Internacional

Presidente chinês refuta acusações da Casa Branca

O Presidente chinês rejeitou hoje que haja um choque de civilizações com os Estados Unidos, apontando que qualquer noção de superioridade racial é “estúpida”, numa altura de crescente rivalidade entre as duas maiores economias do planeta.

Presidente chinês refuta acusações da Casa Branca
Presidente chinês refuta acusações da Casa Branca

Líder chinês responde às autoridades norte-americanas
Fotografia: DR

“Pensar que uma etnia ou cultura são superiores e insistir em transformar ou mesmo subjugar outras civilizações é estúpido (…) e desastroso na prática”, afirmou Xi Jinping, na abertura da conferência para o diálogo das civilizações asiáticas, em Pequim.
“Não há divergência entre civilizações diferentes, basta ter olhos para apreciar a beleza em todas as civilizações”, acrescentou, sem referir os EUA.
O alto funcionário do Departamento de Estado norte-americano Kiron Skinner considerou, no mês passado, que a rivalidade com a China é “uma luta contra uma civilização e ideologia profundamente diferentes.”
Trata-se da primeira vez que os Estados Unidos enfrentam “um grande rival que não é caucasiano”, afirmou o responsável pelo planeamento de políticas do Departamento de Estado, durante um fórum dedicado a questões de segurança.
Pequim e Washington travam, desde o Verão passado, uma guerra comercial, que se agravou na última semana, com os governos das duas maiores economias do mundo a imporem taxas alfandegárias adicionais sobre centenas de milhares de milhões de dólares das exportações de cada um.
No cerne das disputas, está a política de Pequim para o sector tecnológico, que visa transformar as firmas estatais do país em importantes actores globais em sectores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos.
Washington vê o plano como uma ameaça ao seu domínio industrial e considera uma violação dos compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.
No espaço de uma década, enquanto as economias desenvolvidas estagnaram, a China construiu a maior rede ferroviária de alta velocidade do mundo, mais de oitenta aeroportos e dezenas de cidades de raiz, alargando a classe média chinesa em centenas de milhões de pessoas.
Acompanhando o desenvolvimento, Pequim abdicou do “perfil discreto” na política externa chinesa, que vigorou durante décadas, passando a assumir uma política externa mais assertiva.
Bancos e outras instituições do país estão a conceder enormes empréstimos para projectos lançados no âmbito do gigantesco plano de infra-estruturas “Uma Faixa, Uma Rota”, que inclui a construção de portos, aeroportos, auto-estradas e linhas ferroviárias ao longo do sudeste asiático, Ásia Central, África e Europa.
A iniciativa é vista em Washington como uma tentativa de redesenhar o mapa da economia mundial, de forma a colocar a China no centro, num desafio à ordem mundial definida pelo Ocidente.

JA

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