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África do Sul: Comissão eleitoral investiga denúncias de “voto múltiplo”

Numa altura em que já foram divulgados resultados parciais das eleições gerais de quarta-feira, com larga vantagem para o ANC, os sul-africanos estão agora na expectativa sobre o resultado de investigações que a Comissão Eleitoral Independente está a fazer em relação a denúncias por parte da Aliança Democrática sobre uma possível fraude, através da ocorrência de um número não determinado de casos de voto múltiplo

Comissão eleitoral investiga denúncias de “voto múltiplo”
Comissão eleitoral investiga denúncias de “voto múltiplo”

Fotografia: DR

O director da Comissão Eleitoral Independente (CEI) da África do Sul, Masotho Moepya, confirmou ontem em Joanesburgo que está a decorrer uma investigação sobre acusações de “fraude eleitoral” relacionadas com a eventual existência de pessoas que exerceram por mais de uma vez o direito de voto no pleito de quarta-feira.
Falando aos jornalistas no centro de contagem de votos, em Joanesburgo, Masotho Moepya disse que tudo está a ser feito para apurar se as denúncias feitas pela Aliança Democrática têm razão de ser, reservando para mais tarde mais comentários sobre o assunto, nomeadamente a informação que todos aguardam e que se relaciona sobre o que sucederá caso elas se confirmem.
A aliança Democrática, maior partido da oposição e que formalizou oficialmente a queixa junto da CEI já se pronunciou, questionando a credibilidade da Comissão Eleitoral, acrescentando que vai requerer uma “auditoria completa” aos resultados eleitorais.
De acordo com James Selfie, do Conselho Federal deste partido em declarações feitas à televisão sul-africana, trata-se de “situações graves, pois provas muito fortes de que milhares de eleitores votaram mais de uma vez, de que houve falta de boletins de voto, mesas de voto que não abriram, mesas de voto que encerraram antes da hora e uma generalizada má organização do processo por parte do IEC.”
Além do caso relacionado com eventuais casos de voto múltiplo, a Aliança Democrática disse ainda ter apresentado mais 16 objecções e mais de 2 mil queixas junto da Comissão Eleitoral Independente, o que pode fazer atrasar a contagem dos resultados eleitorais.<br

Ontem, o Congresso Nacional Africano (ANC) liderava isolado a contagem dos votos com uma percentagem global de 54,65 por cento, mais do dobro da Aliança Democrática, que surgia na segunda posição com 26,49, enquanto os Combatentes pela Liberdade Económica tinham apenas contabilizado 8,07 por cento das preferências.
De acordo com a Comissão Eleitoral Independente, esta contagem provisória foi divulgada quando estavam contabilizados um quarto do total dos distritos existentes no país.
Estas percentagens dizem respeito a um total de 133.409 votos contados, com 1.818 nulos e 131.591 válidos até ao final da manhã de ontem.
Na contagem para a Assembleia Nacional, o Congresso Nacional Africano liderava a contagem com 50.42 por cento, seguido do Aliança Democrática com 30.80 e dos Combatentes pela Liberdade Económica esquerda com 5.91.
A nível provincial, a Aliança Democrática estava à frente em Gauteng e Pretória, com 38.96 por cento, seguido do ANC (30.93) e do VF Plus (15.22).
A Aliança Democrática liderava ainda no Cabo Ocidental com 58.82 por cento, seguido do ANC (23.86) e do EFF (3.50).
As eleições sul-africanas de quarta-feira decorreram em todo o país num ambiente de fraca adesão e marcado por fortes chuvas, que terão concorrido para uma evidente fraca adesão popular às mesas de voto.
De sublinhar que estavam registadas para estas eleições gerais 26,7 milhões de pessoas, 55 por cento das quais mulheres, que tinham à sua disposição 28.757 mesas de voto, com 220 mil pessoas mobilizadas para nelas trabalhar e uma participação recorde de 48 partidos.

JA

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