Economia

Fusão reforça capacidade de financiar a economia

Os especialistas do sector bancário garantem que a possível fusão entre o Banco de Negócios Internacional (BNI) e o Finibanco, anunciada esta semana, vai reforçar a posição das instituições no mercado financeiro nacional.

Fusão reforça capacidade de financiar a economia
Fusão reforça capacidade de financiar a economia

Amílcar Silva e Luís Lelis reagem às conversações que decorrem entre os accionistas dos dois bancos
Fotografia: José Soares |Edições Novembro

O presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC), Amílcar Silva, encara a decisão como estratégia das instituições, uma vez que um dos accionistas do BNI possui acções no banco português Finibanco. “Esta fusão tem uma certa lógica porque são bancos que podem complementar-se e unir esforços para garantir a existência de uma única instituição mais bem preparada para financiar à economia”, explicou.
Amílcar Silva olha a fusão das duas instituições como normal, descartando uma possível tendência do mercado financeiro angolano face a conjuntura actual. “O importante nestas fusões é mobilizar mais recursos financeiros que vão apoiar projectos para desenvolver a economia angolana”, referiu o economista.
Relativamente ao programa do Banco Nacional de Angola (BNA), que pretende até ao final de Setembro, realizar avaliações de qualidade aos activos de 12 bancos nacionais, afirmou que a iniciativa reforça a actuação das instituições, numa altura em que a conjuntura económica é desfavorável.
Amílcar Silva referiu que, periodicamente, o BNA realiza a avaliação dos activos dos bancos para aferir a informação das instituições fornecidas ao banco central.
O presidente da Comissão Executiva do Banco Angolano de Investimentos (BAI), Luís Lélis, afirmou que as novas regras impostas pelo banco central vão obrigar as instituições bancárias a consolidarem as suas estratégias para dinamizar a sua actuação no mercado.
O responsável do BAI lembrou que, dos 27 bancos a operar no país, 12 representam 90 por cento dos activos. “Esta acção permite avaliar os activos e perceber se os balanços reflectem os relatórios remetidos ao BNA. É na verdade desafiante para a gestão das instituições bancárias”, aclarou. Na sua opinião, as fusões ajudam os bancos a reforçarem a capacidade de financiamento às famílias, às empresas e aos projectos estruturantes da economia.
O programa do BNA de avaliação dos activos de 12 bancos comerciais será conduzido por oito peritos externos, de acordo com um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) que aborda o Programa de Financiamento Ampliado a Angola.
A avaliação dos activos dos bancos visa evitar um eventual risco sistémico e garantir a estabilidade do sistema financeiro angolano, fazendo com que as instituições alcancem uma dimensão que lhes permita servir melhor o mercado nacional.
O programa de avaliação da qualidade dos activos dos bancos comerciais foi elaborado em função do rácio de incumprimento ter subido, de 2016 a 2017, de 12,6 por cento para 28 por cento.
O universo de 27 instituições bancárias, estarão em avaliação os activos dos bancos BAI, Fomento Angola (BFA), Comércio e Indústria (BCI), Poupança e Crédito (BPC), Internacional de Crédito (BIC), Millennium Atlântico (BMA), Sol, BNI, de Desenvolvimento de Angola (BDA), de Comércio Angolano (BCA), Caixa Angola (CA), Económico (BE).
O BNI é controlado por Mário Palhares, fundador e accionista com 33, 28 por cento do capital, e o Finibanco é participado do Banco Montepio, de Portugal, desde 2010.

JA

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