Xi Jinping visita Europa para consolidar as relações

O Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, inicia hoje um périplo pela Europa, visando “consolidar o bom momento” nas relações e reforçar alianças no comércio e assuntos internacionais, informou o Governo chinês.

Líder chinês está determinado a reforçar alianças no comércio e assuntos internacionais
Fotografia: DR

A visita de Xi Jinping, que vai até ao dia 26 e acontece num momento de crescente suspeição de Washington face às ambições de Pequim, inclui Itália, França e Mónaco.
“As relações entre a China e a União Europeia (UE) têm registado um desenvolvimento sólido e de qualidade: a dinâmica é muito boa”, afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Wang Chao, em conferência de imprensa.
A adesão da Itália ao projecto chinês “Uma Faixa, Uma Rota” deve dominar a visita de Xi Jinping.
O Primeiro-Ministro italiano, Giuseppe Conte, confirmou que a Itália se vai tornar no primeiro membro do G7 e um dos poucos países da UE a apoiar formalmente o projecto, apesar das objecções dos Estados Unidos, de outros países da UE e da oposição interna.
“Apreciamos o dinamismo demonstrado pela Itália para participar na iniciativa, que corresponde aos interesses dos dois países. A China está preparada para promover a cooperação a um nível prático e alcançar resultados de benefício mútuo”, assegurou Wang.
O vice-ministro considerou naturais as dúvidas internas na Itália sobre a assinatura de um memorando de entendimento, que suscitou já um acalorado debate entre os dois parceiros do Governo.
“Acreditamos que todas essas dúvidas e debates são naturais: qualquer recém-nascido precisa de tempo para crescer e é inevitável encontrar reticências ou mal-entendidos”, disse.
Portugal é, até à data, um dos poucos países da UE a apoiar formalmente o projecto. As autoridades portuguesas querem incluir uma rota atlântica no projecto chinês, o que permitiria ao Porto de Sines conectar as rotas do Extremo Oriente ao oceano Atlântico, beneficiando do alargamento do canal do Panamá.
A última visita de Xi à Europa teve como destino Lisboa, em Dezembro passado. E, no próximo mês, o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, vai participar em Pequim na 2ª edição do Fórum “Uma Faixa, Uma Rota”.
O projecto tem, no entanto, suscitado divergências com as potências ocidentais, que vêem uma nova ordem mundial ser moldada por um rival estratégico, com um sistema político e valores profundamente diferentes.
Bancos e outras instituições da China estão a conceder enormes empréstimos para projectos lançados no âmbito daquele gigantesco plano de infra-estruturas, que inclui a construção de portos, aeroportos, auto-estradas ou linhas ferroviárias ao longo dos vários continentes.
Os EUA e alguns países membros da UE consideram que o projecto beneficia apenas as empresas chinesas.
“Nós vemos (Uma Faixa, Uma Rota) como uma iniciativa feita pela China e para a China (made by China, for China)”, reagiu o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Garrett Marquis.
“Estamos cépticos de que o apoio do Governo italiano traga quaisquer benefícios económicos sustentáveis para o povo italiano e isso pode acabar por prejudicar a reputação global da Itália a longo prazo”, disse.
Conte afirmou, no entanto, que a assinatura de um memorando de entendimento não “colocaria” em questão a posição de Roma dentro da estratégia da Aliança Atlântica ou na parceira com a Europa.
Numa intervenção na Câmara dos Deputados, Conte disse que os detalhes do memorando foram trabalhados durante meses de consultas e a todos os níveis do Governo.
O responsável frisou que o memorando não é juridicamente vinculativo e que dará à Itália acesso a um enorme mercado.
“Queremos em primeiro lugar reequilibrar a balança comercial, que neste momento não é favorável para nós”, disse.
“As infra-estruturas redefinirão as rotas do comércio internacional. Haverá novos aeroportos, novos corredores comerciais e isso certamente influenciará o nosso crescimento económico”, acrescentou. “Não queremos perder esta oportunidade.”
Durante a visita a Itália, Xi vai reunir com o Presidente Sergio Mattarella, o Primeiro-Ministro Conte, e os titulares do Senado, Maria Elisabetta Alberti Casellati, e da Câmara dos Deputados, Robert Fico, e visitará ainda a cidade de Palermo.
Wang não confirmou se Xi vai reunir com o Papa Francisco, embora tenha enaltecido a assinatura de um histórico acordo, em Setembro passado, para a nomeação dos bispos, o principal entrave ao estabelecimento de relações entre Pequim e a Santa Sé.
“Foi uma grande conquista para a relação bilateral”, notou.

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