Internacional

Dois novos perigos espreitam a Beira

Depois da tempestade, há dois novos perigos a ameaçar a zona da Beira, em Moçambique, onde o cenário é de destruição depois da passagem do ciclone “Idai” que já causou 202 mortos: a abertura das comportas de barragens no Zimbabwe e as fortes chuvas que se aproximam.

Autoridades moçambicanas confirmam 202 mortos nas cheias
Fotografia: DR

A possibilidade foi confirmada pelo Presidente de Moçambique, que pediu às pessoas que vivem junto dos rios para saírem desses locais. Segundo a AFP, Filipe Nyusi pediu a todos os que vivem perto de rios que abandonem a área “para salvar as suas vidas”, adiantando que as autoridades poderiam não ter outra escolha senão abrir as barragens por haver risco de colapso, isto numa altura em que mais de 40 mil pessoas já foram resgatadas pelas equipas de salvamento.
Os relatos que chegam da Beira convergem todos no mesmo sentido: a cidade está completamente inundada. Um mar de água e terra que engoliu casas e árvores, deixando um elevado número de mortos — por agora estão confirmadas 202 vítimas mortais mas o Presidente Filipe Nyusi admitiu que a contagem possa vir a ultrapassar os mil mortos.
O ciclone “Idai” deixou ainda cerca de 400 mil moçambicanos desalojados. Os danos materiais são ainda incalculáveis mas podem vir a agravar-se caso o Zimbabwe, que também foi afectado pela tragédia, decida abrir as comportas das suas barragens.
As próximas horas são tidas como críticas. Os rios galgaram as margens e provocaram cheias em várias regiões de ambos os países. No caso do Zimbabwe, uma das soluções que está a ser estudada para fazer frente aos danos passa por abrir as comportas das barragens. Mais do que servir para escoar a água do interior de cidades e povoações, a solução tenta precaver um eventual colapso das barragens, que desde a passagem do ciclone estão sob grande pressão.
Além desta preocupação, as entidades no terreno garantem estar atentas a um outro alerta: as previsões meteorológicas, que apontam para fortes chuvas nos próximos dias.
O ciclone afectou os países vizinhos de Moçambique. No Zimbabwe, as autorida-des contabilizaram até terça-feira pelo menos 100 mortos, bem como cerca de 1.600 casas e oito mil pessoas afectadas no distrito de Chimanimani, em Manicaland.
Já no Malawi as únicas es-timativas conhecidas apontam para pelo menos 56 mortos e 75 feridos com mais de 920 mil pessoas afectadas nos 14 distritos atingidos pelo ciclo-ne, incluindo 460 mil crianças. Ainda ontem, o Papa Francisco expressou pesar e apelou ao apoio para as vítimas do ciclone.

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Ernesto

Escritor e Editor de Noticias no site Angola Nossa.

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