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Preso por fraude é perdoado por Trump depois de o elogiar num livro

Conrad Black, em tempos proprietário de alguns dos mais influentes orgãos de comunicação na área conservadora, tinha garantido que não estava a pensar receber um perdão presidencial

Preso por fraude é perdoado por Trump depois de o elogiar num livro
Preso por fraude é perdoado por Trump depois de o elogiar num livro

© Scott Olson/Getty Images Conrad Black

O antigo barão de imprensa Conrad Black, um britânico de origem canadiana que chegou a ser proprietário do “Daily Telegraph”, um dos mais importantes diários britânicos – e também do “Jerusalem Post” e da revista “The Spectator”, influente a outro nível junto das elites de direita – foi perdoado pelo presidente Donald Trump. Em 2007, Black foi condenado a mais de seis anos de cadeia por ter roubado a sua própria empresa, tendo cumprido cerca de metade da pena.

A condenação foi decidida num tribunal americano e quando Black saiu da cadeia foi expulso dos Estados Unidos. O perdão agora concedido segue-se à publicação, em 2018, de um livro em que Black elogia efusivamente a presidência de Trump, um velho amigo seu. O livro intitula-se “Donald J. Trump: A Presidency Like no Other” (Donald J. Trump: uma presidência como nenhuma outra). Quando foi publicado, surgiram sugestões de que Black tinha em vista conseguir um perdão de Trump, o qual é notoriamente sensível aos elogios públicos que lhe fazem. Mas Black negou essa interpretação.

“Esta irritante leitura errada por parte de pessoas que não me conhecem, esta imputação de motivos, acho eu, é desagradável. Nesta altura, não há qualquer ideia que seja de um perdão”, disse na altura.

Pela sua parte, Trump garantiu que o perdão nada tem a ver com o facto conhecer Black ou de este o ter elogiado, mas apenas com a circunstância de achar que os tribunais o trataram de forma injusta, e com as suas “tremendas contribuições para a economia, bem como para o pensamento político e histórico”. O britânico-canadiano escreveu obras de natureza histórica antes, depois e durante o período em que esteve preso.

Black foi condenado por roubar milhões à sua empresa, tendo gasto parte desse dinheiro em despesas pessoais extravagantes que realizou juntamente com a sua mulher. O título de Lord, que em 2001 lhe foi atribuído no Reino Unido a instâncias do então primeiro-ministro Tony Blair, obrigou-o a renunciar à cidadania canadiana.

Quando da sua condenação ele tentou reavê-la, numa tentativa de cumprir a pena de prisão no Canadá, mas não conseguiu. O perdão agora recebido, segundo o porta-voz do presidente, foi em parte uma consequência de pedidos feitos nesse sentido por pessoas que vão desde o antigo secretário de Estado Henry Kissinger até ao cantor Elton John.

Entretanto, já foi confirmado que Black poderá voltar a sentar-se na Câmara dos Lordes britânica e participar nas suas votações.

Expresso

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