João Lourenço na Rússia para reforço da cooperação

O Presidente da República, João Lourenço, deixa hoje o país, rumo a Moscovo, para uma visita oficial de quatro dias à Rússia, a convite do homólogo, Vladimir Putin.

João Lourenço na Rússia para reforço da cooperação
João Lourenço na Rússia para reforço da cooperação

Fotografia: DR

Uma nota da Casa Civil do Presidente da República indica que, na capital russa, o Chefe de Estado angolano cumprirá um intenso programa que inclui um encontro com Vladimir Putin e conversações ao mais alto nível entre delegações dos dois países, tendo em vista o re-forço e alargamento da cooperação bilateral.
Está também prevista a ida do Presidente João Lourenço à sede do Parlamento, onde profere um discurso perante os deputados.
No âmbito da missão, está igualmente programada a realização de um fórum empresarial para homens de negócios dos dois países, na expectativa da ampliação dos horizontes de investimento num e noutro mercado. Consta ainda do roteiro oficial um espectáculo no mítico Teatro Bolshoi, com a presença da delegação presidencial angolana.
Nesta visita, destaca-se a cerimónia de condecoração do Presidente Vladimir Putin com a Ordem Agostinho Neto, que terá lugar no Kremlim, na quinta-feira à tarde, dia 4 de Abril.
João Lourenço é o terceiro Chefe de Estado angolano que visita a Rússia, depois de Agostinho Neto, em Setembro de 1977, e José Eduardo dos Santos, em 1979 e 2006.
O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, está na Rússia desde o final da semana, no âmbito dos pre-
parativos da visita do Presidente João Lourenço.
Manuel Augusto já esteve na Rússia no início do mês passado, em visita de trabalho. Segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, cerca de mil russos residem em Angola, enquanto pelo menos 1.500 angolanos vivem na Rússia.
As relações entre Angola e a Federação da Rússia co-nheceram o ponto alto em 1976, com a assinatura, entre Angola e a então URSS(União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), do Tratado de Amizade e Cooperação. Desde então, as relações entre os dois países passaram por diferentes etapas de cooperação, sendo actualmente mais significativas nos sectores da Energia, Geologia e Minas, Ensino Superior, Formação de Quadros, Defesa, Interior, Telecomunicações e Tecnologias de Informação, Pescas, Transportes, Finanças e Banca.
A 5 de Março do ano passado, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguey Lavrov, visitou Angola, e manteve conversações oficiais com a delegação angolana, chefiada pelo ministro Manuel Augusto.
A Rússia faz parte de um grupo de 61 países abrangidos pelos procedimentos de simplificação de actos administrativos para a concessão de vistos de turismo.

Relações económicas

Em Julho do ano passado, o Presidente João Lourenço e o homólogo russo, Vladimir Putin, concordaram na necessidade da elevação do nível das relações económicas e comerciais entre os dois países, num encontro que mantiveram à margem da 10ª cimeira do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) , realizada em Joanesburgo (África do Sul).
Na altura, João Lourenço convidou a Rússia a utilizar as suas potencialidades para outros domínios da economia nacional, além da indústria extractiva.
“A presença russa na economia angolana é, sobretudo, na indústria extractiva, mas gostaríamos imenso que as grandes potencialidades actuais da Rússia se fizessem presentes também, em Angola, em outros domínios”, afirmou o Presidente da República.
O Chefe de Estado solicitou o envolvimento de em-presários russos na econo-
mia angolana, para ajuda-rem o país a concretizar uma agenda de desenvolvimento projectada depois de 16 anos de paz.
João Lourenço notou que, “ao longo dos 42 anos de independência, a Rússia sempre esteve do nosso lado na luta contra o regime do Apartheid, que ameaçava Angola e a África”, declarando ao homólogo que “o povo angolano nunca esquecerá essa amizade, forjada na luta”.
“A Rússia apoiou Angola no período da Guerra Fria e, quando alguns países consideravam os angolanos terroristas, os russos foram dos poucos que os consideraram um povo com dignidade”, acrescentou o Presidente da República.
O Chefe de Estado russo declarou que Angola e a Rússia já tinham uma “boa e longa história” de amizade, mas não possuiam laços comerciais à altura do potencial das duas economias, propondo uma discussão sobre o assunto nas conversações que se desenrolaram a seguir.
“O volume do nosso comércio bilateral por enquanto não é grande, mas temos um grande potencial e bons projectos para aumentá-lo”, afirmou Vladimir Putin, que disse apreciar a oportunidade de abordar a questão com João Lourenço.
O embaixador da Rússia em Angola, Vladimir Tararov, disse recentemente que as atenções do seu país vão incidir nos sectores da Agricultura, Pescas, Pecuária e Indústria. Por exemplo, sublinhou, além da captura do pescado, a Rússia quer apostar na transforma-ção e conservação do pesca-do para o consumo interno e, quiçá, ajudar Angola a exportar para a região dos Grandes La-gos, Namíbia e o vizinho Congo Brazzaville.
A ALROSA, empresa que representa os interesses russos no segmento dos diamantes em Angola, detém 9 por cento do total de produção das pedras preciosas no país. Tem várias parcerias com a concessionária nacional do sector diamantífero, ENDIAMA.

Cooperação sólida na área militar

A Defesa continua a ser a área de cooperação russo-angolana mais sólida. Até aos dias de hoje, a Rússia (juntamente com Cuba) é o parceiro mais estratégico de Angola nesta área, devido ao papel histórico na guerra anti-colonial e pós-independência.
O Governo angolano privilegia um modelo de cooperação assente na promoção, alargamento e incremento do diálogo político ao mais alto nível, bem como na criação de condições objectivas para a aproximação dos sectores de negócio e o desenvolvimento de parcerias privadas ou público-privadas.
A componente financeira, nomeadamente as facilidades de crédito e a sua flexibilidade constituem um pilar indispensável da cooperação que tem como “motor” a Comissão Mista Bilateral, cuja IV sessão terá lugar este ano em Moscovo.
Em entrevista ao Jornal de Economia e Finanças, em Fevereiro deste ano, o embaixador da Rússia em Angola, Vladimir Tararov, referiu que a possibilidade de criação, em Angola, de um centro de manutenção de helicóptero e aviões, vai ser analisada durante a visita do Presidente João Lourenço.
“A Rússia detém um número significativo de helicópteros em Angola. Considera-se importante montar uma base para a manutenção e fornecimento de peças sobressalentes para manter a operacionalidade dos equipamentos. Trata-se de uma iniciativa conjunta, pelo que, a sua efectiva execução está a depender do interesse dos dois países. Temos certeza que esta base não vai trabalhar apenas para Angola, mas deve apoiar a manutenção de helicópteros e outros aviões a nível de toda a região”, disse.
Na cerimónia de atribuição de medalhas pela Rússia a oficiais angolanos que contribuíram para o fortalecimento das relações militares entre os dois países, realizada em Luanda, o ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República reconheceu que os russos contribuíram muito para a criação das Forças Armadas Angolanas (FAA), desde a formação de quadros à assistência técnica aos angolanos.
Na mesma ocasião, o ministro da Defesa Nacional, Salviano de Jesus Sequeira, reconheceu também o papel da Rússia na formação de várias gerações de militares angolanos e que a técnica e a doutrina militar de que Angola dispõe é, maioritariamente, proveniente da Rússia.
O ministro da Defesa Nacional disse que o país continua a formar quadros na Rússia e que neste momento estão na Rússia vários estudantes matriculados nas academias militares.

JA

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