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Decretada prisão preventiva para ex-Presidente do Peru

Um tribunal especializado em ofensas de corrupção ordenou “36 meses de prisão preventiva para o ex-Presidente peruano Pablo Kuczynski, investigado por lavagem de dinheiro com agravante de pertencer a uma organização criminosa”, noticiou a imprensa local.

Decretada prisão preventiva para ex-Presidente do Peru
Decretada prisão preventiva para ex-Presidente do Peru

Justiça do Peru ordena prisão preventiva do ex-presidente Kuczynski
Fotografia: DR

Kuczynski, de 80 anos, encontra-se actualmente internado numa clínica de Lima depois de ser submetido a uma cirurgia cardíaca. Os advogados do Kuczynski já anunciaram a intenção de recorrer. Pablo Kuczynski, a quem os peruanos chamam de “PPK”, tornou-se o primeiro Presidente em exercício no Peru a renunciar em Março de 2018, na sequência de casos de suborno da Odebrecht no país.
Outro ex-Presidente peruno implicado no caso Odebrecht, Alan Garcia, morreu quarta-feira da semana passada na sequência de um disparo sobre si mesmo quando ia ser detido. Presidente entre 1985 e 1990 e entre 2006 e 2011, Garcia, 69 anos, morreu enquanto era operado no hospital Casimiro Ulloa, para onde foi transportado pelos agentes da Polícia que se tinham deslocado a sua casa para o prender.

Carta de despedida de Alan Garcia

O ex-Presidente do Peru Alan Garcia rejeitou as acusações de corrupção de que era alvo, numa carta de despedida tornada pública na sexta-feira. “Vi outros passarem algemados, testemunhas da sua existência miserável, mas Alan Garcia não terá de sofrer essas injustiças e esse circo”, escreveu o antigo Chefe de Estado numa carta de despedida dirigida aos seis filhos e lida por uma das filhas nas cerimónias fúnebres em Lima, de acordo com a agência France Press.
“Não houve e não haverá conta (ilícita), suborno, enriquecimento. A história é mais valiosa do que qualquer riqueza material”, escreveu Alan Garcia na carta.
“Tendo cumprido o meu dever na política e em acções a favor do povo, tendo alcançado metas que outros povos ou governos não conseguiram, não tenho de aceitar humilhações”, lê-se ainda na carta de Alan Garcia.
O ex-Presidente do Peru escreveu ainda que deixa aos filhos “a dignidade” das suas decisões. “Aos meus companheiros um sinal de orgulho e o meu cadáver como sinal do meu desprezo pelos meus adversários, porque já cumpri a missão que me dei”, acrescentou.
A tentativa de suicídio ocorreu quando agentes da Divisão de Investigação Criminal de Alta Complexidade foram a casa de Alan Garcia, proibido de sair do país desde 2018, para garantir o cumprimento de dez dias de prisão preventiva, ordenada pelo poder judiciário.
Além de Garcia, foi ordenada a prisão de Luis Nava e Miguel Atala, colaboradores próximos do ex-Presidente e conhecidos como seus testas-de-ferro.

JA

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