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Theresa May deixa chefia do Partido Conservador

A Primeira-Ministra britânica, Theresa May, formalizou ontem a demissão da liderança do Partido Conservador anunciada em Maio, numa decisão que está a provocar movimentações internas para encontrar um sucessor.

Theresa May deixa chefia do Partido Conservador
Theresa May deixa chefia do Partido Conservador

May mostra tristeza por não ter sido capaz de convencer os deputados a aceitar o acordo com a UE
Fotografia: DR

May deixa a liderança do Partido Conservador, mas permanece como Primeira-Ministra do Reino Unido até que o sucessor seja eleito, o que deve acontecer na segunda quinzena de Julho.
A partir de segunda-feira, membros do partido têm uma semana para se inscrever e concorrer à liderança e, consequentemente, ao cargo de Primeiro-Ministro, já que o Partido Conservador ocupa a maioria na Câmara dos Comuns.
De acordo com a BBC, 11 membros do partido já confirmaram a intenção de participar no processo. Entre os mais conhecidos estão o ex-autarca de Londres, Boris Johnson, e ex-ministros e secretários, como Michael Gove, Andrea Leadsom e Jeremy Hunt.
O conselho do Partido Conservador anunciou que pretende divulgar o nome de um novo Primeiro-Ministro na semana que começa em 22 de Julho.
Numa declaração à porta da residência oficial, em Downing Street, a 24 de Maio, May reconheceu que o fracasso em aplicar o “Brexit” determinou a decisão de se demitir.
“É e será sempre motivo de profundo desgosto para mim não ter sido capaz de implementar o ‘Brexit’. Caberá ao meu sucessor encontrar um caminho que honre o resultado do referendo”, afirmou.
May disse ter feito o possível para convencer os deputados a aprovarem o acordo que negociou com Bruxelas para fazer o Reino Unido sair da União Europeia (UE), mas, “infelizmente”, não conseguiu.
O documento foi chumbado três vezes na Câmara dos Comuns por margens elevadas devido, não só à divergência da oposição e dos deputados anti-‘Brexit’, mas também por causa da discórdia por vários eurocépticos do seu próprio partido.
“É claro agora para mim que é melhor para o país que um novo Primeiro-Ministro lidere esse processo”, acrescentou.
A chefe do Governo pretendia fazer uma quarta tentativa, mas a proposta de permitir uma votação sobre um novo referendo motivou desentendimentos dentro do próprio Governo, desencadeando a demissão da ministra para os assuntos parlamentares, Andrea Leadsom.

Theresa May

O recém-formado partido do Brexit falhou a primeira tentativa de conquistar um assento no Parlamento britânico, após perder a eleição legislativa parcial em Peterborough por uma margem de apenas 683 votos para o partido Trabalhista.
A candidata trabalhista Lisa Forbes foi eleita deputada, sucedendo a Fiona Onasanya, que foi expulsa do “Labour” e destituída do cargo através de uma petição popular.
O partido Conservador, actualmente no Governo e que durante muitos anos dominou politicamente a região, ficou em terceiro lugar.
O partido do Brexit era favorito pois, nas eleições europeias de Maio, recolheu 38,3 por cento dos votos em Peterborough, mais do dobro daqueles do partido Trabalhista, que se ficou pelos 17,2 por cento.
O eurodeputado eurocéptico Nigel Farage, líder do partido do Brexit, admitiu a derrota na eleição, que se realizou na quinta-feira e cujos resultados foram anunciados ontem de madrugada.
“Eu sempre disse que ia ser disputado, mas nunca disse que íamos ganhar. Fomos um segundo lugar muito próximo”, afirmou, em declarações à BBC Radio 4.
Farage lembrou que o partido, que venceu destacadamente as eleições europeias no Reino Unido, captando quase um terço dos votos, só foi formado há oito semanas.
“O que se viu neste resultado é que a política britânica mudou profundamente, não é disputada entre apenas dois partidos”, vincou.
Já o líder trabalhista, Jeremy Corbyn, reivindicou uma vitória contra, sobretudo, o Governo de Theresa May, que já formalizou a sua demissão da liderança do partido Conservador.
“Este resultado mostra que, apesar da discórdia e o impasse sobre o ‘Brexit’, quando se trata de uma eleição sobre questões que afectam directamente a vida das pessoas, a promessa do ‘Labour’ de uma verdadeira mudança tem um apoio forte em todo o país”, argumentou.

JA

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