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Financiamento do Governo gera expectativas à produção de carne

O Governo emprega 100 milhões de dólares num programa institucional de financiamento a 90 fazendas pecuárias da Huíla, que em resultado dessa injecção de fundos aumentam a produção de carne em médias de 40 por cento ao longo de três anos.

Financiamento do Governo gera expectativas à produção de carne
Financiamento do Governo gera expectativas à produção de carne

Fundos do Governo vão ser empregues na modernização das condições de abate de gado
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro | Menongue

A informação foi avançada à Angop pelo secretário-geral da Cooperativa de Criadores de gado do Sul de Angola (CCGSA), Luís Gata, que conduz um programa de fomento que tem estado a receber indicações de que o valor “vai ser disponibilizado em breve”.
A produção de mais de 90 fazendas filiadas à cooperativa e de criadores tradicionais fixa-se agora na ordem das 200 toneladas de carne por trimestre, devidamente pronta a consumir, o que equivale a mil bovinos abatidos por mês.
Luís Gata declarou, entretanto, que essa cifra corresponde a 10 por cento das necessidades do mercado. “Não é que seja pouco, pois esse número representa muito trabalho, mas ainda temos muito que crescer”, disse.
O secretário-geral da CCGSA considerou que a província da Huíla tem todas as possibilidades para tornar-se numa referência mundial, conjugadas pela associação do potencial de produção e os “novos ventos” gerados pela expectativa do financiamento institucional em vias de ser desbloqueado.
“Não se entende que nós estejamos de mãos estendidas à espera de milhões de dólares, mas isso já não vai acontecer: o que queremos é que, quando mobilizar linhas de financiamento exterior, o Estado garanta empréstimos exequíveis com juros bonificados e com prazo de reembolso adequados à produção pecuária”, propôs Luís Gata.

Utilização do dinheiro

As contas da CCGSA apontam para a disponibilização de 100 milhões de dólares, à razão de 500 mil por fazenda, o que pode resultar na compra de 500 matrizes reprodutoras e numa “excelente” poupança de divisas: em menos de cinco anos, o Estado deixa de empregar 500 milhões de dólares em importações.
“É um projecto que tem de ser apoiado pelo Executivo”, afirmou, apontando a melhoria das infra-estruturas de apoio nas fazendas e a incorporação dos camponeses na produção com fins industriais, “porque há muitos deles que já têm dimensão para produzirem de forma industrial”.
O financiamento serviria também para melhorar os sistemas de captação e distribuição de água, preparação de terrenos para expandir os espaços agricultáveis através de uma desmatação controlada para instalação de pivôs e o cultivo da forragem intensiva, uma actividade que deve respeitar as árvores e 50 por cento de arbustos selvagens, onde está o chamado banco de proteína animal.
Realçou que o objectivo passa também por aumentar a capacidade de alimentação e abeberamento do gado, massificar o projecto de melhoramento genético aproveitando as potencialidades genéticas do gado autóctone (que se adapta facilmente às condições de doenças e características do terreno), assim como procurar nos animais importados os genes para aumentar o porte das manadas.
“Temos duas raças seleccionadas e o objectivo é ir introduzindo touros nas manadas camponesas, no sentido de se obter um equilíbrio interessante entre a genética autóctone e o aumento muscular rápido”, adiantou.
Luís Gata citou estudos feitos pela cooperativa sobre a comercialização de carne, um processo que se acredita passa pela criação de matadouros e melhoramento dos existentes, com foco na melhoria higeosanitária e forma de abate.
Considerou que os matadouros actuais deviam ser chamados “casas de massacre” e transmissão de doenças aos consumidores, uma situação de que o Executivo está devidamente alertado e prevê que em breve dará lugar a boas notícias relativas ao melhoramento dos que estão em operação e a criação de um novo, que irá responsabilizar-se pela maior parte dos abates.
“É uma promessa antiga, mas no último ano foram dados passos muito importantes para a sua concretização, ainda este ano”, disse Luís Gata.

JA

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