Internacional

Estados Unidos e Rússia tentam melhorar as relações

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse ontem em Sochi, durante uma reunião com o homólogo russo, Sergei Lavrov, que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está decidido a melhorar as tensas relações com a Rússia, enquanto o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, em resposta, revelou “optimismo”, segundo a France Press.

Estados Unidos e Rússia tentam melhorar as relações
Estados Unidos e Rússia tentam melhorar as relações

Mike Pompeo conversou com o seu homólogo russo, Sergei Lavrov, sobre questões mundiais
Fotografia: DR

As questões de discórdia entre as duas grandes potências vão da situação na Venezuela até aos tratados de desarmamento, aos quais se somam as tensões dos últimos dias em torno do Irão que aumentam o temor de uma escalada militar na região.
Antes de se encontrar com o Presidente russo, Vladimir Putin, também ontem, Pompeo foi recebido logo após a chegada em Sochi, uma estância balnear à beira-mar na costa do Mar Negro, pelo homólogo russo Sergei Lavrov.
“Estou aqui porque o Presidente Trump está determinado a melhorar esse relacionamento”, declarou Pompeo.
“Temos diferenças, mas não precisamos ser adversários em todas as questões”, acrescentou, na esperança de “estabilizar as relações e retornar a um caminho que não seja bom apenas para os dois países, mas também para o mundo”.
“Acho que é hora de começar a construir um modelo novo, mais responsável e construtivo”, disse Lavrov, por sua vez, pedindo “propostas concretas para tirar as relações russo-americanas de um triste estado”.

Pressão máxima

Pompeo torna-se a maior autoridade dos EUA a se encontrar com Putin desde a cimeira de Julho em Helsinquia, entre o Presidente russo e Trump.
A Casa Branca espera que o fim da investigação do procurador especial Robert Mueller sobre uma suposta interferência russa a favor de Trump nas eleições americanas permita superar o actual estado das relações entre os países.
Há quase dois meses, o procurador apresentou o relatório que afirma que em 2016 aconteceu uma interferência russa na eleição presidencial americana, mas não um conluio entre a equipa do então candidato Trump e Moscovo.
A investigação marcou a primeira metade do mandato de Donald Trump. No início do mês, o Presidente norte-americano afirmou que teve uma conversa por telefone “muito positiva”, de mais de uma hora, com Vladimir Putin.
Trump, em geral disposto a desafiar Putin, afirmou que este último assegurou que Moscovo não está envolvido na Venezuela, ao contrário do que afirmam Pompeo e outros funcionários da administração norte-americana, que pediram à Rússia que deixe de apoiar o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
A visita de Pompeo coincide com as acusações dos EUA de que o Irão prepara “ataques” contra os seus interesses no Médio Oriente.
Os Estados Unidos posicionaram um porta-aviões, um navio de guerra, bem como bombardeiros B-52 e uma bateria de mísseis Patriot na região.
“Uma política de máxima pressão […] nunca dá resultados”, alertou ontem o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
“Isso não encoraja um país a ser conciliador”, acrescentou.
A Rússia, como os países europeus, é a favor da manutenção do acordo de 2015 sobre o programa nuclear iraniano, do qual os Estados Unidos se retiraram.
O Irão decidiu, por sua vez, suspender parte dos compromissos desse acordo.
Pompeo encontrou-se na segunda-feira com vários líderes europeus, que alertaram sobre o risco de um conflito “por acidente”. O medo de uma escalada no Golfo Pérsico aumentou com actos de sabotagem, dos quais os detalhes são desconhecidos, contra três petroleiros e um cargueiro no final de semana na costa dos Emirados Árabes Unidos.

Armas hipersónicas

Nas últimas semanas, a tensão entre a Casa Branca e o Kremlin também aumentou devido à situação na Venezuela, onde ambas as potências acusam-se umas às outras de interferência.
A Rússia continua a ser uma importante aliada do Governo do Presidente Nicolás Maduro enquanto os Estados Unidos apoiam o líder da oposição Juan Guaidó.
O desarmamento é outro motivo de atrito.
Recentemente, os Estados Unidos e a Rússia decidiram abandonar um tratado da época da Guerra Fria que proibia mísseis terra-terra de alcance entre 500 e 5.500 quilómetros.
A Rússia e os Estados Unidos negoceiam o próximo tratado de controlo de armas nucleares “Start”, porque o actual termina em 2021 e Trump quer incluir a China.
O Presidente russo, que tem elogiado as novas capacidades do seu Exército, visitou ontem, antes de receber Pompeo, o maior centro de testes nucleares da aviação russa, para participar, segundo o Kremlin, numa demonstração de “armas promissoras”.

JA

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