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Ministra do Ensino Superior admite que investigação científica em Angola “é fraca”

A ministra do Ensino Superior de Angola, Maria do Rosário Sambo, considerou hoje que a investigação científica no país ainda “é fraca”, quando “comparada com outros países da região”, constatando também “anomalias na criação de centros de investigação científica”.

Falando à imprensa no âmbito de um workshop sobre financiamento de projetos, uma organização da Universidade Agostinho Neto (UAN) com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, a governante referiu que “até existe financiamento para investigação”, mas que “é mal utilizado pelos investigadores”.

“A investigação científica existe mas é fraca. Temos um potencial enorme para reverter a situação se soubermos gerir quer os recursos humanos, quer os recursos financeiros e sobretudo não sermos megalómanos concentrarmo-nos naquilo que é objetivo de produzirmos ciência de forma pragmática”, apontou.

Subordinado ao tema do “Financiamento Internacional à Investigação Científica”, este workshop decorre em Luanda até sexta-feira.

Na abertura do encontro, a ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação de Angola chamou igualmente à atenção sobre a necessidade de formação dos recursos humanos: “É capital e obviamente que não podemos realizar uma atividade de investigação sem que tenhamos recursos humanos qualificados”.

A qualidade da investigação é por isso, enfatizou, uma prioridade.

“A produção científica como tal, não é por exemplo, o investigador ir a algum congresso sem levar algum tipo de publicação para ser apresentada. Portanto, quando chega a altura da avaliação, aquilo que nós estamos a chamar de ciência, produção científica, muitas vezes não é”, observou.

Ainda segundo Maria do Rosário Sambo, ao nível do Sistema Nacional de Investigação Científica, “tem havido uma prática profundamente anómala na criação de centros de investigação científica”, até “muitas vezes sem bases de sustentação”.

“Habitualmente, a criação de um centro tem um histórico que tem que ter um início. Às vezes é só um núcleo, são poucos investigadores que fizeram trabalhos com linhas de investigação que produziram ciência, que conseguiram com essa produção captar financiamento”, adiantou.

Acrescentou que o que tem acontecido em Angola é “fazer o contrário”.

“Estamos a construir o teto, queremos pôr laboratórios, gastar equipamentos, mas depois não temos recursos humanos, portanto temos que inverter esse paradigma”, lamentou.

Há cerca de um mês na liderança do recém-criado Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação de Angola, Maria do Rosário Sambo disse ainda ter constatado “dispersão de infraestruturas” pelo país, o que também “condiciona o financiamento à investigação científica”.

“Mas isto é também outra prática que adotamos e que nos prejudica. Portanto, é muita dispersão, temos várias infraestruturas que tinham promessa de financiamento mas que ficaram a 15 ou 20% [do prometido], daí que temos que repensar a racionalização de recursos por ser dos aspetos mais importantes de gestão”, realçou.

“Precisamos identificar as más práticas e fazermos esforços para bani-las progressivamente, sobretudo com a mudança de mentalidade e comportamento”, concluiu.

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Ernesto

Escritor e Editor de Noticias no site Angola Nossa.

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