Moçambique: Governo reúne na Beira e avalia estragos do ciclone “Idai”

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi orientou, hoje, na cidade da Beira, uma sessão extraordinária do Conselho de Ministros que permitiu ao Governo, avaliar no local o impacto provocado pelo ciclone “Idai”, tendo ficado decidido que a prioridade continuará a ser a busca e o salvamento de vidas humanas.

Fotografia: DR

“Perante este cenário dramático, o Governo decidiu realizar uma sessão do Conselho de Ministros na cidade da Beira, para acompanhar e avaliar a situação no terreno”, afirmou Filipe Nyusi, numa declaração à nação amplamente divulgada pela imprensa local.

Passados que foram já os momentos de maior tempestade, tendo os ventos chegado a atingir 175 quilómetros por hora, que destruíram 90 por cento da cidade da Beira e afectaram directa ou indirectamente cerca de 500 mil pessoas.

Foi para estabelecer uma estratégia sobre como essas reparações serão feitas, que Filipe Nyusi levou todos os seus ministros até à cidade da Beira para que vissem com os seus próprios olhos aquilo que se havia passado e pudessem traçar um programa urgente e de emergência para a reparação dos estragos.

Para já, cada ministro ficou de elaborar um memorando sobre a melhor forma do seu sector contribuir para um programa global do Governo que possa minimizar os efeitos da tragédia.

O próprio Filipe Nyusi salientou que ficou decidido na reunião ministerial que a prioridade do Governo e dos parceiros internos e internacionais continuará a ser a busca e o salvamento de vidas humanas. Uma luta que prometeu ser feita sem tréguas e desenvolvida à medida que as condições do tempo o permitam, uma situação que poderá demorar ainda mais de uma semana devido ao nível das águas dos rios que estão a diminuir com uma lentidão.

O ciclone “Idai” entrou pelo centro do Moçambique e continuou terra adentro a fazer estragos e mortos. No Zimbabwe, o último balanço oficial dá conta de 64 mortos, enquanto no Malawi pelo menos 56 pessoas morreram. Muitos milhares ficaram sem casa devido ao forte vento e à subida dos rios, transformados em rápidos de lama levando tudo à sua frente.

O Governo do Zimbabwe declarou a tempestade como “desastre nacional” e enviou militares e membros dos serviços nacionais de juventude para as zonas afectadas para ajudar no salvamento de aldeias isoladas pelas águas. A Protecção Civil está a usar helicópteros para aceder à cidade montanhosa de Chinamini, perto da fronteira com Moçambique, depois das quatro pontes que lhe dão acesso terem sido destruídas pelas inundações.

No Malawi, o Departamento de Gestão de Calamidades anunciou que 56 pessoas morreram vítimas das inundações provocadas pelo ciclone, com quase 83 mil desalojados e mais de 900 mil pessoas afectadas pelas chuvas fortes.

O mau tempo atingiu sobretudo a região sul do país, onde foram criados 187 centros de alojamento espalhados por 14 distritos para albergar os desalojados.

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