INE quer inclusão do “desemprego” nos indicadores de pobreza

O Instituto Nacional de Estatística (INE) pretende incluir o factor desemprego nos indicadores do índice de pobreza multidimensional (IPM), por considerar de grande impacto na população economicamente activa do país.

O índice de pobreza multidimensional (IPM) de Angola, apresentado pelo Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD) e a pela  Oxford Poverty And Human Development Initiative (OPHI) da universidade de Oxford é composto por 10 indicadores agrupados em três dimensões.

Saúde (taxa de mortalidade e taxa de nutrição); Educação (anos de escolaridade e frequência escolar) e Condições de vida (acesso à electricidade, à água para o consumo humano, à água para o saneamento básico, ao combustível para cozinhar, à casa com chão apropriado, à posse de bens como carro, propriedade, bicicleta, mota, rádio, frigorifico, telefone e televisão) são os três grupos.

Segundo o director do INE, Camilo Ceita, que falava no encontro que visou colher opiniões sobre a pobreza multidimensional, o  IPM deve definir a realidade do país com os indicadores chaves, como o desemprego, que se reflecte na população economicamente activa.

“Os indicadores que a nível global o PNUD e OPHI apresentam podem não se reflectir naquilo que são as nossas prioridades, por isso estamos aqui para em conjunto identificar as nossas dimensões e indicadores associados e depois calcular o nosso IPM”, frisou.

Camilo Ceita fez saber que serão actualizados no corrente ano os dados sobre a pobreza a monetária, que em 2008/2009 estimava-se em cerca de 36,6 por cento.

Fez saber estar em curso a formação para o censo piloto do sector agro-pecuário e pescas 2018-2019, bem como a preparação do recenseamento empresarial e de estabelecimentos.

“Queremos ter informações para poder monitorar alguns dos objectivos do desenvolvimento sustentável e para facilitar as políticas públicas e sectoriais de modo a impactar na realidade aquilo que são as necessidades das populações”, sublinhou.

A taxa de pobreza multidimensional em Angola reduziu de 77,4 por cento (2011) para 51,2% em 2018, segundo o estudo do PNUD, dados que contrastam com os indicadores do Governo que apontam uma incidência de 36 por cento.

Entre os 10 indicadores, os que mais concorreram para a pobreza multidimensional em Angola são as privações em anos de escolaridade (16 porcento), seguidos pela frequência escolar (15%) e nutrição (11%).

Participaram da consulta pública, que visou estabelecer as dimensões adequadas para o conjunto de indicadores do IPM,  representantes do PNUD, técnicos do gabinete do Presidente e Vice-presidente da República, estudantes universitários, entre outros convidados.

Angop

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *