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Presidente Ramaphosa reafirma compromisso com África

O novo Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, reafirmou ontem, no seu discurso de tomada de posse, em Pretória, trabalhar com todos os Estados do continente para concretizar a visão da União Africana de criar uma zona de livre comércio que se estenda da Cidade do Cabo ao Cairo, no Egipto.

Presidente Ramaphosa reafirma compromisso com África
Presidente Ramaphosa reafirma compromisso com África

Presidente João Lourenço esteve ontem em Pretória no acto de investidura de Cyril Ramaphosa
Fotografia: Francisco Bernardo| Edições Novembro

No discurso para dentro, Ramaphosa reafirmou as promessas eleitorais de combate à corrupção e de construir um país mais igual. “Nos últimos tempos, o nosso povo viu como alguns daqueles em quem depositaram confiança se renderam à tentação do poder e da riqueza. Viram algumas das instituições da nossa democracia ser desgastadas e os recursos desperdiçados”, referiu.

O quarto Presidente da África do Sul, saído de eleições democráticas e multirraciais, reafirmou o compromisso comum com uma África em paz, próspera e que prometa uma vida melhor ao seu povo.

No dia em que o continente assinalou 56 anos de fundação da Organização de Unidade Africana, predecessora da actual União Africana, Cyril Ramaphosa foi investido no cargo de Presidente da República sul-africana, depois de ser confirmado pelo Parlamento na sequência da vitória do ANC, partido libertador da luta contra o apartheid, na África do Sul.
Na cerimónia, que decorreu no estádio de râguebi Loftus Versfeld, em Pretória, Cyril Ramaphosa agradeceu a honra pela presença de vários estadistas da região, entre os quais o Presidente João Lourenço, que se fez acompanhar da Primeira-Dama, Ana Dias Lourenço.
Cyril Ramaphosa é o quarto Presidente da República da África do Sul saído de eleições democráticas e multirraciais. O primeiro foi Nelson Mandela (pôs-apartheid) e depois Thabo Mbeki e Jacob Zuma.
Ramaphosa assinalou o facto de a sua investidura ter acontecido no dia em que os africanos celebram a unidade do continente. “É um dia de amizade, solidariedade e cooperação. Estamos profundamente gratos àqueles que escolheram celebrar o Dia da África entre nós, dando mais pujança à transformação da África do Sul de um estado pária para um membro pleno e valorizado da família das nações africanas”, disse.
O Chefe de Estado sul-africano agradeceu os representantes de Governos, entre os quais de Angola, que se juntaram ontem à festa da democracia naquele país. “Estamos eternamente gratos a todas as nações representadas aqui pelos sacrifícios e incansáveis contribuições do seu povo e governos para a libertação da nossa terra”, referiu o Presidente sul-africano.
O Presidente da maior economia do continente reafirmou a determinação dos sul-africanos em trabalhar com “irmãs e irmãos” em todo o continente para realizar a visão da União Africana sobre a Agenda 2063.
Cyril Ramaphosa agradeceu a confiança dos sul-africanos pela escolha e disse estar consciente dos desafios que o país enfrenta. “Sinto-me vivo pelo facto de que o nosso povo está cheio de esperança por um amanhã melhor”, disse no seu primeiro discurso à Nação.
O estadista reafirmou a necessidade de construir a África que todos os africanos querem. “Forjar uma área de livre comércio que se estenda da Cidade do Cabo (África do Sul) ao Cairo (Egipto), trazendo crescimento e oportunidade a todos os países africanos” é uma aposta do Governo.

Percurso histórico
O Chefe de Estado sul-africano lembrou que se passaram 25 anos desde a “gloriosa manhã” em que Nelson Mandela foi empossado como Presidente de uma África do Sul democrática.
“Ao longo destes anos, a nossa terra conheceu duas estações: de abundância e os tempos de escassez. O povo sentiu o caloroso abraço da liberdade. Encontraram abrigo e sustento, oportunidade e propósito. À medida que os grilhões da opressão caíram, sentiram que os seus horizontes se ampliaram e as suas vidas melhoraram de inúmeras maneiras”, disse.
Do mau momento vivido pelo povo sul-africano, Cyril Ramaphosa reconheceu que houve incertezas sobre o futuro. O povo, segundo o antigo combatente da liberdade pelo ANC, sentiu a “sombra fria de um passado tão cruel e iníquo que, às vezes, ameaçou eclipsar a própria conquista da sua liberdade alcançada com dificuldade”.
Na maior economia do continente africano, o Presidente Cyril Ramaphosa reconhece que, apesar dos esforços, muitos sul-africanos ainda dormem com fome, sucumbem a doenças que podem ser tratadas, muitos vivem vidas de privações intoleráveis.
“Muitos dos nossos funcionários não trabalham especialmente com os jovens”, reconheceu Ramaphosa, num país em que 26,7 por cento de cerca de 60 milhões de habitantes está desempregada, e é maioritariamente jovem.

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