao Cairo em 2001, numa transferência motivada pela épica campanha dos petrolíferos, às ordens do brasileiro Djalma Cavalcanti, na Liga dos Clubes Campeões, da qual se sublinha a vitória em plena capital egípcia, sobre o Al Ahly, por 4-2, deixou uma marca de amor.
Mas Gilberto não está sozinho. As boas memórias da presença de Angola no Egipto remetem-nos também para o nome de Flávio Amado, outra estrela da bola, mais familiarizado com o golo, que na nomenclatura da diplomacia pode ser tratado por cônsul. Foram vários os lances protagonizados por ambos, que acabaram em explosão de alegria dos adeptos nas bancadas.
A dupla Gilberto e Flávio actuava quase de olhos vendados. Por pura telepatia. O médio sabia como calibrar o passe e o avançado quantos passos dar, para atacar a bola em situação de vantagem. Assim foi construído o legado de Angola no futebol egípcio, alimentado numa primeira fase por Avelino Lopes e, presentemente, zelado por Geraldo, craque transferido do 1º de Agosto, no início da última época.

Ausência da estrela 

Muitos adeptos perguntam aos jornalistas a razão da ausência de Gilberto na delegação angolana, curiosidade que os homens da imprensa, embaraçados, procuram fintar de forma diplomática.
Experimentado no mundo da moda, Youssef Montasser, jovem alfaiate que disputa a clientela numa concorrida rua de lojas do Cairo, maioritariamente apetrechadas com roupas de um segmento executivo, confessou a sua tristeza por não ver o canhoto de regresso ao Egipto.
“Quando vi nas notícias, em Abril, que Angola tinha garantido o apuramento, fiquei feliz. Pensei logo na presença do Gilberto. Talvez no vosso país não saibam disso, ele aqui é muito querido. Foi um grande jogador. Dos melhores que vieram jogar aqui. Era um grande profissional. O que ouvimos hoje falar do Salah, era o que dizíamos do Gilberto. Foi pena não ter ido ao Mundial de 2006, por causa daquela lesão”, lembrou o estilista apaixonado pelo futebol, para quem o antigo atleta tem a grandeza e a nobreza de um faraó.

JA

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