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40 anos da criação do Zouk e do Grupo Kassav (1979 – 2019)

40 anos da criação do Zouk e do Grupo Kassav (1979 – 2019)
40 anos da criação do Zouk e do Grupo Kassav (1979 – 2019)

Na maior parte das bandas musicais o vocalista tem fama de ser a atracção principal. Ele é a figura que começa por aparecer, dar voz, rosto e a interagir directamente com o público. É, por norma, o “show-men” em palco.

No grupo KASSAV, todos os seus membros-principais devem ser encarados em pé de igualdade. Cada um dos Gigantes do ZOUK é um baluarte e competente actor naquilo que bem sabe fazer, seja a compor, a cantar ou até mesmo a tocar. Pierre, Jacob, Georges, Marshal, Jocelyne, Philippe, Naimro, Patrick, Gibon, Chroné, Joseph, Bellon, Belhocine, Durcin, Vamur, Moka e outos tantos músicos do antes e do depois da glória ajudaram a escrever os principais capítulos do ZOUK e do KASSAV.

A década de 80 (1980 e seguintes) foi decisiva para afirmação e internacionalização de KASSAV e do ZOUK. Com a explosão do álbum “Yelele” em 1984/85 seguiram-se outros discos de KASSAV que deixaram o grupo imparável e inigualável. Em 1988, assistiu-se a produção de álbuns solo de Jocelyne Beroard, Jean Philippe Márthély, várias turnées mundiais, milhares de espectadores e mais de cem concertos por ano.
KASSAV recebeu inúmeros prémios, um “Victoire de la Musique” discos de ouro e de platina, condecorações, menções honrosa, e tudo mais que havia para ter e ganhar a nível da música.

KASSAV, com o ZOUK, expôs ao mundo às ilhas de Guadalupe, da Martinica e a Guiana Francesa. Fez por auxiliar, desde então, a uma maior procura e valorização do turismo nas antilhas, a busca pelo conhecimento da história e da cultura afro-antilhana nas CARAÍBAS. Eu próprio sou uma pessoa moldada pelo ZOUK e tive a oportunidade de conhecer Guadalupe em subordinação ao Zouk. Este, deu-me paixão e interesse pela arte e cultura antilhana de matriz africana. O ZOUK deu, e continuar a dar, imagem e gosto aos antilhanos, mas também, em boa medida, aos africanos. O ZOUK hoje é ouvido, dançado ou tocado em todos os cantos do mundo. É um dos géneros musicais que melhor e mais se afirmou na história da arte. Não há quem não o conheça, nunca o tenha sentido ou, pelo menos, ouvido e dançado. Pierre Édouard Jean DÉCIMUS agigantou-se ao mais alto nível ao conceber o ZOUK. Num outro sentido, Miles Davis chegou a pedir para que AMÉRICA entendesse melhor o ZOUK. Ele amava o ZOUK. O ZOUK está na dianteira de muitos outros géneros musicais que não tiveram força anímica para se manter. O ZOUK permite aos artistas a “desdobramentos” em diferentes variantes e misturas de géneros. Dá a possibilidade de tocá-lo na fusão com outros estilos musicais. O ZOUK é um nome que está sempre presente e nos espaços cimeiros.

Não é segredo para ninguém que o ZOUK é um estilo musical de pendor africano, como sempre o defendi, rico e cuja a presença é notória e extraordinariamente irrepreensível nas sociedades afro-antilhanas. Em 40 anos de existência, por sua abrangência e dignidade internacional, por sua procura, imitação, classificação, imagem e marca, e por todos os seus feitos e projecções, é chegada a hora de o ZOUK ser inscrito definitivamente na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO. Ao menos KASSAV.

O ZOUK é como um bom vinho, quanto mais-velho melhor é o sabor.

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