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Concentração de dinheiro em contas gera crise no Multicaixa

Os transtornos pelos quais os clientes da rede Multicaixa passaram no fim-de-semana para levantar valores em numerário nos terminais de caixa automáticos (ATM) devem-se à combinação do pagamento de salários e da dívida pública, devendo prolongar-se até amanhã, soube o Jornal de Angola de fonte oficial.

Concentração de dinheiro em contas gera crise no Multicaixa
Concentração de dinheiro em contas gera crise no Multicaixa

Rede de ATM continuava congestionada na tarde de ontem
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

O presidente da Comissão Executiva da Empresa Interbancária de Serviços (EMIS), o consórcio de bancos que gere a rede Multicaixa, declarou à nossa reportagem que o último fim-de-semana coincidiu com o pagamento do grosso dos salários da Função Pública, o que, em dias assim, direcciona dezenas de mi-lhares de clientes por dia aos ATM.

José Matos indicou que a associação do pagamento dos salários ao de mais de 220 mil milhões de kwanzas da dívida pública interna gerou uma grande concentração de dinheiro nas contas dos utentes da rede, potenciando uma corrida ao ATM.

A situação, sublinhou José Matos, é recorrente no princípio de cada mês no que diz respeito ao pagamento dos salários, levando, via de regra, entre dois e três dias adicionais ao pico das enchentes e à falta de disponibilidades em grande parte dos ATM para voltar à regularidade.

As dificuldades são explicadas por, diante das grandes concentrações de dinheiro em conta, cada um dos ATM ter uma capacidade para despachar que varia de duas a cinco mil notas, levando a que, para atender a procura, os bancos abasteçam os Multicaixa com as notas de maior valor facial, como as de cinco mil kwanzas.

Mas, frisou José Matos, essa medida que facilita a movimentação de dinheiro, também prejudica os que têm menos capacidade financeira.

O presidente executivo da EMIS considera que a resolução do problema passa pelo pagamento dos salários antes do dia 30 de cada mês, isto é, o Governo deve pagar entre os dias 26 e 30 de cada mês. “Como isso não acontece, o processo fica mais lento, até porque o número de Multicaixas também não é suficiente”, disse o gestor.

Um eventual aumento do limite de levantamento no Multicaixa só tenderia a piorar a situação, posto que menos utentes seriam servidos pelos serviços bancários, a menos que se introduzam notas com valor facial mais elevado do que o actual máximo de cinco mil kwanzas”, de acordo com José Matos.

Estas disficuldades coincidiram com a autorização, na sexta-feira, de um limite máximo de três milhões de kwanzas para as transferências pelo cartão Multicaixa.

JA

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Ernesto

Escritor e Editor de Noticias no site Angola Nossa.

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