Economia

Câmbio do kwanza é estável face às principais moedas

O representante residente do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Angola, Max Alier, considerou quinta-feira em Luanda que as taxas de câmbio do kwanza face ao euro e ao dólar “praticamente estabilizaram”, salientando ser importante que se mantenham “flexíveis”.

Câmbio do kwanza é estável face às principais moedas
Câmbio do kwanza é estável face às principais moedas

Depreciação do kwanza mantém o rítmo brando
Fotografia: DR

Numa economia como a de Angola, a estabilização das taxas de câmbio “beneficia com um câmbio flexível”, uma vez que permite “um ajustamento razoável” entre o mercado oficial e o paralelo, acrescentou Max Alier à Lusa, à margem da apresentação do Relatório de Perspectivas Económicas Globais do FMI.
“Às vezes, desvaloriza, outras valoriza. Há algumas semanas que observamos o câmbio para o dólar ou para o euro a subir e a descer. O câmbio atingiu praticamente um nível de estabilidade”, declarou.
Em causa, está o facto de o kwanza estar há praticamente duas semanas a ultrapassar os mínimos históricos, com a depreciação da moeda angolana face ao euro e ao dólar próximo dos 50 por cento em cerca de ano e meio.
Na quinta-feira, segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA), a moeda angolana voltou a bater os mínimos históricos face à europeia (365,785 kwanzas por euro), estabelecidos terça-feira, e manteve-se dois dias no nível mais baixo dos últimos anos face à norte-americana (326,769 kwanzas por dólar).
“No final de 2017, o kwanza estava sobrevalorizado e com desequilíbrios cambiais importantes. Havia uma diferença imensa entre o câmbio oficial e o paralelo, que era de 150 por cento, muito grande, e uma fila no banco, com atrasados cambiais que eram uma coisa imensa”, lembrou Max Alier.
“Era necessária uma desvalorização e ir limpando todos os desequilíbrios no mercado. Grande parte já foi feita. O kwanza depreciou-se, expressivamente, mas a diferença entre o mercado oficial e paralelo baixou para cerca de 30 por cento e os atrasados cambiais praticamente já não existem”, acrescentou.

Moeda permanece sob controlo

As declarações do representante residente do FMI seguem-se às previsões anunciadas quarta-feira num relatório dos consultores da Fitch Solutions que dão como certo que “o kwanza deverá manter-se sob controlo das autoridades monetárias durante o próximo ano, continuando a depreciação controlada, mas a um ritmo menor do que o registado em 2018.”
A diferença significativa que existe entre a taxa de câmbio oficial e a taxa praticada no mercado paralelo “vai continuar a ser um incentivo para o Banco Nacional de Angola aprofundar as depreciações para corrigir o desequilíbrio entre a oferta e a procura de moeda estrangeira no seguimento da descida das exportações de petróleo nos últimos anos”, dizem os analistas da Fitch Solutions.
Ainda assim, acrescentam, o ritmo das desvalorizações abrandou desde Outubro do ano passado e deverá “manter-se assim nos próximos trimestres, já que os decisores políticos estão a tentar mitigar as pressões inflacionárias que têm condicionado o crescimento económico.”

JA

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Ernesto

Escritor e Editor de Noticias no site Angola Nossa.

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