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Continente africano precisa da experiência da China

Os países africanos precisam de inspirar-se na experiência de revolução tecnológica da China, defendeu, em Beijing, o zimbabweano e docente da Universidade de Westminster, do Reino Unido, Wiston Mano, quando falava sobre “A nova disputa digital em África por gigantes globais da tecnologia – desafios e respostas”, na Conferência Internacional sobre a Nova Rota da Seda, dirigida a académicos e jornalistas dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP), entre os quais angolanos.

Continente africano precisa da experiência da China
Continente africano precisa da experiência da China

Um ângulo de Beijing, onde académicos e jornalistas angolanos participam numa Conferência sobre a Nova Rota da Seda
Fotografia: Dr

O também director do Centro de Pesquisa da Comunicação na África da Universidade de Westminster considera que a África precisa de entender melhor o actual ambiente marcado pelas novas tecnologias de informação e comunicação. Wiston Mano disse ser preciso reformular as leis referentes às comunicações para que se adaptem ao momento actual. Wiston Mano defendeu a eliminação do vazio que existe entre a inovação tecnológica e a regulamentação.
Em termos tecnológicos, Wiston Mano admitiu que há muitas coisas que estão a ocorrer de forma positiva em África, através de fortes investimentos em tecnologias de informação, mas lamentou o facto de existirem muitos conteúdos produzidos e difundidos nas plataformas digitais, mas que não são valorizados nem monitorizados.
A dependência dos sistemas multinacionais de tecnologias de informação e comunicação, parece ser uma espécie de “colonialismo digital”, considerou Wiston Mano, para quem a dependência dos países africanos a plataformas digitais como a Google, Facebook, Whatsapp e outras ocidentais é o exemplo concreto de que existe uma espécie de “colonialismo digital”. Wiston Mano entende que é preciso repensar os sistemas de comunicação implementados nos países africanos.
O académico zimbabwano entende que as grandes companhias de tecnologias de informação disputam o mercado africano, considerado virgem, mas os naturais do continente não têm condições para competir.
Durante a sua intervenção, Wiston Mano disse que para se motivar a África é preciso ter em conta as inspirações chinesa e indiana e vencer o desafio de electrificação do continente para garantir a implementação dos projectos tecnológicos. “É preciso pensar a política de inovação, para se evitar os monopólios”, disse o académico, sublinhando que a África precisa de fazer a migração digital.
Wiston Mano entende que é preciso que os países africanos se inspirem na experiência chinesa de revolução tecnológica, com a criação de sistemas tecnológicos de comunicação próprios.
“A China, por exemplo, tem uma estratégia de comunicação independente dos países ocidentais. As grandes companhias de comunicação ocidentais, como a google, facebook, whatsapp, twiter e outras plataformas electrónicas não entram na China devido à grande ‘muralha cibernetica’ erguida por este país”, disse.
A Conferência Internacional sobre a Nova Rota da Seda decorre de 7 a 21 deste mês na Universidade da Comunicação da China, na cidade de Beijing.

“Revolução” na China

A maior revolução que a China vive actualmente é a tecnológica, considera Ji Deqiang, professor da Universidade da Comunicação do “Gigante Asiático”.
O académico e investigador do Centro Nacional de Pesquisa da Inovação de Comunicação da universidade, disse que, nos dias que correm, na China todos os serviços estão a ser digitalizados.
A China, para contrapor os sistemas de comunicação ocidentais, criou as suas próprias plataformas. No lugar do Google, a China tem o Baidu, no do Facebook criou a Tencet, no Amazon tem Alibaba.com, para contrapor a Youtube tem a Youku, para competir com a Urber tem a Didi, no lugar da Sportify tem QQ Music e no do Whatsapp tem uma super rede social denominada We Chat.
O We Chat tem mais funcionalidades no dia a dia das pessoas, desde as trocas comerciais até aos simples jogos de diversão, disse Ji Deqiang, esclarecendo que, com a plataforma, pode-se transferir dinheiro com um simples “scaner” de um código. Com isso, 70 por cento dos pagamentos na China são feitos por via do We Chat.
A economia é quase totalmente digitalizada. Desde o simples vendedor de rua às grandes empresas, as transacções são feitas por via electrónica. “Todas as companhias de tecnologias na China são poderosas”, afirmou Ji Deqiang, para quem, num curto espaço de tempo, a China pode criar a sua própria internet, desligando-se, assim, definitivamente, do Ocidente.
Ao contrário do que acontece nos países africanos, disse, a grande barreira tecnológica criada aos sistemas de comunicação ocidentais na China fazem com que, por exemplo, os conteúdos pornográficos e críticos ao Estado chinês não circulem nas redes sociais chinesas.
Segundo ainda o académico e investigador, na China, para se ter acesso às plataformas electrónicas ocidentais é preciso utilizar um mecanismo tecnológico denominado VIPN que permite o acesso restrito ao Facebook, Google, Whatsapp e outras controladas por norte-americanos e europeus.

JA

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