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João Lourenço convida líderes mundiais do turismo a investirem em Angola

O Presidente da República convidou os líderes das principais cadeias hoteleiras mundiais a investirem em Angola, fundamentalmente no sector turístico. João Lourenço, que falava ontem, em Luanda, na abertura do Fórum Mundial do Turismo (WTF), exortou os empresários a explorarem as oportunidades de negócio noutros sectores da economia nacional, como o da agro-pecuária e florestas, pescas, minerais, indústria têxtil, petroquímica e tecnologias.

Presidente da República convida líderes mundiais do turismo a investirem em Angola
Presidente da República convida líderes mundiais do turismo a investirem em Angola

Chefe de Estado Angolano, João Lourenço, e a Primeira Dama da República, Ana Dias Lourenço (ao centro) na abertura do Fórum Mundial do Turismo
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

A sessão contou com a presença de várias personalidades, com realce para o ex-Chefe de Estado francês, François Hollande, e o presidente do WTF, Bulut Bagci. Depois de décadas de pura retórica – e pouco mais – sobre a diversificação da economia, sobretudo no pós-guerra civil, pelo menos o discurso está em transformação acelerada, João Lourenço explicou, durante a abertura do Fórum Mundial do Turismo, que decorre até amanhã, que vai fazer tudo para que Angola se transforme num destino turístico mundial.

“Queremos também viabilizar todos os investimentos que sejam catalisadores da economia”, disse o Presidente da República. “Angola tem história, é um país que apresenta estabilidade política e social, tem um clima ameno durante quase todo o ano, lindas praias e paisagens naturais e diversidade etnco-linguística”, lembrou João Lourenço, durante o discurso que inaugurou o evento internacional.
Para além das potencialidades conhecidas, a oportunidade serviu ainda para relembrar algumas medidas tomadas desde Outubro de 2017, data em que João Lourenço substituiu José Eduardo dos Santos na Presidência da República.
“Um dos nossos principais objectivos passa por melhorar o ambiente de negócios. Neste contexto, aprovamos novas leis do investimento privado e da concorrência, estamos a implementar mais apoios à produção interna e à exportação. Definimos o turismo como um sector estratégico. Acredito que é um processo irreversível”, disse João Lourenço.
O turismo é considerado um sector com capacidade para promover diversas actividades em paralelo e ainda garantir um bom número de postos de trabalho. O sector é interdisciplinar, até porque necessita de serviços (água, energia eléctrica, hotelaria), de infra-estruturas (estradas, aeroportos) e pode ser um vector de fomento de actividades culturais associadas ao artesanato, música, folclore, entre outras vertentes.
“O turismo é importante enquanto promotor do desenvolvimento e transformador da realidade das localidades com vocação para esta actividade”, recordou João Lourenço, que prometeu a infra-estruturação dos pólos turísticos de Cabo Ledo (Luanda), Okavango-Zambeze (Cuando-Cubango) e Calandula (Malanje).
A sala onde decorreu a abertura do evento estava cheia, com representantes do Executivo, do Tribunal Constitucional, ex-governantes, deputados e convidados nacionais e internacionais de empresas associadas ao desenvolvimento do turismo (banca, operadores turísticos, grandes cadeias internacionais de hotéis, agências de viagem).

Boas-vindas
A ministra do Turismo, Ângela Bragança, foi a primeira a intervir na abertura do fórum. Na mesma linha de João Lourenço, a governante aproveitou a ocasião para mostrar que Angola é um tesouro por descobrir – mas para isso acontecer, há uma série de políticas e de incentivos a implementar.
“O turismo no nosso país está em estado embrionário. Mas temos a convicção de que o investimento que estamos a fazer terá retorno e que vai ser possível captar a atenção dos grandes operadores”, disse Ângela Bragança.
Durante o seu discurso, prometeu que algumas iniciativas vão entrar no calendário de eventos do país depois de um interregno. É o caso da Bolsa Internacional de Turismo (BITUR), que se deve realizar em Outubro de 2020, depois da última edição ter acontecido em 2016.
A sessão de abertura do Fórum Mundial do Turismo foi complementada com a intervenção de Bulut Bagci, o gestor de origem turca que assume o papel de presidente-executivo daquela organização com sede em Londres (Inglaterra). Bagci reafirmou a vontade de desenvolver uma parceria duradoura com Angola.
Depois do Ghana, Angola é o segundo país africano a receber e co-organizar o Fórum Mundial do Turismo, uma instituição fundada em 2015, na Turquia, por Bulut Bagci, com o apoio de Tayip Recep Erdogan, Presidente da República daquele país.

Empresas marcam presença

Paralelamente ao Fórum Mundial do Turismo, várias empresas, pequenos empreendedores e governos provinciais animam uma área de exposição relacionada ao evento. Enquanto os governos provinciais tentam mostrar as potencialidades turísticas, as empresas promovem os seus negócios.
O Banco de Negócios Internacional (BNI) tem desenvolvido acções comerciais junto do sector do turismo e estabeleceu uma parceria estratégica com o Ministério do Turismo, para promover a oferta nacional, tendo em vista o desenvolvimento da produção interna e das exportações, bem como da circulação de divisas.
Já a SODIAM (Sociedade de Comercialização de Diamantes de Angola), em parceria com o Ministério do Turismo e com o apoio da Arslanian Group e da APD, participa hoje num leilão beneficente de jóias, com diamantes exclusivamente produzidos em Angola.
A “Colecção Tesouros de Angola” será apresentada ao público no jantar comemorativo do Fórum Mundial do Turismo e poderá ser licitada de forma privada no decorrer do evento.
Seis das jóias que constituem a colecção serão apresentadas ao público, enquanto as restantes estarão em exposição no local, para que possam ser apreciadas e devidamente avaliadas.

Hollande elogia estratégia

O antigo Presidente francês François Hollande elogiou, ontem, em Luanda, a visão estratégica do estadista angolano, João Lourenço, na promoção do turismo como factor de desenvolvimento.
François Hollande, que efectuou uma visita de algumas horas a Luanda, para participar nos trabalhos do Fórum Internacional do Turismo, falou à imprensa no final de uma audiência que lhe foi concedida pelo Presidente da República.
Para o antigo estadista francês, “o Presidente João Lourenço entendeu o que é o turismo. Não, simplesmente, na visão de visita de pessoas, mas no que o turismo pode proporcionar ao desenvolvimento das artes, do comércio e de outros sectores da economia angolana”.
Hollande disse acreditar nas potencialidades de Angola e nas “grandes oportunidades” de investimento para nacionais e estrangeiros.
O 24º Presidente da República Francesa declarou que o empresariado do seu país pode ajudar a desenvolver o turismo em Angola, dada a capacidade e experiência que tem em domínios como o hoteleiro.
François Hollande falou, também, da possibilidade de se promover e motivar a capacidade interna do empresariado nacional e congratulou-se com o ritmo de crescimento da cooperação entre os dois países.
Hollande acredita que o Presidente francês, Emmanuel Macron, visite Angola no próximo ano, no âmbito do reforço da cooperação bilateral nas áreas económica, do turismo e defesa.
François Gérard Georges Nicolas Hollande, nascido a 12 de Agosto de 1954, serviu a França como Presidente de 2012 a 2017.

JA

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