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Empresa americana recruta mercenários para apoiar Guaidó contra Maduro na Venezuela

A empresa de segurança privada Blackwater USA, do cidadão norte-americano Erick Prince, está a recolher apoios políticos e financeiros com vista à formação de um Exército de mercenários de 5.000 homens para apoiar o autoproclamado Presidente interino da Venezuela Juan Guaidó, noticiou ontem a Reuters.

Empresa americana recruta mercenários para apoiar Guaidó contra Maduro na Venezuela
Empresa americana recruta mercenários para apoiar Guaidó contra Maduro na Venezuela

Fotografia: DR

A agência, que cita quatro fontes diferentes ligadas ao assunto, afirma que o empresário Erik Prince, em vários encontros privados, tanto nos EUA como na Europa, tem procurado recolher apoios múltiplos junto de simpatizantes do Presidente Donald Trump e exilados venezuelanos para ajudar Guaidó a tirar Nicolás Maduro do poder na Venezuela.
A Blackwater USA foi criada recentemente por Prince e dedica-se à venda de armas, munições, silenciadores e facas.
Influente junto da Administração americana, por a irmã Betsy de Vos ser actualmente secretária de Estado da Educação de Trump, Prince tem procurado também convencer o presidente a substituir os soldados americanos destacados no Afeganistão por mercenários.
Inquiridos pela Reuters, nem a Casa Branca nem os próximos de Juan Guaidó confirmaram os encontros com Prince. Mas em Janeiro, o conselheiro para a Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, surgiu numa conferência de imprensa sobre a situação na Venezuela com um documento debaixo do braço no qual se lia “5000 tropas para a Colômbia”.
Segundo a Reuters, o plano de Prince é precisamente criar um Exército de 4000 a 5000 soldados que operem a partir da Colômbia. Primeiro, em operações de espionagem e recolha de informação para derrotar Maduro. Um plano que nenhum dos vários Governos que apoiam Guaidó confirma, no entanto.
E, em termos militares, esses cinco mil mercenários estariam longe de ser suficientes para uma intervenção militar na Venezuela. Até porque, neste momento, a Venezuela tem 350 mil militares no activo, mais dois milhões na reserva. A larga maioria parece por enquanto estar do lado de Maduro.
Quem confirma o interesse de Prince na segurança da Venezuela é Lital Leshem, o director para as relações com os investidores da Frontier Resource Group (FSG), o fundo de investimentos de Prince. “Ele tem uma solução para a Venezuela como tem uma solução para muitos outros sítios.”
Sediada no paraíso fiscal das Bermudas, mas cotada na bolsa de Hong Kong, a FSG desenvolve vários tipos de actividades, desde investimentos directos à construção de obras públicas e de fábricas, passando pela venda de armas e construção de bases para o Exército chinês.

Potencialmente perigoso

Questionados pela Reuters sobre as potencialidades do plano de Prince para a Venezuela, vários analistas consideraram-no politicamente pouco sustentado e potencialmente perigoso, falando mesmo na hipótese de poder levar a uma guerra civil.
Um exilado venezuelano próximo da oposição, ouvido pela agência noticiosa, concordou em parte, mas admitiu que contratar seguranças privados pode ser útil em caso de queda do Governo de Maduro, para garantir a protecção de Guaidó e da sua equipa.
Filho de um empresário que enriqueceu a vender peças para automóveis, Prince tem sido uma das vozes mais activas a favor da privatização da guerra, com os seus mercenários presentes em zonas de conflito que vão desde o Médio Oriente a África, passando pela Ásia Central.
A Venezuela viveu na quarta-feira uma segunda onda de manifestações. O dia de terça-feira tinha também terminado em protestos violentos, dos quais resultaram um morto e 100 feridos, segundo um levantamento de um grupo de militares na capital Caracas.
Milhares de pessoas concentraram-se quarta-feira em vários locais da capital venezuelana, de acordo com o apelo de Guaidó. Os apoiantes do Governo concentram-se no centro e oeste de Caracas para participar nas manifestações convocadas pelo Executivo, a propósito do 1.º de Maio.
Apesar de Juan Guaidó ter afirmado que tinha os militares do seu lado, nenhuma unidade militar aderiu à iniciativa nem se confirmou qualquer deserção de altas patentes militares fiéis a Nicolás Maduro.

Forças Armadas confirmam lealdade a Nicolás Maduro

As Forças Armadas da Venezuela (FAV) confirmaram ontem a sua lealdade ao Presidente Nicolás Maduro, durante um acto na Fortaleza de Tiúna, a principal base militar de Caracas, em que participaram, segundo fontes governamentais, 4.500 oficiais.
“Vimos ratificar a nossa lealdade às instituições democráticas, ao povo da Venezuela, ao comandante e chefe supremo das Forças Armadas, como o único Presidente Nicolás Maduro”, disse o general e actualmente ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López.
Por outro lado, o Presidente Nicolás Maduro fez um discurso perante os militares em que insistiu na importância da posição das FAV para a paz no país e pediu “uma conduta séria e legal para deixar que o tempo faça prodígios”.
“Estas Forças Armadas têm que, perante o mundo, dar uma lição histórica, neste momento, de que na Venezuela há umas Forças Armadas consequentes, leais, coesas, unida como nunca antes, derrotando intentonas golpistas de traidores que se vendem aos dólares de Washington”, disse Nicolás Maduro. O autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, desencadeou na madrugada de terça-feira um acto de força contra o Governo de Nicolás Maduro, em que envolveu militares e para o qual apelou à adesão popular.
As autoridades ripostaram, considerando que estava em curso uma tentativa de golpe de Estado e não houve progressos na situação, dominada pelo Governo.

JA

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