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Petrolíferas encorajadas a investir em Angola

Uma das principais novidades do evento sobre o sector petrolífero, que decorre na capital do país, foi a assinatura do contrato para a construção da nova unidade da única refinaria do país, que vai aumentar a produção de gasolina de 300 para 1.200 toneladas por ano.

Petrolíferas encorajadas a investir em Angola
Petrolíferas encorajadas a investir em Angola

Presidente da República, João Lourenço, recebe explicações sobre um dos projectos a ser implementado no país
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

O acordo resulta de um concurso internacional promovido pelos italianos da ENI, com quem a Sonangol assinou, em 2018, um acordo de cooperação.

As melhorias na Refinaria de Luanda serão realizadas pela empresa KT – Kinetics Technology, uma multinacional do sector com raízes em Itália. Os trabalhos vão decorrer nos próximos dois anos e meio.
O valor do investimento não foi divulgado, mas espera-se que os trabalhos de renovação da infra-estrutura promovam a criação de mil novos postos de trabalho.
No discurso inaugural, João Lourenço lembrou que “Angola importa cerca de 80 por cento dos derivados de petróleo devido à falta de capacidade interna de refinação”.
“Uma das principais prioridades do Governo é a construção das Refinarias do Lobito e de Cabinda e a reabilitação da Refinaria de Luanda. Mantemos a possibilidade de abrir outra Refinaria, neste caso no Soyo, se a actual investigação sobre a oferta de crude assim o exigir”, explicou o Presidente da República.
Ao mesmo tempo, o Executivo decidiu aumentar a capacidade de armazenamento de combustíveis e lubrificantes e o número de postos de combustíveis em todo o país, contando com a iniciativa privada para atingir as metas propostas. O Governo reconheceu ainda que o país continua a depender, em larga medida, do sector petrolífero. “Apesar dos nossos esforços para diversificar a economia, esses produtos ainda ocupam um lugar-chave”, disse João Lourenço.
Nos últimos anos, além da importante descida do preço no mercado internacional (que se verifica desde 2014), o país tem enfrentado sérios desafios por causa das várias restrições técnicas e operacionais que causaram uma redução na produção de petróleo e, em consequência, provocaram um rombo na arrecadação de receitas fiscais.

Gás natural
Depois de abrir caminho à renovação da Refinaria de Luanda, João Lourenço abordou o potencial do país na exploração de gás natural. Até agora, devido a questões de regulação e legislação, os grandes operadores não eram incentivados a explorar o gás natural, produto com elevada procura nos mercados internacionais e com um relevante impacto ao nível ambiental. Em vez de simplesmente queimar o gás proveniente da exploração de petróleo, é possível aproveitá-lo e introduzi-lo no circuito comercial (com ganhos na produção de energia, por exemplo).
“Tanto a Sonangol como outras empresas privadas de petróleo terão agora o direito de pesquisar, avaliar, desenvolver, produzir e vender gás natural no mercado interno e exportá-lo, dispondo de períodos específicos e mais longos para a exploração de gás natural, em comparação com o petróleo bruto”, disse João Lourenço.
Todas estas medidas estão incluídas no Programa de Desenvolvimento e Consolidação do Nível de Petróleo e Gás, que faz parte do Plano Nacional de Desenvolvimento 2018-2022 e compreende três grandes metas: intensificar a substituição de reservas para atenuar o declínio acentuado da produção, garantir a auto-suficiência de produtos refinados através da construção de novas e melhorar a rede de distribuição de combustíveis e lubrificantes por via da expansão da capacidade de armazenamento.
O Executivo também decidiu reorganizar o sector petrolífero ao desconcentrar as funções da Sonangol, que historicamente acumulou as funções de produtora, concessionária e reguladora.
Há muitos anos que este formato levantava críticas sobre transparência e sustentabilidade do sector petrolífero em Angola. Em Fevereiro, foi criada a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), que já assumiu o papel de concessionária e regulador.
Em relação à Sonangol, a petrolífera nacional está a implementar um programa chamado “Regeneração”, que prevê a concentração nos negócios principais em torno da cadeia de valor do petróleo e do gás natural.
Sebastião Martins, recém-nomeado presidente do Conselho de Administração da Sonangol, disse que a companhia irá alienar 72 empresas participadas ou propriedade da petrolífera nacional.
Entretanto, foi também criado o Instituto Regulador dos Derivados de Petróleo (IRDP), que se vai dedicar à supervisão da distribuição de combustíveis.
João Lourenço encerrou a sua participação na Conferência Oil & Gas 2019 ao reconhecer que o país “está empenhado em atrair investimentos e promover parcerias e negócios em todos os segmentos da cadeia de valor da indústria petrolífera e de energia”.

Refinaria em Cabinda
No decorrer da Conferência Oil & Gas 2019, que decorre em Luanda, foi assinado um acordo entre a Sonangol e um consórcio privado ango-russo – com sede em Hong-Kong – chamado United Shine.
O investimento ronda os 2 mil milhões de dólares com financiamento garantido pelo banco público russo VTB.
Em conversa com o Jornal de Angola, o coordenador do projecto, Henrique Magalhães, explicou que a Refinaria de Cabinda terá capacidade para produzir 60 mil barris diários. A construção da infra-estrutura deve arrancar nos próximos dois meses e a conclusão está prevista para 2022.
“Em termos de engenharia o projecto está desenhado, também já realizamos o estudo de pré-viabilidade e daqui a poucos dias vamos concluir o estudo de viabilidade”, disse Henrique Magalhães.
O consórcio estima potenciar a criação de empregos na província, sendo necessárias 200 pessoas para a fase de construção e mais de 1000 para a fase de operação da refinaria.
Numa primeira fase, o empreendimento vai produzir gasolina, gasóleo e jet (combustível para a aviação).

Total prepara novos investimentos em Angola

A petrolífera francesa Total prepara-se para construir 50 estações de abastecimento de combustíveis em Angola, num investimento estimado em 100 milhões de dólares.
Para dar corpo à iniciativa, a companhia pretende criar uma “joint venture”, revelou ontem, à imprensa, o director-geral do Grupo Total, Patrick Pouyanné, no final de uma audiência que lhe foi concedida pelo Presidente João Lourenço.
Segundo Patrick Pouyanné, a Total, presente em Angola desde 1953, tem ainda em carteira projectos no domínio da exploração de petróleo, avaliados em dois mil milhões de dólares.
No encontro com o Chefe de Estado, o director-geral do Grupo Total disse terem sido abordados aspectos ligados às actividades da petrolífera em Angola, cuja produção ronda os 600 mil barris de petróleo/dia.
Ainda no Palácio Presidencial, o Chefe de Estado trocou impressões com o vice-presidente da petrolífera norte-americana ExxonMobile, Hunter Farris.
Disse que a multinacional vai aumentar em dois mil milhões de dólares os investimentos no Bloco 15, que rondam, actualmente, em 30 mil milhões. É pretensão da ExxonMobile, disse, alargar as suas actividades de exploração de petróleo para a Bacia do Namibe, região Sul de Angola.
Ainda ontem, o Presidente João Lourenço recebeu um convite do homólogo da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, para participar, em Novembro deste ano, em Malabo, na 1ª Conferência de Gás. O convite foi entregue pelo ministro de Minas e Hidrocarbonetos daquele país, Gabriel Mbanga Obiang Lima, durante uma audiência.

JA

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