Internacional

Primeiro-ministro irlandês quer “dar uma hipótese” a May com adiament

O líder democrata-cristão disse que o seu Governo está disposto a aceitar a extensão do Artigo 50 do Tratado de Lisboa (que estipula o procedimento para a saída de um Estado membro do bloco comunitário) para além da data inicialmente definida, 29 de março, uma opção que tem de ser aprovada por unanimidade pelos 27 países que continuarão na União Europeia (UE).

“Está na altura de darmos uma hipótese ao Governo britânico”, defendeu Varadkar, falando à imprensa em Dublin, depois de se reunir com o seu executivo para analisar a posição a adotar no Conselho Europeu de quinta e sexta-feira, em que a questão será abordada.

May anunciou hoje no Parlamento que escreveu ao Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, para pedir um adiamento do Brexit até ao dia 30 de junho.

Na carta, a dirigente conservadora também pedia que na cimeira comunitária desta semana sejam aprovados os documentos acordados entre a Comissão Europeia (CE) e o seu Governo a 11 de março em Estrasburgo, que incluíam garantias adicionais relativas à salvaguarda irlandesa (‘backstop’, em inglês) contida no acordo de saída.

O chefe do executivo irlandês afirmou hoje estar de acordo com esses pedidos, embora sublinhando que não haverá uma renegociação com Londres para introduzir “alteração alguma no acordo de saída ou na salvaguarda”.

“Sempre dissemos que estaríamos abertos à extensão se esta tivesse um propósito, e creio que é importante que a escutemos (a May) primeiro e que depois respondamos os Vinte e Sete, como União Europeia, nos próximos dois dias”, sustentou o ‘Taoiseach’ (primeiro-ministro irlandês).

Inquirido sobre as alegadas reticências de França em relação à concessão do adiamento e a possibilidade de o seu Presidente, Emmanuel Macron, o vetar, Varadkar descartou esse cenário, mas reconheceu que o chefe de Estado francês é “cético” a esse respeito.

“Muita gente na União Europeia quer resolver esta situação que já dura há mais de dois anos. Há muita frustração (…) Queremos evitar o risco real de um Brexit sem acordo por acidente, apesar da boa vontade existente”, acrescentou o ‘Taoiseach’.

Um divórcio sem acordo, recordou Varadkar, poria em perigo a invisibilidade da fronteira entre a província britânica da Irlanda do Norte e a república da Irlanda, com graves consequências para as suas economias e o processo de paz.

Por isso, o líder irlandês insistiu em que a salvaguarda não pode ser alterada, como reclamam a ala eurocética dos conservadores britânicos e o Partido Democrático Unionista (DUP) norte-irlandês, do qual May depende para governar em minoria e de cujo apoio necessita para aprovar na Câmara dos Comuns o acordo de saída que ela mesma concluiu com Bruxelas em novembro, um texto que os deputados britânicos já chumbaram duas vezes, em janeiro e em março.

Neste sentido, Donald Tusk condicionou hoje um adiamento curto da data de saída à aprovação pelo Parlamento britânico do acordo de Brexit existente.

Fonte: N. Minutos/LD

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