Economia

“Política monetária tende para a redução dos juros”

O corte da taxa de juro de referência pelo BNA em 0,25 pontos percentuais, para 15,5 por cento, na sexta-feira, foi aplaudida ontem por gestores bancários contactados pelo Jornal de Angola para comentarem a decisão, a segunda do género desde o princípio do ano.

“Política monetária tende para a redução dos juros”
“Política monetária tende para a redução dos juros”

Corte dos juros resulta em crédito mais barato e em maiores fluxos de capital na economia
Fotografia: DR

Embora não seja uma descida significativa, a redução do juro de referência, a Taxa BNA, representa uma vantagem para as famílias e as empresas, que passam a pagar os empréstimos com juros inferiores, referiu o director Financeiro do Banco Internacional de Crédito (BIC), Bruno Bastos, realçando os elevados benefícios da medida.
Para o gestor, a medida do BNA vai permitir que as empresas adquiram e restituam o crédito com juros inferiores aos dos anos passados, que rondavam os 20 e até 30 por cento. “São be-nefícios que visam incentivar as empresas a produzir mais, contribuindo para alavancar a economia nacional. Estes benefícios também são para os próprios bancos, muitos dos quais a enfrentarem situações de crédito malparado”, referiu
Bruno Bastos descartou uma provável “corrida ao crédito” nos bancos comerciais, uma vez que não considera a redução dos juros de referência como o único factor importante: existem outros, como a garantia de reembolso e a qualidade dos projectos a serem financiados, como mais importantes.
O presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC), Amílcar Silva, considerou a redução dos juros uma tendência da política monetária conduzida pelo banco central, o que poderá levar a níveis de maior satisfação dos interesses das famílias, empresas e da própria economia.
“Com esta prática continuada, acreditamos que poderemos ter no futuro uma taxa de juro de acordo com as necessidades das famílias e das empresas, que infelizmente a situação macroeconómica do país não tem permitido”, declarou Amílcar Silva.
O presidente do Conselho de Administração do Ban-co de Comércio e Indústria (BCI), Filomeno Ceita, disse esperar que esta redução da taxa de juro de referência, apesar de ligeira, permita aos bancos comerciais conceder crédito mais barato, uma vez que, “em última instancia, baixar a taxa de juro de referência significa baixar os juros dos empréstimos: desta forma, os bancos comerciais vão vender di-nheiro mais barato”.
Filomeno Ceita é da opinião que não se devem temer consequências negativas com a “mexida” nos juros, porque as maiores dificuldades da concessão de crédito estão na apresentação de projectos e nas garantias de reembolso, que têm sido problemas “extremamente difíceis de resolver”.
O administrador do BCI Leão Peres apoia a medida do BNA, considerando a tendência de reduzir as taxas de juros de referência como sendo uma atitude “normal” e até já anunciada pelo banco central como opção da política monetária.
Ao reduzir a sua taxa de juros de referência, disse, “o BNA sinaliza a economia com a viabilização da expansão do crédito, já que “a taxa de juro é o preço do dinheiro no mercado monetário. Quanto mais baixo for o preço do dinheiro, mais os bancos comerciais concedem crédito, o que está alinhado com a função dos bancos de conceder crédito e proteger os depósitos”, afirmou.
Com menores taxas, acrescentou, os empresários têm a possibilidade de concre-tizar os seus objectivos, contribuindo para o desenvol-
vimento da economia nacional: “o país ganha mais in-vestimento e, consequente-
mente, mais bens de consumo”, disse Leão Peres.
Apesar da redução dos juros de referência, Leão Peres, que se encontra neste momento em missão de serviço em Portugal, apelou ao BNA a dedicar-se mais a políticas para a redução dos níveis de inflação.

JA

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