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Dinheiro fresco e dívida a crescer

Dinheiro fresco e dívida a crescer
Dinheiro fresco e dívida a crescer

Enquanto isto, continua a entrar dinheiro e crédito a rodos, já que os primeiros anúncios e acções de João Lourenço para marginalizar a família do ex-presidente alimentaram o optimismo entre investidores internacionais.

Isto fez aumentar o crescente montante de dívidas que Angola assumiu em 2018, muitas das quais serão eventualmente garantidas pelo governo e, como consequência, pelo contribuinte angolano. A agência de classificação de risco Moody’s Investors Service confirmou esta preocupação quando rebaixou a classificação de investimento de B2 para B3, com perspectiva estável, alertando sobre o crescente endividamento do país, que, segundo a mesma, apresentava altos riscos de liquidez a médio prazo. O FMI também notou isto na sua revisão em Dezembro de 2018, quando estimou a dívida em relação ao PIB de Angola em 90%; sendo um pouco mais de 62% do PIB um ano antes.

Outros indicadores macroeconómicos ressaltam as preocupações crescentes. A admissão de novas dívidas é principalmente um reperfilamento de obrigações vencidas, ao mesmo tempo que a queda nos preços médios do petróleo, prejudicou gravemente as reservas de dólares, essenciais para as importações e manter a estabilidade do kwanza. Além disto, o país luta para sair de uma recessão, embora os preços do petróleo tenham recuperado nos últimos dois anos. Ainda que o Banco Mundial projecte que a economia angolana cresça 1,8% este ano, será necessária muita disciplina em nome do Ministério das Finanças para manter os gastos sob controle, a fim de evitar que o défice volte a crescer. Acresce que a Sonangol – a galinha dos ovos de ouro do MPLA/governo – tem perdido persistentemente as metas de receita desde 2014, enquanto continua a assumir novas dívidas, as quais tem dificuldade em pagar.

Mais coisa, menos coisa, João Lourenço continua a negociar com os mesmos indivíduos e empresas que foram implicados em tais intensas investigações de corrupção, fazendo aumentar as dúvidas sobre as suas verdadeiras intenções. Cada vez mais pessoas estão a questionar se as primeiras investigações de corrupção contra Eduardo dos Santos foram apenas para mostrar serviço, uma vez que ninguém ainda foi julgado, e muito menos condenado.

A lei que permitiu a angolanos ricos repatriarem fundos públicos roubados sem correrem o risco de qualquer processo criminal, já expirou, mas não houve relatos de tais fundos terem sido repatriados durante a amnistia no ano passado.

O envolvimento de Angola com empresas que ajudaram na espiral da dívida de Moçambique, apesar de aumentarem bastante a dívida nos mercados de capitais, é preocupante, especialmente levando em conta as perspectivas económicas cada vez mais sombrias para Angola. A economia continua muito dependente da China, que responde pela maior parte de suas exportações de petróleo como parte do pagamento de dívidas do país a Pequim.

Folha 8 com Portal de Notícias AI

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