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Troca de acusações entre advogados dos réus do “Caso CNC”

Várias contradições e troca de acusações entre os advogados dos réus Manuel Paulo e Isabel Bragança marcaram nesta terça-feira a 12.ª sessão de julgamento e interrogatório do designado caso Conselho Nacional de Carregadores (CNC), que decorre no Tribunal Supremo, em Luanda.

Troca de acusações entre advogados dos réus do "Caso CNC"
Troca de acusações entre advogados dos réus do “Caso CNC”

As audições iniciaram no dia 31 de Maio com Augusto Tomás e podem encerrar ainda esta semana, posteriormente entram as testemunhas
Fotografia: Edições Novembro

A troca de acusações opôs José Ferrão – advogado da ré Isabel Bragança -, antiga directora-geral-adjunta para área Administrativa e Financeira do CNC, a Buce Manzambi Felipe – defensor do ré Manuel António Paulo -, antigo director-geral do CNC.
A base da discórdia está relacionada ao questionamento sobre o facto de o réu Manuel António Paulo não ter comunicado ao então ministro dos Transportes, Augusto Tomás, que a ré Isabel Bragança não havia justificado o uso de 40 das 100 cartas de transferências bancárias (uma espécie de cheques), entre outros aspectos.
Na sessão do dia 19 deste mês, Manuel António Paulo alegou que quando se ausentava do país delegava poderes à Isabel Bragança, que por lei tinha, nestas circunstâncias, competências de movimentar as contas do CNC, num valor de até cinco milhões de kwanzas.
Em muitas ocasiões, afirmou Manuel António Paulo, este montante passava ao estipulado por lei. Desde 2015, disse o reú, altura em que assumiu a gestão do CNC, a directora financeira-adjunta movimentava as contas da empresa sem o seu conhecimento.
Em sessões anteriores, a ré Isabel Bragança argumentou, em tribunal, que as contas do CNC só eram movimentadas com duas assinaturas, incluindo a do então director (Manuel António Paulo).
Hoje, o defensor da ré Isabel Bragança – José César Ferrão – disse, em tribunal, que as declarações do réu Manuel Paulo à instância da advogada Paula Godinho levantaram muitas dúvidas.
Em face disso, o advogado José Ferrão solicitou ao juiz que este aspecto fosse rebatido.
O juiz concordou com a petição do defensor José Ferrão e justificou que o deferimento cumpre o princípio da igualdade em termos de intervenções.
O interrogatório do advogado José Ferrão ao réu Manuel António Paulo não foi conclusivo, por ter gerado vários protestos do mandatário do antigo director-geral do CNC.
O juiz interveio várias vezes para acalmar os ânimos, alertando para a necessidade de se reverem as estratégias de defesa, sob risco de os constituintes se auto-incriminarem, durante o interrogatório.
No decorrer da sessão, o juiz questionou ao réu Manuel António Paulo como foi possível ter deixado 100 cartas brancas de transferência bancárias na posse da ré Isabel Bragança. Esta questão não foi respondida pelo arguido.

JA

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